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Vinte e cinco anos após ter nos deixado, nos 105 anos de nascimento do 6º Primeiro Ministro de Israel, recordamos o Comandante do Irgun, que a frente de bravos lutadores expulsou os ingleses da Terra Santa.

Em uma de suas inúmeras visitas ao Brasil, em setembro de 1949, como membro do Knesset (Parlamento de Israel) realizou uma visita a Câmara dos Deputados no então Distrito Federal, onde colocou uma coroa de flores junto à estátua do grande herói Tiradentes, como ele também um lutador pela liberdade, ainda que tardia.

Assim como Tiradentes, este herói enlouquecido pela Liberdade, no dizer de Tancredo Neves, 18 soldados do Irgun também subiram ao cadafalso erguido pelos ocupantes.

Naquela mesma noite Begin foi ao Teatro República na Rua Gomes Freire, onde hoje se encontra a TV-E, onde por quase 3 horas prendeu a atenção do público, ele que foi um dos maiores oradores de Israel.

Em um de seus últimos discursos, Ariel Sharon lembrou que para os judeus etíopes ele era um Moisés, que os trouxe para a Terra Prometida. Mas Beguin mesmo queria ser lembrado como o homem que evitou a guerra civil em Israel, ao ordenar que o Irgun não reagisse contra a Haganá no lamentável ataque ao Altalena, ao largo da praia de Tel-Aviv.

– “O que você fez? A voz do sangue de seu irmão grita por mim debaixo da terra.”

Navio do Irgun, em 1948 trazia armas vitais para o nascente Estado de Israel. Mas Ben Gurion não pensava assim. Temia que Begin pudesse tomar o poder. Ordenou que o navio fosse bombardeado. Qual Caim, levantando a mão contra Abel, o gesto novamente se repetia, pela primeira vez em milhares de anos.

Beguin tomou inúmeras decisões corajosas, e por elas será sempre lembrado, como a ordem para bombardear o reator nuclear no Iraque, um fantasma que hoje reaparece pelo ódio dos aiatolás.

E o que não dizer da paz com o Egito? Não foi uma simples coincidência que Begin tenha firmado a paz com Sadat. Já estava previsto que isso aconteceria, e Begin foi seu instrumento. Já antes de existir o Estado de Israel, o Hino do Betar na década de 30 falava em viver juntos e em paz:

“Ben arav, ben natzeret u bni” , o filho do árabe, o filho do cristão e o nosso.
Era a visão de Vladimir Jabotinsky, o pai espiritual e mentor do Herut e Likud, que preconizava um estado judeu em ambas as margens do Jordão, vivendo em paz com os demais habitantes.

Foram dois grandes líderes, Begin e Jabotinski, este prematuramente falecido em 1940, uma perda gigantesca para o judaísmo, impedindo q ue sua voz poderosa pudesse se levantar no combate ao nazismo.

Begin se salvou do Holocausto e preso pela NKVD, antecessora da KGB, amargou a prisão soviética na Sibéria, chegando à Palestina em 1942 como soldado do Exército Polonês do General Andres. Foi o “terrorista número 1” procurado pelos britânicos e nunca localizado, mas recebeu o Nobel da Paz. Inaugurou sua gestão concedendo cidadania israelense a refugiados vietnamitas recusados em outros lugares.

Begin esteve várias vezes no Brasil. Em uma delas, por volta de 1960, hospedou-se no Hotel Excelsior na Avenida Atlântica, Praia de Copacabana. Alguns membros do Betar do Rio de Janeiro foram escalados para manter um plantão no andar em que estava.

Lá pelas tantas Begin abriu a porta do apartamento, e um dos dirigentes apresentou aqueles meninos. A um deles o mefaked (chefe) informou a Beguin tratar-se de “Betari tov meod” (muito bom membro do Betar). Begin passou a mão na cabeça do garoto e sorriu, falando algumas palavras em idish.

O garoto sentiu nele o amor paternal, afinal Begin tinha quase a mesma idade que seu pai. Este episódio reflui a memória 40 anos depois, com a notícia do assassinato do general Rehavam Zeevi, ministro do Turismo, ao adentrar seu apartamento em um hotel de Jerusalém.

Beguin faleceu em 1992 com 79 anos, tendo renunciado em 1983, meses após o falecimento de sua esposa Aliza, levando uma vida reclusa em seu apartamento. Em uma rara entrevista, personificou o seu espírito público ao jamais mencionar “quando estive no Governo”, mas sim “quando servi ao Governo”.

Esse foi Beguin, o maior líder judeu do nosso tempo, cuja memória inspira os líderes de Israel, nos 70 Anos da Independência.

(*) membro do Betar Rio de Janeiro 1957-1965

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