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Failcon é uma conferência muito popular em Israel, na qual os ingressos são vendidos em poucas horas e o tema gira em torno de um assunto: o fracasso. Parece que os israelenses não só não têm medo do fracasso, mas também o abraçam.

Onde conheci os principais executivos e as principais startups do Brasil? No Rio? Em São Paulo? Não! Conheci todos eles em Tel Aviv. Em outubro, dois grandes grupos de executivos brasileiros vieram visitar Israel e entender porque nós somos chamados de “Startup Nation”. A Monashees, um dos principais investidores de capital de risco do Brasil e um grupo de top executivos da indústria de tecnologia do Brasil.

Vamos começar com os fatos: Israel é o terceiro país (após EUA e China) com o maior número de companhias listadas na Nasdaq; possui mais capital de risco per capita e mais startups do que qualquer outro país do mundo; pesquisa e desenvolvimento (P&D) é um fio condutor do país, que também tem mais cientistas e profissionais de tecnologia per capita do que qualquer outro país. Em 2016, as startups israelenses arrecadaram US$ 4,8 bilhões em fundos de risco, um recorde neste ano, e também viram saídas no valor de US$ 9,2 bilhões.

A questão é: como Israel – um país de 8,5 milhões de habitantes, com apenas 69 anos de fundação, cercado por inimigos e em constante estado de guerra desde 1948 e sem recursos naturais – produz mais startups do que grandes países pacíficos e estáveis, como Reino Unido, Coreia, Índia, Canadá e Japão?

É uma questão de talento ou Israel tem um “tempero secreto” que gera esse ecossistema único de startups? Esta é a pergunta que fiz aos brasileiros que se reuniram com “startapistas” do cenário de Hi-Tech israelense.

Mas, antes, vou contar como tudo começou no 365, meu aplicativo de esportes que está no mercado desde 2010. Aos 18 anos, todos os cidadãos vão para as forças armadas (IDF). E foi no exército que nós quatro, os fundadores, nos conhecemos. Nós éramos encarregados do sistema de alerta de Israel, responsável em notificar as pessoas quando uma miserável ameaça vinha em nossa direção. Foi ali que surgiu a ideia. Nós quatro sempre fomos movidos pela paixão do esporte. Quando terminamos a “tzavá”, nós queríamos enviar mensagens felizes sobre resultados esportivos. Muitos fundadores de startups israelenses tiveram o mesmo caminho depois de servir em unidades de tecnologia voltadas a salvar vidas.

Voltando ao “tempero secreto”, já ouviu falar em Failcon? É uma conferência muito popular em Israel na qual os ingressos são vendidos em poucas horas e o tema gira em torno de um assunto: o fracasso. Parece que os israelenses não só não têm medo do fracasso, mas também o abraçam. Outro fator importante é a transparência, o israelense não tem medo de não ser “legal”.

“Participar dessa viagem foi uma experiência única para mim. Pude perceber uma diferença muito grande entre a cultura israelense e a brasileira. O israelense não tem medo de assumir um erro. Dizer que não funcionou e precisa ser feito de uma maneira diferente. No Brasil, nós somos muito educados neste sentido. Se você entra numa reunião e te apresentam algo que está péssimo e você diz isso a ela, a pessoa fica com raiva de você. Perdemos muito tempo para chegar no ponto. O israelense é direto, o que economiza tempo para todos”, opina um dos participantes da viagem.

Um dos pontos mais importantes é a globalização. E, aqui, eu, Brener, quero dar um exemplo com minha empresa: quando começamos o 365 nós sabíamos que não poderíamos trabalhar para o mercado local – como disse anteriormente, Israel tem apenas 8 milhões de pessoas e sem a capacidade de se relacionar com países vizinhos – portanto, uma das primeiras decisões foi ser um aplicativo global e que pudesse suportar mais de 20 idiomas diferentes. Desde o início apostamos em mercados promissores. Português, árabe, inglês e espanhol, por exemplo, são idiomas que entraram no app desde o início. No Brasil, nós começamos com um representante, e hoje, das 60 pessoas que temos na empresa, nove são nativos e atuam para o mercado brasileiro.

Uma questão que sempre me colocam é como uma startup de Israel entra no top de aplicativos de esportes do Brasil? Tudo começou em 2012, quando recebemos um estagiário brasileiro em Tel Aviv. Conseguimos perceber a grande paixão que o povo brasileiro tem pelo esporte e o grande potencial deste mercado. Começamos a investir em estratégias de marketing de guerrilha. Com isso, conseguimos ultrapassar a marca de cinco milhões de downloads e ter mais de um milhão de usuários ativos todos dias, que geram mais de 100 milhões de sessões mobile todos os meses.

Com estes números e com uma audiência muito qualificada, nós acreditamos que conseguimos oferecer a solução perfeita para as marcas que querem se comunicar numa das top plataformas mobile no Brasil. Oferecemos formatos inovadores, uma forte capacidade de segmentação e conseguimos criar excelente oportunidades de comunicação suportadas por tecnologias de geolocalização.

Por fim, como israelense e CRO de uma empresa que vem crescendo fortemente no mercado internacional, eu – lembro que nós não tínhamos nenhuma experiência em negócios, mas não tivemos medo de assumir riscos – deixo para vocês três conselhos: a verdade economiza seu tempo; reconhecer um erro precocemente poupa seu dinheiro; e, saiba que quando se trabalha numa startup o dia começa, mas nunca termina.

Artigo escrito por Yev Brener, CRO e co-founder do 365Scores, app gratuito que oferece ao usuário um local para criar um canal de esportes totalmente personalizado. Com ele, é possível escolher times, campeonatos preferidos e acompanhar seus resultados, notícias, vídeos e tuítes sobre o que está acontecendo ao vivo em um só local. Fonte: Israel Trade and Investment Brazil.

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