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Filme é adaptação de romance do Isaac Bashevis Singer, Nobel de Literatura. Em debate: afetos, paixões e os horrores do Holocausto.

O projeto Psicanálise & Cinema, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ), promove a exibição de “Inimigos – uma história de amor”, na próxima sexta-feira (8), às 19h15. A sessão de janeiro foi remarcada por conta de um temporal. Baseada no romance do Prêmio Nobel Isaac Bashevis Singer, a obra retrata um sobrevivente do Holocausto, e a escolha do filme é uma forma de homenagem à libertação de Auschwitz, que aconteceu em 27 de janeiro de 1945. Pelo menos 1 milhão de pessoas foram mortas em câmaras de gás e crematórios no maior campo de extermínio nazista. A projeção será seguida por um debate com a crítica de cinema Susana Schild e o psicanalista Luiz Fernando Gallego, coordenador do projeto da SBPRJ, que fica no Humaitá.

O filme, lançado em 1990, tem roteiro e direção de Paul Mazursky, que recebeu o prêmio de melhor diretor do New York Film Critics. Segundo críticos, Mazursky faz uma adaptação precisa do romance de Isaac Bashevis Singer sobre a relação entre a memória e a reconstrução das vidas dos sobreviventes. Em 1949, Herman Broder (Ron Silver) vive nos EUA com a esposa (Margaret Sophie Stein), uma polonesa que o escondeu durante a guerra. Ele é ghost writer de um rabino pouco escrupuloso e mantém um caso com outra sobrevivente do Holocausto (Lena Olin). Angustiado e tentando manter o controle, Herman recebe a notícia de que a primeira esposa (Anjelica Huston), que ele pensava ter sido assassinada pelos nazistas, reapareceu como se fosse uma ressuscitada.

Segundo o psicanalista Luiz Fernando Gallego, o filme consegue traduzir a ironia do romance original, retratando com doses de humor e amargura a indizível experiência dos sobreviventes de uma das maiores infâmias cometidas contra a humanidade:

“A volta à vida ‘normal’ seria mesmo possível depois do Holocausto? Na estranha época atual, em que até mesmo a realidade dos horrores nazistas vem sendo negada por grupos de extrema-direita, este filme merece ser visto ou revisto. Com inteligência, o grande romancista preferiu abordar o ‘depois’ dos campos de concentração, abrindo a discussão do que não pode ser esquecido mas cuja lembrança é, ao mesmo tempo, intolerável. E o filme é uma digna adaptação do livro que lhe deu origem.”

A produção tem duração de 119 minutos e classificação de 14 anos. A entrada para o filme é gratuita, mas será cobrada a taxa de manutenção de R$ 20 para os que ficarem para a palestra e o debate. Reservas para quem quiser participar do debate podem ser feitas pelo e-mail sbprj@sbprj.org.br ou pelos telefones (21) 2537-1333 e 2537-1115. A reserva é válida somente até dez minutos antes do início da sessão. O endereço da SBPRJ é Rua David Campista, 80, no Humaitá.

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