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Recentemente abordei em meus estudos a conturbada relação entre Israel e Irã e como ela, historicamente, foi forjada de modo a chegarmos no ponto em que estamos. Israel e Irã não tinham entre si disputa territorial, econômica ou geopolítica. As áreas de influência de cada um sempre foram diferentes. Tanto é que mesmo depois da Revolução Iraniana de 1979, houve uma significativa cooperação entre israelenses e iranianos.

Até a década de 1990, o establishment de segurança de Israel não considerou o Irã como seu desafio de segurança predominante. Dois fatores, contudo, determinaram a mudança na percepção de periculosidade do Irã para os israelenses: o fim do inimigo comum – Saddam Hussein, no Iraque – e a ameaça nuclear iraniana.

Desde então, o Irã flerta com um conflito internacional mirando, principalmente, EUA e Israel com um discurso cínico de fins pacíficos para seu programa nuclear altamente perigoso para a região. Hoje estamos diante de uma escalada de tensão entre Irã, EUA e Israel: poucos dias depois que os dois primeiros quase declararam guerra, uma reunião única aconteceu em Jerusalém entre conselheiros de segurança nacional americanos, russos e israelenses.

O desenrolar dos fatos, deixou parecer que a reunião fora fruto da derrubada de um drone norte-americano pelo exército iraniano e supostamente estivesse lidando com a situação na Síria. Contudo, declarações do conselheiro de segurança dos EUA, John Bolton, e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deixaram claro que a ameaça iraniana a Israel era o principal item da agenda do encontro.

Duas declarações deram o tom e nos colocam o claro cenário de risco que – não só Israel – mas toda a comunidade internacional está sob as atividades terroristas de Teerã.

O líder israelense acusou o Irã de financiar movimentos terroristas palestinos e de fornecer apoio ao Hezbollah que, segundo Netanyahu, recebe armas sofisticadas e mísseis da República Islâmica. Mas, Bibi foi demasiadamente conciso nas atividades que relacionam Irã e o grupo terrorista Hezbollah: há uma intrínseca cooperação militar, inclusive de subordinação do exército iraniano a comandantes terroristas. Isso passa pela formação de redes transnacionais de narcotráfico com o objetivo de atacar alvos inimigos e financiar o grupo terrorista, inclusive aqui, na América do Sul.

O Irã, contudo, não conta apenas com o Hezbollah para atingir seus objetivos, existem hoje foguetes ultramodernos e outros sofisticados sistemas de armas à sua disposição, fabricados independentemente em vários países, incluindo a Síria e o Líbano.

Precisamos estar vigilantes: a Força Aérea de Israel realizou centenas de missões para evitar essas atividades e, no início de maio, bombardeou dois dos mirantes usados para fins de espionagem iraniana. Outras táticas contra o Irã são ataques cibernéticos que desativam sua rede militar e o aumento da cooperação entre os serviços de segurança americanos, israelenses e europeus. Este último levou, por exemplo, o Mossad a evitar, em parceria com o serviço secreto britânico, um ataque do Hezbollah em Londres.

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