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Em Israel há árabes muçulmanos, árabes cristãos (especialmente em Belém e Nazareth), drusos, beduínos… sendo que a maioria são muçulmanos sunitas. Eles são cidadãos de Israel e constituem 20% da população do país.

Um pouco de História

Durante vários séculos o “Império Otomano” dominava grande parte do Oriente Médio até sua derrota na Primeira Guerra Mundial. Em 1920 a Liga das Nações criou o “Mandato Britânico na Palestina”. Neste território deveriam ser criados dois Estados: um Estado Judeu, de acordo com a Declaração de Balfour de 1917 e um Estado Árabe.

Em 29 de novembro de 1947 a ONU decidiu dividir o território da Palestina e criar estes dois Estados. A Inglaterra iria abandonar este território em 15 de maio de 1948.

A liderança do “Yishuv” (a comunidade judaica em Israel) aceitou a divisão do território; a liderança árabe, sob a influência de Haj Amin El Husseini, o mufti (líder político religioso) de Jerusalém, a rejeitou. Imediatamente os árabes locais começaram a atacar a população judia e em 15/5/1948, quando as Forças inglesas se retiraram, cinco países árabes invadiram o recém-criado Estado de Israel.

A guerra terminou com um armistício em 1949. A linha de demarcação da fronteira se chamou a “linha verde”. A Jordânia conquistou e anexou o que se chama a Cisjordânia (Judéia e Samaria) incluindo o leste da cidade de Jerusalém e a Cidade Velha de Jerusalém; o Egito conquistou a Faixa de Gaza. Nesta guerra morreram cerca de 5,000 judeus, entre soldados e civis. Isso consistia em 1% da população judia, que na época era de meio milhão de habitantes.

Durante a guerra muitos árabes deixaram suas casas e aldeias e foram em direção as tropas árabes invasoras. Alguns, por medo da guerra; outros, porque os invasores pediram aos árabes locais que saíssem, para não atrapalhar na guerra; prometeram que logo logo eles poderiam voltar, junto com os exércitos árabes vencedores, e então ficariam com as propriedades dos judeus que seriam expulsos ou mortos. A tal vitória árabe não aconteceu. Israel conseguiu bloquear os invasores e os árabes que deixaram suas casas não puderam mais voltar.

Em 1950, de acordo com a UNRWA (uma agência da ONU criada para tratar exclusivamente de refugiados palestinos) haviam 700,000 refugiados palestinos. Em 2012, haviam 4,950,000 refugiados registrados. Isto é, incluindo os descendentes. Este é o único lugar no mundo onde descendentes de refugiados continuam sendo considerados refugiados e continuam recebendo auxílio da ONU.

Os refugiados ficaram em campos de refugiados na Jordânia, Líbano, Síria, Gaza (Egito), Iraque, Arábia Saudita e outros países. Dos países que os receberam, somente a Jordânia concordou em lhes dar cidadania. Os outros países árabes decidiram mantê-los em campos de refugiados para manter vivo o ódio a Israel e para manter viva a vontade de sair à guerra e conquistar Israel. A Liga Árabe instruiu os seus membros a recusar cidadania aos refugiados palestinos “para não perderem a sua identidade e para proteger o seu direito de retornar às suas casas.

Por outro lado, há os árabes que ficaram em Israel durante a Guerra da Independência. Alguns ficaram por medo de perder suas casas. Outros ficaram por amizade verdadeira ao povo judeu e por acreditar na Declaração de Independência de Israel, que promete direitos civis para todos os povos e raças. Eles vivem em cidades e aldeias árabes ou em cidades mistas. Eles têm direito de voto, tem representantes no Knesset (Parlamento de Israel). Trabalham em todos os tipos de trabalho, desde os mais simples até medicina, educação e advocacia.

No fim da guerra, os territórios onde moravam os árabes ficaram abaixo de um Governo Militar. Levou tempo para o novo país de Israel perder o medo de ter uma quinta coluna (inimigos) dentro do país. Aos poucos, as leis foram ficando menos rígidas até que em 1966 o Governo Militar foi abolido.

