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A última eleição veio para nos mostrar uma quebra total no espectro político tradicional.

Numa análise retrospectiva, as ruas já nos davam sinais do problema. As passeatas de 2013, que viraram notícia no mundo todo, já traziam um alerta do cansaço do brasileiro com os políticos e com a política local.

A lama da corrupção que o PT protagonizou, a falta de posicionamento do PSDB para se tornar uma oposição decisiva e o fisiologismo histórico do MDB estavam minando as esperanças do povo.

Já nas eleições de 2014 e na campanha do impeachment, os brasileiros foram polarizando e decidiram lidar com a política de um modo inédito.

Cada um se posicionava de forma emocional e quase irracional, escolhendo heróis ou vilões. Resolveram desprezar argumentos, biografias, capacidades e ética.

O debate de ideias desapareceu e as interações nas redes sociais foram se caracterizando pelo ódio mútuo e pelas Fake News.

Aliás, a TV perdeu seu protagonismo com o horário político e os debates, mostrando sua falência como mídia e demonstrando o alcance do mundo virtual.

Chegamos em 2018 com este quadro. O PT, através de Lula e de seu fantoche Fernando Haddad, ainda conseguiu manter sua posição de alternativa da esquerda, embora grandes estrelas do partido tenham sido escorraçadas pelos votos.

Do outro lado, um político intrinsicamente de extrema direita, Deputado Jair Bolsonaro, conseguiu criar um discurso muito, muito palatável para quem queria uma opção mais à direita.

Os dois lados foram sendo endeusados pelos eleitores e o país começou a mostrar uma rachadura nunca antes vista.

As discussões foram se transformando em ataques de raiva. Com exceção de pouquíssimas pessoas sensatas, o Facebook, o Instagram e outras formas de interação social foram sendo inundadas pelo ódio disseminado.

Foi assim que chegamos aqui. Um país dividido em dois lados tomados pela completa aversão do outro que não pensa igual.

Neste ambiente, partidos que não se posicionaram inabalavelmente como situação ou oposição acabaram se afundando. O maior exemplo desta debacle foi a perda importante de sua bancada nas casas legislativas.

Os bolsões de eleitores frequentes esqueceram a lealdade e migraram para candidatos que se posicionavam em alguma destas vertentes. Grande parte de políticos decentes e ativos em suas comunidades foram penalizados pelos votos emocionais e não racionais. Ficou um sabor de ingratidão.

Enquanto escrevo aqui, ainda não sabemos o resultado do segundo turno, mas já podemos perceber a petrificação das posições.

Espero, espero mesmo que o Brasil possa encontrar um caminho de reconciliação e diálogo, recuperando a racionalidade, para podermos ultrapassar os enormes desafios que estão diante de nós.

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