Exposição “Os Desenhos das Crianças de Terezín” na Câmara dos Deputados em Brasília.
“Os Desenhos das Crianças de Terezín” ficarão expostos na galeria do 10º andar do anexo IV da Câmara dos Deputados de 03 a 30 de março de 2011. A visitação é de segunda a sexta das 9 às 18 horas.
Os desenhos e os poemas, feitos por milhares de crianças de Terezín, converteram-se em testemunho da experiência que elas viveram sob o rigor do cruel domínio nazista durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). As crianças fizeram uso de sua energia mais intensa, procurando a liberação do ato criativo. Lograram representar a beleza situada além das portas da cidade que lhes era total e impiedosamente roubada. Embora não tivessem material suficiente, pintavam sobre quase qualquer superfície que havia por perto, dispondo de muito pouco giz, de escassas aquarelas e de materiais insuficientes, mas que souberam combinar para formar admiráveis texturas. As crianças pintaram e escreveram para expressar sua saudade do lar, seu abandono, sua tristeza e para compartilhar suas ansiedades, seus temores e suas esperanças, tal como fez Anne Frank em seu diário.
Geralmente desenhavam sob a orientação do artista Fried Dicker-Brandejs, procurando fazer da expressão um ato de consolo e conciliação espiritual. Esses desenhos, na sua maioria, são da autoria de meninas de 10 a 15 anos de idade, mas crianças de outras idades também desenhavam. Formaram-se círculos temáticos, através das lembranças de paisagens, de ruas e cidades, de seus familiares, de flores e animais, de brincadeiras infantis, de imaginação e fantasias e de suas experiências, na infeliz vida dentro do campo de concentração. Tanto esses desenhos como a maior parte de literatura escrita pelas crianças de Terezín, evidenciam a recordação dos lares perdidos e da já distante infância feliz e a amargura de terem sido arrancados de sua vida normal para um mundo desumanoo de opressão e ódio mortal. Esses poemas foram encontrados nas revistas que as crianças pulicaram dentro do gueto, acompanhados muitas vezes de de! senhos comoventes. Das 15.000 crianças desse campo de concentração, somente 100 sobreviveram aos assassinatos em massa promovidos pelo louco fanatismo do nazismo.
Terezín: “Porta em direção à morte”
A cidade de Terezín foi fundada há 200 anos pelo Imperador Austríaco José II como um posto militar para proteger Praga. O tratado de Munique, de 30 de setembro de 1938, acabou com a antiga Tchecoslováquia. Em 15 de março de 1939, deu-se o início da ocupação total do país pelos nazistas, que estabeleceram seu chamado “Protetorado da Boêmia e da Morávia”. No início da Segunda Guerra Mundial, o regime de ocupação nazista do Terceiro Reich fez da cidade de Terezín um campo de concentração provisório para populações de origem judaica da Boêmia e da Morávia e, depois, também de outras partes da Europa. Esse campo ficou tristemente conhecido em todo o mundo como “porta em direção à morte”, pela qual passaram mais de cem mil judeus tchecos e europeus. A esmagadora maioria faleceu nas câmaras de gás de Auschwitz, Maidanek, Chelmno ou Treblinka.
Durante os quatro anos de sua existência, nesse estranho e brutal ambiente, Terezín logrou manter sua própria vida espiritual e artística como instrumento de defesa coletiva contra as adversidades do destino. Existiam vários círculos de artes plásticas, criavam-se obras de teatro e escreviam-se poesias. Até óperas foram compostas. A exposição de desenhos das crianças de Terezín não nos deixa uma suposta “outra face” dos campos de concentração, pois sua face será a mesma para sempre. É uma mensagem para saber um pouco mais sobre a verdadeira história do holocausto. A cidade de Terezín é declarada hoje, pelo Governo da República Tcheca, como Monumento da Nação.


























