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Debate na Câmara dos Lordes, Inglaterra, 1915. Um dos membros pergunta a Chaim Weizmann: “Porque motivo vocês, Judeus, insistem na Palestina enquanto existem inúmeros países subdesenvolvidos onde poder-se-ia criar convenientemente vosso Lar Nacional?” Weizmann respondeu: “Porque Vs. Sria deslocou-se 20 milhas no último domingo para visitar sua mãe, quando há tantas velhinhas vivendo em sua própria rua?”

A imigração Judaica para a Terra de Israel sempre existiu. Abrahão chegou a ela há cerca de 4000 anos. Os Judeus exilados por Nabucodonozor retornaram com o édito de Ciro, há cerca de 2600 anos. Expulsos por Tito há dois mil anos, Sion e Jerusalém sempre estiveram presentes no ideário messiânico. Judeus voltaram a Sion e Jerusalém em todas as épocas – a massiva imigração de 1210, a Aliá dos 150 Rabinos, trouxe milhares de Judeus. Nova onda vem após as expulsões Européias (inglaterra em 1290, França em 1391, Áustria em 1421 e a Inquisição, iniciada em 1492). Nos séculos XVIII e XIX milhares de Kabalistas e Hassidim imigram para construir o sonho messiânico – porém, não se falava ainda em soberania Judaica sem a chegada do ansiado Messias.

Tudo começa a mudar em 1894. Neste ano um caso de espionagem abala o mundo e leva centenas de jornalistas a cobrir o “Julgamento do Século” em Paris. O Capitão Alfred Dreyfuss foi injustamente acusado de espionagem para a Alemanha. Baseado em documentos falsos (Le Bordereau) teve seus botões arrancados e sua espada quebrada em degradante cerimônia pública em Paris, antes de ser deportado para a prisão na Ilha do Diabo. Um dos jornalistas presentes, enviado pelo jornal Vienense Neue Freie Presse, era Theodor Herzl, um Judeu oriundo de uma proeminente família Judaica assimilada. Herzl era PhD em direito, ensaísta, autor e chegou a ser teatrólogo, área que abandonou cedo.

Imediatamente após a cerimônia de degradação de Dreyfuss, Paris irrompe numa onda anti-semita sem precedentes. A população sai às ruas gritando “Morte aos Judeus”, quebrando lojas e Sinagogas e agredindo fisicamente Judeus. Herzl é profundamente tocado por estes atos, que ele julgava impossível de ocorrer na evoluída e cultural sociedade Francesa. Sua vida muda neste dia.

Herzl volta abalado a seu hotel e dedica-se a redigir seus pensamentos, que se transformarão em seu famoso livro “O Estado Judaico” publicado em 02/1896 – imediatamente transformado em Best Seller mundial. Pouco antes ele publicou uma peça, “O Novo Gheto”, onde ele retrata a dificuldade de um jovem advogado e romancista Judeu assimilado que tenta entrar no mundo das artes e não consegue devido às restrições a Judeus.

Herzl se convence que o antissemitismo é intrínseco na sociedade Européia e que a única forma de autoafirmação aos Judeus se daria pelo abandono da Europa e a criação de uma pátria construída e governada por Judeus. Ele denomina suas idéias “Sionismo”., afirmando que os Judeus são uma nação à qual falta um território e um governo.

Herzl vai dedicar seus próximos anos à esta causa. Toda a fortuna de sua família e a herdada da família se sua esposa serão dedicadas integralmente a suas viagens para propagação de seu ideal. Herzl visitará Príncipes e Reis, Primeiro Ministros e Presidentes, Sultão e Imperador, Papa e Ministros religiosos mundo afora buscando apoio para a causa Sionista. Escreve artigos, faz discursos, cria a Organização Sionista Unificada para propagar suas idéias entre os Judeus.

A idéia de um Estado Judeu incendeia os Judeus mundo afora, com grande ênfase na Europa Oriental. Milhares aderem entusiasticamente à idéia e já em 1897 Herzl organiza na Basiléia, Suiça, o 1o. Congresso Mundial Judaico, totalmente custeado por ele. Mais tarde, entendendo a necessidade de compra de terras na então Palestina, cria o Fundo Nacional Judaico, Keren Kayemet Lelsrael por sugestão do Prof. Zvi Schapira, com suas famosas caixinhas azuis e o Livro de Ouro, que determinarão o futuro dos agrupamentos Judaicos em Israel. O KKL cuidará do estabelecimento das aldeias e cidades Judaicas e, mais tarde, do reflorestamento de Israel – o maior projeto ecológico do mundo, fazendo Israel o único país no mundo a entrar no Século XXI com mais árvores do que tinha no início do Sec XX.

