COMPARTILHAR

Parece que na natureza humana, o poder e a força da autoridade corrompem. A certas pessoas, a função do poder lhes sobe a cabeça e consequentemente podem ser corrompidos para dar vantagens a certas pessoas próximas ou organzações. Isto pode ocorrer em qualquer parte do mundo e também em Israel. Infelizmente passou a época em que o 1° Ministro como Ben Gurion morava numa barraca no Kibutz Sdé Boker, ou Menachem Begin que vivia num apartamento humilde de 2 quartos em Tel Aviv e seu filho viajava em transporte coletivo.

O Estado de Israel devia ser uma exceção a regra e infelizmente parece que não é. O ex 1° Ministro, Ehud Olmert foi encarcerado por corrupção. Há muitos meses pairam sobre o 1° Ministro Benjamin Netanyahu nuvens negras ameaçadoras com acusações de corrupções. Seja em uso de verbas públicas para fins particulares, ou receber “presentes” em troca de favorecimento a pessoas próximas ou mesmo para favorecer jornal.

Neste caso Netanyahu dialogou com o dono do jornal Yediot Aharonot, que era de maior circulação no país, se parar de ataca-lo aliviará a competição que tem do jornal gratuito Israel Hayom. Este foi criado por seu amigo e protetor, o bilionário americano Sheldon Adelson e sua intenção é favorecer o Netanyahu, sem criticá-lo.

Outra acusação e talvez a mais trágica e inadmissível, é a possível corrupção – a maior de todas – envolvida na compra de submarinos e navios de guerra da estaleira alemã ThyssenKrupp para a Marinha israelense. Após meses de investigações, a polícia resolveu – tardiamente – convocar e questionar na 2ª-feira (10) os 6 principais suspeitos e ligados a estas compras. A suspeita é de corrupção , lavagem de dinheiro e fraude.

Entre os principais suspeitos está o advogado David Shimron, que intercedeu nesta compra de bilhões de euros. Shimron, além de ser primo de Netanyahu é seu maior confidente. É a ele que Netanyahu entrega a costura das coalizões de seus governos e aparece muitas vezes para falar pelo 1° Ministro. Outro suspeito é Miki Ganor, que pelo visto foi imposto a estaleira alemã para ser seu representante em Israel com a ajuda do general Eliezer Marom, o então Comandante da Marinha israelense (também suspeito), chutando o veterano representante da ThyssenKrupp, o Yesha’ayahu Bareket. Também envolvido na deposição, segundo a alegação, Avriel Bar Yossef, na época vice chefe do Conselho de Segurança Nacional e que Netanhau já nomeou para ser o chefe do C.S.N, apesar de estar envolvido em outra suspeita.

Todos os suspeitos estão envolvidos na compra adicional de 3 submarinos da última geração, no valor de 1.2 bilhões de euros e mais 4 barcos de guerra no valor de 400 milhões de euros adquiridos sem concurso público. Saliente-se que Israel fabrica e vende também no exterior barcos de guerra.

O então Ministro da Defesa de Israel, General Moshe Ya’alon (que também foi Chefe do Estado Maior) se opos a estas compras e confrontou o 1° Ministro, Netanyahu. Consequentemente, ele foi chutado para fora do governo e do seu partido, Likud. O seu lugar foi ocupado por outro rival do Netanyahu e que já foi do Likud, por Avigdor Lieberman, líder do Israel Beiteinu, só por motivos de coalizão.

Ya’alon alegou que além dos 6 submarinos já adquiridos, não há necessidade de outros. Além disso, ele diz que muitas coisas foram ocultas dele, apesar do posto que ocupava. Há muita coisa cheirando mal. Primeiro, para que comprar mais submarinos se já há suficientes? Segundo, para que comprar sem concorrência pública 4 barcos de guerra de um estaleiro que não os fabrica e tem que terceirizar o trabalho, fora o fato que Israel vende lanchas de guerra ao mundo.

