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O assunto do momento é o Plano Trump para Israel e palestinos, e muito se fala e falará sobre o tema. Já falaram em Balfour II. O problema é o islamismo e o antissemitismo, difíceis de contornar. O islamismo não aceita compromisso territorial. O antissemitismo está enraizado nos corações e mentes do mundo europeu e até o americano, assim como no mundo muçulmano. Será preciso muita habilidade e muita diplomacia. E novos desafios que façam os atores mudarem suas ideias e aceitarem uma nova realidade. Alguns países árabes já enfrentam a realidade, pois precisam de Israel.

Sobre o antissemitismo, veja-se, por exemplo: um vídeo com o discurso, em dezembro de 2019, no Parlamento Alemão, pelo parlamentar Jürgen Braun, que diz o seguinte à Chanceler Ângela Merkel:

“Venho aqui, hoje, falar para a Chanceler Federal. Sinto profunda vergonha. Sobre o que disse há alguns dias, em sua visita a Auschwitz, foi muito bom. Mas não foi tão bom o voto da República Federal da Alemanha nas Nações Unidas. Por acaso, Senhora Chanceler, sente vergonha devido ao comportamento diante do voto da RFDA nas Nações Unidas? A resposta é negativa.  Em 2018, a Alemanha votou 16 vezes contra Israel na Assembleia Geral da ONU. Em 2019, a Alemanha votou 14 vezes contra Israel. É sua convicção que está causando a votação contra Israel, ou é assunto de oportunismo?”

Assim caminha a Europa antissemita, que fala bonito de um lado, mas vota feio de outro lado. O antissemitismo fala mais alto.

Em outro caso, sobre o Fórum Internacional de Lembrança do Holocausto, em Jerusalém, dia 23 de janeiro passado, o Presidente russo, Putin, falou, ao inaugurar um monumento ao heroísmo russo durante o cerco de Leningrado:

“A história conhece muitos exemplos de resistência, heroicas vítimas e grandes tragédias humanas.”…”Mas o cerco de Leningrado e o Holocausto não podem ser comparados com quaisquer outros.”… “Tanto em Israel, como na Rússia, os povos estão preocupados com as tentativas de negar o Holocausto, revisar os resultados da II Guerra, e lavar as culpas dos assassinos e criminosos.”

Desta forma, comparou a negação do Holocausto com o revisionismo histórico de diminuir a vitimização soviética. É o uso do Holocausto e dos judeus para a propaganda própria. A Europa não se emenda. E Putin fala para conter as declarações de populações dos países que ficaram sob o jugo soviético, que se consideraram ocupados pelos soviéticos, o que de fato ocorreu até a derrocada da antiga União Soviética.

Mas não é só Putin. O presidente francês, Macron, quis comparar a guerra da França na Argélia, com a Shoá. Todos querem tirar uma casquinha da desgraça antissemita. Mais ainda, dizer que o Campo de Extermínio de Auschwitz foi libertado pelo Exército Vermelho pode ser contestado. Os alemães se retiraram do lugar antes da chegada do Exército Vermelho. E depois da tomada do Campo, até a rendição alemã, em 7 de maio seguinte, os alemães ainda mataram mais de 1 milhão de judeus. Os aliados nada fizeram.

Finalmente, o Plano do Século do presidente Trump, é mais um Plano de Partilha da Palestina, ou melhor dito, de Israel. É mais uma redução do Estado Judeu, com suas exigências de reconhece-lo, mas com a criação do Estado Palestino árabe. Mais um Estado Árabe, evitando-se um único Estado Judeu, que compreenderia judeus e demais habitantes locais, com os problemas do crescimento populacional e taxa de natalidade.

Todavia, a taxa de natalidade em Israel, acaba de superar a dos palestinos árabes. O grande desafio é e será conter o Irã e sua ânsia de desenvolver a bomba nuclear para se impor ao mundo, não só ao mundo muçulmano. Se é que já não dispõe de condições de fazer a bomba. Há sempre quem está disposto a vender a tecnologia, como Paquistão, Coreia do Norte, e devemos pensar na Alemanha e até a Suíça. Enquanto isso, o islã avança pela Europa, numa tentativa de recriar o ‘Esplendor Andaluz’.

A nosso ver, a Suécia, em pouco tempo, vira um país islâmico, já tem até Partido político – Nuance Islâmica. Enquanto não se enfrentar e estender uma solução frente a esse avanço, a Partilha da Palestina terá dificuldades para vingar diante do islamismo que não aceita a democracia ocidental, por enquanto. E é preciso firme determinação contra o antissemitismo. As grandes transformações que ocorrem no mundo todo poderão fazer mudar a perspectiva islâmica e, talvez, a do mundo antissemita. Oxalá!       

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