Em 1898 ele visita Israel e se encontra na escola Mikve Israel (hoje, Holon) com O Czar Wilheim II. Em 1903, com o Primeiro Ministro Chamberlain (Inglaterra) é feito um acordo para criar o embrião de um Estado Judeu em El Arish, no Deserto de Sinai. Herzl se entusiasma porém Chamberlain muda de idéia e sugere criar o Estado Judeu em Uganda. Os Pogroms que começam a ocorrer na Russia mostram a premente necessidade de salvar Judeus sendo dizimados – mas os próprios Judeus Russos preferem morrer do que abdicar de Zion e Jerusalém. Herzl se reúne com o Papa Pio X pedindo sua intervenção a favor da criação de um Estado Judeu porém o Cardeal Rafael Merry del Val, assessor Papal, nega porque “já que os Judeus não aceitam a dívindade de Cristo, a Igreja não pode intervir a seu favor”.

Herzl falece em 07/1904, pobre porém um herói Judeu. Um dia antes de sua morte, ele escreve ao Reverendo William Herchle: “Por favor, saúde a Palestina por mim. Dei meu suor e meu sangue por meu povo”.

Seu livro “O Estado Judeu”, de 1896 termina com uma profecia:

…” Portanto, acredito que uma geração maravilhosa de judeus surgirá. Os Macabeus se levantarão novamente.
Permita-me repetir uma vez mais minhas palavras de abertura: os Judeus que desejam um Estado, o terão.
Nós viveremos finalmente como homens livres em nosso próprio solo e morreremos pacificamente em nossas próprias casas.
O mundo será libertado pela nossa liberdade, enriquecido pela nossa riqueza, engrandecido por nossa grandeza.
E tudo o que realizarmos lá, para nosso bem-estar, ecoará forte e beneficamente pelo bem da humanidade.”…

Os ideais de Herzl levaram à organização de diversos movimentos dentro do Sionismo Político. A Primeira Aliá, ainda antes dele, organizada pelos movimentos BILU e Hovevei Tzion trouxe a Israel grandes nomes como Eliezer Ben Yehuda (que reviveu o Hebraico, então lingua morta), Yechiel Pines, Vladimir Dubnow. Na Segunda Aliá, vieram grandes idealistas bem como fugitivos do antissemitismo Europeu. A construção de uma sociedade justa e igualitária estava em seus principais ideias. Foram eles que criaram o Kibutz (o primeiro, Degania, 1909). Alguns resolveram fundar novas cidades – Akiva Weiss por exemplo fundou Ahuzat Bait, que hoje se chama Tel Aviv. Foram eles que fundaram a primeira força de defesa Judaica, o Hashomer (sem relação com Hashomer Hatzair). Fundaram a central sindical Histadrut, instituiram escolas, organizaram vida comunitária e instituições políticas. Entre os membros da Segunda Aliá estão A.D. Gordon, Mania Schochat, Rachel Ben Tzvi, o Rabino Avraham Kook.

A Terceira Aliá (1919/23) foi a melhor sucedida de todas. Formada após a famosa Declaração Balfour e a Revolução Russa, trouxe pioneiros que fundaram dezenas de colônias agrícolas, fundaram a Haganá (embrião de Tzahal) A maioria dos fundadores do Estado de Israel chegaram nesta aliá – Golda Meir, David Ben Gurion, Ytzchak Sadé, Yossef Trumpeldor, Rabino Yeshayau Shapira, Zeev Jabotinsky, Henrieta Szold.

Creio que podemos dizer que o caso Dreyfuss, com sua notável conotação antissemita, foi o embrião do nascimento de Israel. Dreyfuss foi condenado de novo em seu segundo julgamento, sendo inocentado somente em 1906, graças aos esforços de Emile Zola, Anatole France e Theodor Herzl. E, para concluir, o verdadeiro traidor Francês foi o conde Coronel D’Esterhazy, exatamente a pessoa que escreveu o “Le Bordereau”, que incriminou Dreyfuss…

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