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Sinagoga Mount Zion. Onitsha. Sudeste da Nigéria. Ronaldo Gomlevsky acompanhado do presidente da Sinagoga e mais cerca de duas dezenas de Igbos-judeus nigerianos.

Aqui na Nigéria, longe do meu dia a dia no Brasil, longe das questões costumeiras, longe das hierarquias existentes na religião judaica, absolutamente aproveitadas por políticos em Israel que precisam de votos e mais à frente tem necessidade de compor gabinetes, longe das pressões realizadas dentro de nossa própria comunidade judaica brasileira, estou conseguindo pensar e concluir temas, à luz do que me é apresentado pelos judeus locais, permitindo-me comparar com o que tenho visto pelo mundo. Judeus de países desenvolvidos estão sempre vivendo na linha da média da sociedade onde vivem.

Países de primeiro mundo possuem comunidades judaicas de primeiro mundo. E assim sucessivamente.

Imagine você, meu leitor as dificuldades vividas pelos judeus da Nigéria. O país vive um paradoxo. Rico de natureza, possui um dos povos mais pobres do planeta. Os judeus daqui estão vivendo na média da pobreza do povo do país deles.

Aqui não existe preconceito. Existe o descaso.

Judeus não tem cemitério próprio.

Não há um único rabino em todo o país.

A única sinagoga que possui uma mikvá (banho ritual) está situada em Port Harcourt, no sul da Nigéria. Construída por um homem que é judeu há poucos anos.

Os judeus daqui, todos pertencem à etnia Igbo.

Os antepassados deles colocaram os pés na África, oriundos da Terra Santa, no período da ocupação romana.

Chegaram a ser 25.000.000 (vinte e cinco milhões) de almas.

Possuem um único costume, comum a todos desta etnia. Todos os homens são circuncidados aos 8 dias após o nascimento.

Durante centenas de anos, ninguém sabia explicar porque.

De repente, a onda da volta ao judaísmo explodiu em toda a IGBOLAND como é chamada a parte do país onde vivem os Igbo.

Sinagogas estão sendo construídas, comunidades estão sendo formadas, hábitos e festividades judaicas estão sendo introduzidos, bastante gente está descobrindo, como eles dizem por aqui, o amor por HASHEM e dentro em pouco, esta explosão social avançará de uma tal maneira que não haverá como segurá-la.

Alguém pode chegar por aqui e dizer: ah, a Rabanut não os reconhece.

Digo: dane-se a Rabanut. Pior para ela.

Digo mais: judeus brancos europeus os de descendência caucasiana que não tem a menor ideia de que o judaísmo se originou na região do Oriente Médio que não possuía população branca, precisam estudar para entender que o judaísmo no mundo está muito mais para lá do rebbe de Breslaw e adjacências.

O judaísmo sempre foi multicolorido, multifacetado, multicultural, multissocial.

Na verdade o que quero declarar é que considero muito bem-vindos, tanto os bnei anussim, quanto os Igbo e quanto todos os que ainda estão por reconhecer o judaísmo dentro deles mesmos.

Tenho certeza que o trabalho que estamos realizando por aqui na África vai emocionar você, até as lágrimas.

Hoje, depois de ver e ouvir um jovem negão de 20 anos tocando shofar como gente grande, não tenho mais dúvidas:

Sejam bem-vindos ao judaísmo neste mundo maluco, meus queridos irmãos Igbo!

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