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por Carlos Brickmann – Um grupo de fanáticos religiosos invade a redação de uma revista que considera pecaminosa e assassina 12 pessoas a sangue frio. Há quem queira relativizar a barbárie, mudar o assunto para a questão da aceitação de imigrantes em outro país, essas coisas.

Há quem queira relativizar a barbárie lembrando que, na Nigéria, o grupo fundamentalista muçulmano Boko Haram acaba de matar centenas de pessoas (as estimativas vão de 400 a 2 mil) por não seguirem sua religião, exatamente como eles a definem, e que embora muito mais gente tenha sido morta não houve uma reação internacional como a que se seguiu ao atentado de Paris contra o Charlie Hebdo.

Relativizar a barbárie de que maneira, sabendo-se que os autores das duas carnificinas foram fanáticos fundamentalistas islâmicos, sequiosos de uma guerra santa contra o Ocidente? A ideia é que o Ocidente se preocupa com mortos brancos, enquanto os negros não despertam a mesma revolta. Para algumas pessoas, este raciocínio parece lógico; incrível é saber que há jornalistas que o aceitam.

Certas coisas são óbvias para os jornalistas. Em Paris há repórteres do mundo inteiro, prontos para enfrentar uma cobertura. No Norte da Nigéria não há jornalistas internacionais, não há infraestrutura para envio de reportagens. Em Paris morreram pessoas internacionalmente conhecidas. E o protesto ocorrido em Paris, contra a barbárie, é também contra o massacre da Nigéria: nos dois casos, pessoas foram assassinadas por grupos que não podiam tolerar que houvesse pensamento diferente do seu.

Quanto à história do valor da vida de negros e brancos, lembremos dois casos: nos funerais de Nelson Mandela e de Martin Luther King houve uma mobilização internacional poucas vezes vista no mundo.

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