Israel tem sofrido com atentados terroristas desde antes da criação do Estado. Desde a criação do Estado, houve casos em que árabes israelenses ajudaram a terroristas. Mas a porcentagem destes colaboradores dentre a população árabe israelense é baixa.

Os drusos sempre apoiam o Estado no qual vivem em qualquer lugar do mundo. Portanto eles apoiam o Estado de Israel, servem ao exército e tem muitos oficiais drusos em altos cargos no Exército de Israel. Fora os drusos, os árabes não têm obrigação de servir ao exército, mas mesmo assim tem árabes que servem no exército como voluntários, especialmente entre os beduínos e cristãos.

Desde 1967 os partidos árabes no Knesset começaram a se preocupar mais com a situação externa, isto é, os territórios ocupados/liberados por Israel na Guerra dos Seis Dias (Cisjordânia – Judéia e Samaria, Faixa de Gaza) do que com a situação dos árabes dentro de Israel. Mas apesar do distanciamento da população árabe dos seus representantes no Knesset, a população continua votando neles, porque não gostam de votar em partidos sionistas que dizem que Israel é o estado nacional do povo judeu.

Então temos uma situação estranha, em que árabes israelenses, que gostam de morar aqui, que são cidadãos da única democracia do Oriente Médio, que tem o mais alto nível de educação, de medicina, de direitos humanos, de direitos de mulheres dentre todos os países árabes – votam para políticos no Knesset que estão muito ocupados em protestar contra a ocupação, em ficar do lado da Autoridade Palestina e não se ocupam o suficiente em tentar melhorar a vida dos cidadãos árabes de Israel. Estes frequentemente só estão interessados em melhorar a sua vida e proporcionar uma vida melhor para seus filhos.

O que acontece hoje?

Recentemente, Avigdor Lieberman do partido Yisrael Beiteinu disse: “…os membros do Knesset dos partidos árabes são nossos inimigos… Eles deveriam estar no parlamento de Ramallah, da Autoridade Palestina e não no Knesset…”

Os discursos e as ações de membros árabes do Knesset são muito desagradáveis para os israelenses.

– Aiman Ude, o líder do Partido Árabe Unificado, boicotou o enterro de Peres. Mas na mesma semana foi visitar o túmulo de Arafat.
– Ahmed Tibi disse: “ …não há algo mais elevado do que o shahid (mártir que luta contra Israel)… e que o inimigo (Israel) o chama de terrorista…”
– Azmi Bishara – foi acusado de ajudar o Hizbolá e fugiu do país.
– Hanin Zoabi estava no navio Marmara, aquele que tentou furar o cerco que Israel impôs sobre Gaza; quando soldados israelenses entraram no navio, houve mortos e feridos.

Ao mesmo tempo, os árabes israelenses se queixam de discriminação; que o Estado não investe tanto nas cidades e aldeias árabes quanto nas áreas judaicas. Que o nível de crime nos locais árabes é alto e que a polícia não os protege o suficiente. Estes são temas dos quais se fala bastante nesta época de eleições.

Os partidos árabes não querem ser aliados dos partidos sionistas – isto é, todos os partidos judeus… E a maioria dos partidos judeus sionistas não querem ser aliados de partidos que são, na melhor das análises, anti-sionistas, e na pior, inimigos.

Os árabes de Israel não são sionistas. Eles nunca se emocionam quando ouvem o hino nacional israelense, o Hatikva, o hino que fala da esperança do povo judeu de ter um país próprio. Para eles, o Dia da Independência de Israel continua sendo chamado Yom Ha Nakba, o dia da tragédia. Mas tomara que os programas do governo em prol desta população funcionem direito. E tomara que eles saibam eleger representantes que cuidem de seus interesses de verdade.

Escrito por David Wolf em Outubro de 2019

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