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por Herman Glanz – Documento capturado pelo exército egípcio, após a deposição de Morsi, firmado entre a administração americana e a Irmandade Muçulmana, veja-se bem, não com o governo egípcio, dá conta de um Acordo Secreto pelo qual seriam cedidos 40% do território egípcio do Sinai e anexado à Faixa de Gaza.

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O objetivo seria facilitar a conclusão, ou até fazer impor, um acordo de paz global entre Israel e palestinos. Tal acordo secreto foi assinado por Khayrat el Shater, número 2 da Irmandade, por Morsi e pelo Guia Supremo da Irmandade. Em troca, o governo americano oferecia 8 bilhões de dólares para a Irmandade Muçulmana.

Em consequência, uma sindicância está em curso contra Morsi e el Shater e mandados de prisão foram expedidos contra o Guia Supremo da Irmandade e outros membros, que podem ser condenados à morte por alta traição. A administração Obama estava tentando concluir um acordo com el Sissi, presidente do Conselho Supremo das Forças Armadas, pelo qual reconheceria a legitimidade da deposição de Morsi em troca do silêncio sobre o acordo secreto. Todavia, el Sissi está mais interessado na condenação da Irmandade Muçulmana e em provocar seu descrédito, por considerá-la um perigo para o Egito.

Os republicanos no Congresso dos Estados Unidos estão debatendo com seriedade o assunto e propensos a pedir o impeachment de Obama. A notícia foi divulgada pela TV 14 VIP – AL ETEJAH, em árabe, na sexta-feira 12 de julho, e cujo resumo acabamos de apresentar.

A situação se mostra, portanto, inquietante quando se observa uma política americana disposta até a pressionar as instituições judaicas americanas para se mostrarem contra Israel e em apoio à orientação americana de se aproximar dos muçulmanos mais radicais.

Neste sentido se insere a liberação de informação de que foi Israel responsável pela explosão que destruiu, em 5 de julho passado, o depósito de armas russas perto do porto sírio de Lataquia, contendo mísseis Yakhont ou SS-N-26, realizado por meio de um submarino, colocando a Rússia, de Putin, e Bashar Assad, da Síria, contra Israel, com desdobramentos imprevisíveis e com represálias ditas justificáveis.

A política americana de Obama está dirigida para reverter o antiamericanismo que está conduzindo a atentados terroristas de radicais islâmicos contra os americanos, não só em território dos Estados Unidos, como foi o caso da maratona de Boston, como em várias partes do mundo. É neste sentido que se insere a espionagem americana em todo o mundo e da qual se fala aqui no país.

O que se observa é que o Presidente Obama considera que tal política é a melhor para os Estados Unidos, conforme já dissemos várias vezes, mas não contava com a oposição no mundo árabe, especialmente a Arábia Saudita, que considera perigosa a ascensão da Irmandade Muçulmana, pois nefasta para a monarquia, incitando para a sua queda.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos depositaram, num dia, 8 bilhões de dólares para os militares egípcios após a deposição de Morsi. A política externa americana, posta em prática deixava de lado os países que lhes ajudavam e também pouco interesse demonstrava pelos direitos humanos mundo afora, direitos humanos que seriam o fator fundamental para a erradicação do ódio aos americanos.

Mas o interesse é alcançar uma solução imediata, retirando tropas de várias partes do mundo onde morrem soldados americanos e provocam os protestos internos das famílias enlutadas. Seria uma tentativa de saída honrosa do Afeganistão e outras regiões onde há guerras com muçulmanos, especialmente, agora, na Síria, onde a administração americana decidiu apoiar os rebeldes sunitas, no interesse da Irmandade Muçulmana, e onde o Hamas, descendente dessa Irmandade, lutava ao lado dos rebeldes e que provocou a ira dos xiitas iranianos e do Hizbollah também xiita.

A administração americana não entra em ajuda da França que combate, ainda, no Mali, consequência da má política na Líbia, lá permitindo um governo terrorista, que busca se espalhar para os países vizinhos. Armas da Líbia foram contrabandeadas para o Sinai, ficando à disposição da Irmandade Muçulmana que criava uma fortificação na região e mandava uma parte das armas para o Hamas em Gaza, que as empregava contra Israel.

Agora, com a queda de Morsi e da Irmandade a situação está se revertendo, e o exército egípcio está perseguindo os militantes da Irmandade e do Hamas até em Gaza. Mas os americanos querem abrandar tal perseguição com forças armadas dispostas próximo do Suez. E enquanto isso, as divergências entre a OLP e o Hamas se deterioram, mas já existe e turma que quer tirar proveito com um acordo.

Quando se pensa que a situação está ficando mais favorável a acordos de paz, Israel se vê com novas ameaças e isso explica a relutância de Israel em partir de imediato para conversações de paz a fim de não sucumbir às ameaças americanas.