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Membro ilustre da sinagoga, o “Moré” é uma peça fundamental no equilíbrio da comunidade. Junto a sua querida esposa, a “Morá”, tomou a responsabilidade de refinar o “iidishkeit” e garantir um correto entendimento da “halacha” por parte dos que buscam cultura no universo judaico do Panamá.

Apesar de sua base solida no seio da colônia “sefaradi”, tem livre acesso aos “irmãos ashkenazim”. Esta liberdade deve-se ao fato de ser um Argentino autêntico representante de uma larga ascendência de “rabinos e frumers ashkenazim” do leste europeu. Isso é claro apoiado por uma honrosa liberdade econômica e laboral, frutos de seus anos de bons serviços prestados e uma administração sóbria que o liberta de compromissos com a sinagoga e lhe outorga fluidez e autonomia.

Professor incansável trabalha desde a madrugada até altas horas da noite durante seis dias da semana em sua vocação natural, com uma generosidade que só pode ser explicada por sua fé inquebrantável, crença na missão que veio a esse mundo e amor incondicional ao seu povo sagrado. No “shabat” não abandona seu publico de seguidores, ministra “shiurim” especiais que preenchem com muita cultura judaica e alegria este sagrado dia de descanso.

Ao aproximar-se o mês de “Elul, el ul…timo”, antes dos dias terríveis, onde somos todos julgados pelo Criador, quando ainda temos a oportunidade de tomar consciência para fazer as coisas certas, o mestre aumenta a intensidade nas dezenas de aulas buscando da melhor maneira que conhece ajudar as almas dos seus fieis alunos a conseguir redenção.

Os “shiurim” temáticos principiam algumas semanas antes dos fatos relevantes, datas importantes do calendário judaico. O “Moré” detalha e esmiúça o tema ensinando suas leis, regras e costumes. Impregna o ambiente com gostos e cores dos esperados momentos que estão por chegar. Suas predicas divertidas e bem elaboradas emanam sensações e experiências de vivencia.

Ao passar dos anos naturalmente o ciclo repete-se.

E como a audiência, apesar de fiel, é dinâmica, e possui uma media etária avançada, não se incomoda de ouvir novamente temas já estudados anteriormente. Essa recorrência ajuda a fortalecer conhecimentos dando aos ouvintes oportunidade de aprender e relembrar detalhes que não haviam sido captados.

Especificamente nessa época, quando precisamos receber uma descarga de maior consciência, ano após ano o “Moré” prende a atenção do seu publico com um comovente “mashal”:

– “Rabotai”, havia uma donzela, filha única de um grande bilionário. Já passava da idade de matrimonio, quando finalmente encontrou um bom pretendente, de boa família, porém sem condições financeiras. Isso não a incomodava, pois sua riqueza era tamanha que não precisaria da contribuição do seu jovem “bashecht”. Entregou para seu futuro esposo um cartão de credito ilimitado e assim o problema estava resolvido. Os preparativos para a boda foram providenciados e a festa aconteceu em grande estilo culminando na tradicional lua de mel. O jovem casal passou dias maravilhosos até que no decimo dia da lua de mel alegando uma desculpa qualquer o noivo saiu e não regressou… Passaram-se os dias e a noiva seguia desesperada esperando seu amor, mas nada do mal agradecido dar sinal de vida. O tempo passava sem noticias do esposo, somente as faturas do cartão de credito chegavam à mansão. A noiva pagou as primeiras contas na esperança do retorno do descarado, porem os meses transcorriam sem novidades. Ponderando a noiva decidiu seguir pagando as faturas, pois ao final era a única relação que restava e ultimo contato que ainda tinha com o seu querido. Depois de um ano da data do casamente a campainha da casa timbrou e o desaparecido estava a sua porta. Trazia flores nas mãos, fazia declarações de arrependimento, jurava promessas de amor e de fidelidade, iria ama-la, nunca mais iria abandona-la. Por dez dias estiveram juntos em uma linda lua de mel quando novamente com uma desculpa esfarrapada o noivo desaparece…

Nesse instante com os olhos cheios de lagrimas, mal segurando os soluços nosso “maestro” interrompe a narrativa e com a voz emocionada e chorosa pergunta a audiência que esta extasiada num misto de apreensão pela situação que nosso professor se encontra e de ansiedade em responder o que todos já sabemos que ele irá perguntar:

– “Rabotai”, quem é esse noivo senão nós, “Am Israel”.

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