Pior, a alegação de que há a necessidade destes barcos para defender os poços de extração de gas no Mar Mediterrâneo. Só que não há necessidade desta proteção. Após a descoberta dos poços, são colocados tubos em profundidade que não precisam de proteção, para conduzir o gas até as costas de Israel. Isto já é feito atualmente.

Só esta semana foi revelado algo que põe mais suspeita nesta transação. Em todo acordo de compra de material bélico sofisticado, Israel introduz um parágrafo de “exclusividade”. Isto é, a proibição de vender o mesmo material a países vizinhos, para manter a supremacia militar de Israel na região. O mesmo parágrafo estava na aquisição desses submarinos da estaleira alemã. Só que como revelado agora pelo ex Ministro da Fazenda, Yair Lapid, este tipo de submarino foi vendido ao Egito também.

O Ministro da Defesa então, Moshe Ya’alon mandou um enviado tirar satisfação e este voltou com a cópia de um documento em que Israel abre a mão da proibição, feito por Izhak Molcho, emissário especial do Netanyahu, seu confidente e sócio do David Shimron. Yair Lapid, líder do partido Yesh Atid e principal rival a Netanyahu, apresentou queixa a polícia e disse: “se alguém recebeu dinheiro por isto, já não é corrupção, é traição a pátria”.

Muitas perguntas, muito dinheiro e pelo visto pouca vergonha. Nada ainda foi julgado na justiça e ninguém foi condenado. Entretanto, as suspeitas são muitas, profundas, envolvendo figuras de altos escalões. Parece que só pelo que o Jânio Quadros chamava de “as forças ocultas” as investigações estão em morosidade e não explodem publicamente.

Desde o início das notícias de possíveis corrupções envolvendo Netanyahu, ele replicava acusando os meios de comunicação de “me perseguir e querendo me derrubar. Não vão achar nada, porque não houve nada”. Aos poucos parece que a corda está se fechando. Um outro ex aliado e ajudante do Netanyahu e que comandou o Conselho de Segurança Nacional, o Prof. Uzi Arad não aceita as alegações do ex patrão. Ontem (13) já ousou dizer que: “nunca falei a respeito, mas há outros fatos de corrupções além dessas que estão sendo investigadas”.

Ante o silêncio dos seus pares e sentindo as pressões Netanyahu – que não concede entrevistas aos meios de comunicação israelenses – foi para o contra ataque. Convocou os ministros e deputados do Likud e instrui-os a sair para a mídia e o que dizer. Ele alegou que “é uma campanha contra mim coordenada por elementos políticos e pela mídia, que querem me derrubar e ao Likud. Espalhem a verdade”. Só que os colegas não estão entusiasmados em defendê-lo desta vez.

NOVO CASO DE CORRUPÇÃO

Como se não bastasse as sombras de corrupção que pairam sobre Netanyahu, anteontem (12) o auditor do Estado publicou um relatório especial acusando o Premier de não ter relatado sua amizade e ligações a Shaul Elovitz, dono da maior companhia telefonica de Israel, Bezeq, linhas internacionais, celular, TV a cabo e até companhia de satelites.

Coincidentemente ou não, quando formou o novo governo Netanyahu fez questão de manter consigo o Ministério das Comunicações. Agora, talvez, está mais claro porque. Mais do que isto. Netanyahu assumindo, nomeou novo diretor geral para o Ministério das Comunicações, um ativista do Likud, Shlomo Filber, que coordenou o dia das eleições pelo partido.

Quando a justiça israelense exigiu do Netanyahu deixar as Comunicações, nomeou interinamente o deputado e fiel Zachi Hanegbi, 3 meses depois trocado pelo deputado Ayoob Kara, figura colorida e leal a Netanyahu. O auditor do Estado achou no gabinete do diretor geral, Shlomo Filber, documento que contêm a lista de assuntos ligados a Bezeq que estavam a cargo do Netanyahu, antes de ser declarados conflito de interesses.

O Auditor notou que as atividades de Filber coincidem aos interesses da Bezeq e renderam a Elovitz cerca de 500 milhões de dolares em devolução de impostos. As coisas vão se complicando, é uma tragédia para o país e só o futuro dirá se haverá punições.

TERREMOTO NA POLITICA ISRAELENSE E NO PARTIDO TRABALHISTA

Na última 2ª feira (10) um verdadeiro terremoto político ocorreu no Partido Trabalhista e consequentemente no quadro politico de Israel. Uma pessoa quase desconhecida filiou-se ao Partido Trabalhista há 6 meses e conquistou a liderança do partido. Seu nome: Avi Gabay.

O ex líder da bancada, Itzhak Herzog decidiu antecipar as eleições internas e com isso reeleger-se e sair fortalecido. Grave erro. Nove candidataram-se ao posto de líder, inclusive Avi Gabay. O partido parecia ter mais caciques do que índios. No final foram 5 maiores concorrentes e os 4 veteranos gozavam o Gabay por ser novato e seus zigue zagues políticos. Referiam-se a sua confissão numa entrevista há tempos, de que havia votado no Likud.

Ao fato que há 2 anos formou com um ex Likud e rival do Netanyahu, Moshe Kahlon o Partido Kulanu e tiveram relativa vitória. Netanyahu teve que engolir a seco e agrega-los com seus 10 deputados ao governo. Kahlon nomeado Ministro da Fazenda e Avi Gabay (não deputado) Ministro do Meio Ambiente. Após cerca de 1 ano, foi contrario ao arranjo da entrega da extração do gas a magnatas, deixou o governo e o partido.

No dia das eleições, a emoção foi muito grande e a reta final chegaram 2, o veterano deputado Amir Peretz, que já foi líder da bancada e Ministro da Defesa, deixou o partido desgostoso e acabou voltando e Avi Gabay. Herzog chegou em 3° e foi o maior perdedor. Preferiu dar seu apoio ao veterano Peretz que na disputa final obteve 48% contra 52% do vencedor, Avi Gabay.

O surpreendente resultado pode nos ensinar algumas lições. Que o relativamente jovem e não político, Avi Gabay foi preferido pelos jovens trabalhistas e aqueles que querem mudança, algo novo. O “velho” Amir Peretz representante do establishment e tendo o apoio da maioria dos 24 deputados do Partido Trabalhista foi posto de lado.

O Partido Trabalhista (Mapai, Ma’arach, Ha’avoda, etc) que foi dos pilares na fundação do Estado de Israel com Ben Gurion e outros, após a perda do governo em 1977 (para Begin), foi perdendo terreno, tornando-se hoje uma sombra do que era no passado.

Avi Gabay terá que usar todo o seu charme para convencer os eleitores votarem por ele e seu partido. No cenário nacional ele terá vários oponentes nos outros partidos e tem que rezar para que não os tenha dentro do seu próprio partido.

Como sempre a euforia da “revolução” tomou conta do “público” e nos censos imediatos e preliminares, o Partido Trabalhista ganha terreno para estar no 2° e ou 3° maior partido (depende do censo), perdendo para o Likud e igualando-se ao Yesh Atid de Yair Lapid. Até as eleições gerais muita água correrá pelo riacho Jordão e muita coisa poderá acontecer.

RELATO DE ATAQUE TERRORISTA NO MONTE DO TEMPLO

Hoje por volta da 7 hs da manhã 3 terroristas armados no Monte do Templo abriram fogo contra policiais israelenses, matando 2 e ferindo outros 2 e com a imediata ação de outros policiais acabaram sendo mortos.

Algumas indagações. Como é que eles obtiveram as submetralhadoras Karl Gustav e revolveres. De onde a ousadia de atirar em lugar sagrado , para os muçulmanos também e no dia de sexta feira, dia de reza nas mesquitas. Talvez a questão maior, quem fez a lavagem cerebral desses 3 jovens da mesma familia de árabe-israelenses de Umm al Fahem.

Israel que já encontra dificuldades com boa parte da mídia que tem sua tendência, até num dia dificil como este tem que enfrentar as notícias maldosas e mal intencionadas. Minutos depois deste bárbaro ataque, sabendo do que ocoreu e o final desta matança, a Al Jazeera, que tem representação em Jerusalém divulgou ao mundo (em inglês também): Pelo menos 3 palestinos foram mortos a tiros na Cidade Velha de Jerusalém”. Não mencionaram que foi consequencia de um ato terrorista contra israelenses. Após 40 minutos, talvez pressionada, a Al Jazeera divulga: “Israel alega que 3 palestinos foram mortos a tiros após abrirem fogo contra policiais na Cidade Velha de Jerusalém”.

Israel há muito tempo adia a decisão se fecha ou não o escritório da Al Jazeera em Israel, que propositadamente faz propaganda anti-israelense para prejudicar a imagem de Israel. Como o Emir de Qatar dono da emissora tem muito dinheiro, consegue expandir o seu desejo de demonizar Israel. Vale a pena lembrar que a Arabia Saudita, Jordânia e o Egito já fecharam a Al Jazeera em seus países.

CURTAS

FUTEBOLISTA BRASILEIRO DEIXA ISRAEL APÓS 8 ANOS. O zagueiro William Ribeiro Soares de 32 anos, jogou 8 anos e tornou-se bi-campeão nacional pela equipe de Hapoel Beer Sheva. Pelos criticos, foi dos melhores estrangeiros a jogar no país. William fala Hebraico e diz que tomou esta decisão com muita dificuldade. Foi após entender que estaria mais no banco de reserva do que no campo, onde gosta de pisotear a grama. De Israel só tem coisas boas a dizer. “É o melhor país no qual vivi. É um país bonito de gente calorosa, boas pessoas, tem mar e tem de tudo. Amigos me perguntam da situação e eu lhes digo, o que vocês vêm na TV é falso, aqui é um outro mundo. Gosto muito dos fans, gosto realmente de viver aqui, é como estar em casa”. Sobre o futuro diz, nunca se sabe. O bi-campeão vai ver se engaja numa outra equipe europeia e lhe desejamos boa sorte. Enquanto isto, na 4ª feira, Hapoel Beer Sheva disputou a 1ª partida contra a campeã hungara, Budapest Honvéd, batendo a por 2 a 1. Se vencer na próxima semana segue na luta europeia.

RONALD, FILHO DO RONALDO FENÔMENO NA MACABIADA. As competições da Macabiada não estão nas manchetes do noticiário esportivo daqui, apesar de ter alguns medalhistas olimpicos competindo de alguns países e de Israel. Quem tem mais interesse para nos é um jogador de futebol da seleção brasileira, o Ronald de 17 anos, filho do Ronaldo Fenômeno e que integra a seleção de futebol de até 18 anos. Ronald e sua mãe Milene – também jogadora de futebol e modelo – são sócios de A Hebraica de São Paulo, onde integra o time local e assim veio ver a Terra Santa.

RECORDE DE TURISTAS EM ISRAEL. Na primeira metade de 2017 entraram no país 1.740.000 turistas, aumento de 26% comparando a mesma época do ano passado. Os turistas que mais contribuiram para o aumento foram os da China (76%), Russia (30%) e dos EUA, país líder de turismo para Israel, que cresceu em mais de 20%. A maioria vem pelo ar, alguns vem por navios de cruzeiro e de prazer e somente 28.500 por via terrestre. Da Jordânia foram 24 mil e do Egito 4.5 mil, que não necessariamente são cidadãos destes países. Os turistas evidentemente ajudam a economia israelense e estima-se que em 6 meses, gastaram no país cerca de 9.4 bilhões de shekalim. (2.75 bilhões de dolares).

AEROPORTO DE BEN GURION. Pelo site turistico Travel and Leisure, o principal aeroporto internacional de Israel está na 8ª posição do mundo, mesmo que caiu 2 posições. Em 1° está o da Cingapura, seguido pelo do Qatar e depois o de Abu Dhabi. Na categoria das melhores cidades que vale a pena visitar na Africa e no Oriente Médio, Jerusalém está em 2° lugar, antecipada por Capetown na Africa do Sul.