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Na madrugada de 2ª-feira (25), as 05:19 am o alarme foi acionado na região de Kfar Saba. Segundos depois, ouvimos um estrondo. Uma casa no Moshav (comunidade) Mishmeret, a 30 km de Tel Aviv, foi atingida em cheio (a Folha de São Paulo, erroneamente publicou na manchete, que foi em Tel Aviv).

Felizmente, os residentes correram para abrigo, mas 5 foram levemente feridos, entre eles uma criança de 3 anos e uma de 18 meses. O missil foi lançado de Rafah a 120 km de distância. Israel responsabilizou a organização terrorista Hamas pelo atentado. Os dois lados entraram em prontidão e os líderes da Hamas se refugiaram. O Exército de Defesa de Israel fechou as passagens de Erez e Kerem Shalom, por onde Israel abastece a Faixa de Gaza. Ao mesmo tempo anunciou a redução da área de pesca até 2ª ordem.

Forças de TSAHAL foram transferidos para o sudeste, reforçar as tropas acantonadas ao redor da Faixa de Gaza. Entre elas, tanquistas, artilharia e paraquedistas. Foram recrutados reservistas das forças anti aéreas e do Serviço de Inteligência.

A imediata resposta do EDI foi achatar o edificio do gabinete do líder da Hamas, Ismail Hanie, um edificio de 3 andares que era quartel general secreto da Hamas e outro de 5 andares que serviu militarmente a organização. Era advertência. O fato de que não houveram baixas, nem feridos indica o uso por parte de Tsahal da técnica “hakesh ba’gag”, isto é “bater no telhado”. A advertência vem por meio de uma “bombinha” que não faz nenhum dano, mas adverte que este alvo será alvejado e é melhor sair.

Devido a tensão reinante na região, mais de 200.000 crianças e jovens israelenses tiveram que ficar em casa com seus pais, que não foram trabalhar, pela suspensão das aulas. Pelo menos 2 vezes foram declaradas, não oficialmente, cessar-fogo, que não foram respeitadas. O Hamas continuou lançar morteiros perto da fronteira e lançou baloes explosivos, para ter a última palavra. Não há dúvidas de quem dita os acontecimentos é Hamas que levanta ou abaixa as chamas e Israel apenas retalha.

Agora, já se fala que os intermediários egípcios conseguirão um tipo de cessar fogo. Quem pagará por tudo é o Estado de Israel. Continuará suprir Gaza de alimentos, combustível, eletricidade, mantimentos, trabalho, atendimento medico e ampliará a área de pesca, até que Hamas novamente fizer um atentado maior. Em contra partida, Hamas não tratou de devolver os restos mortais de 2 soldados israelenses para que tenham enterro decente.

Eles foram mortos há 5 anos. Não trataram da paralização do lançamento dos balões explosivos, nem das ações das “unidades de assédios noturnos”. Trata-se de nova moda. Jovens que chegam as cercas cobertos pela escuridão da noite e lançam pequenos explosivos (fogos de artifício e bombinhas de São João) que fazem barulho e perturbam os habitantes dos kibutzim e moshavim ao redor.

O Conselho dos Direitos Humanos da ONU, pode condenar Israel, mas quem vive esta terrível situação, não suporta tanto tempo de perturbações e ameaças. Exigem que o EDI aja e ponha fim a isto. Ninguem no mundo toleraria viver em situação semelhante.

As ações de Israel são moderadas. Com razão, não quer atingir civis e o Hamas se aproveita desta situação. No passado, Israel combatia forças armadas de outros países e sabia vencê-las. Contra terrorismo que se esconde atrás de civis a coisa torna-se mais complicada. Hamas usa principalmente jovens desempregados (mais de 60%) que são pagos para fazer distúrbios. Isto leva a dupla ação. A primeira, há constantes distúrbios e a segunda é que se os jovens são mortos ou feridos, servem ao Hamas na guerra midiatica, mostrando Israel como o demonio.

Amanhã, sábado, é o primeiro aniversário do inicio das manifestações da Hamas junto as cercas da fronteira com Israel. Hamas está convocando centenas de milhares de gazenses para sair até a fronteira e promover bagunça e tentar invadir o território israelense. Estas ações só podem ser contidas pela própria Hamas ou pelo exercito de Israel. Espera-se que o juizo prevaleça e que os gazenses que quiserem se manifestar o façam a 300 metros da cerca, como exige o exercito israelense, para evitar derramamento de sangue. Há outra probabilidade, o clima deve ser de vento e de chuvas que talvez esfriem os ânimos.

Faltam apenas 11 dias para as eleições gerais em Israel e ver se a relativa calma persistira e acompanhar e ver o que ocorrerá depois das eleições. Enquanto isto a rivalidade entre as facções palestinas da Autoridade Palestina e da Hamas só aumentam. O porta voz da Fatah na Faixa de Gaza, foi violentamente agredido e ferido por ativistas da Hamas. Em consequência, Mahmud Abbas declarou: “Hamas que fez um golpe em Gaza (há 13 anos), entrará no lixo da história. O povo palestino não perdoará Hamas por seus atos”.

ARMAZÉNS IRANIANOS NA SÍRIA BOMBARDEADOS

Para adicionar mais tensão à região, o ditador Assad, da Síria, que sobreviveu a guerra civil graças ao apoio da Russia e do Irã, continua dar liberdade de ação no seu território ao Irã. O Serviço de Inteligência de Israel trabalha arduamente para evitar o estabelecimento do Irã ou dos seus proxis na Síria. Nesta luta, Tsahal já agiu diversas vezes e destruiu carregamentos de misseis, ou mesmo de fabricas de material bélico iraniano na Síria.

Segundo o Centro Sírio de Observação dos Direitos Humanos, houve um ataque e armazens e fabrica de misseis do Irã, perto do aeroporto de Alepo, foram destruidos, 7 pessoas das forças armadas do Irã e das suas milicias foram mortos no ataque. Segundo o porta voz do CSODH:” o ataque destruiu totalmente os alvos. Ao contrário do que informa o exercito sírio, não houve tiro anti aéreo contra quem atacou, nem pelas forças sírias, nem iranianas. O Irã usa dependências civis para suas atividades militares”. Sabe-se que o Irã abastece o exército sírio com material bélico e que tenta fornecer misseis de alta precisão a Hizballah. Atividades que Israel abortou em tempo, diversas vêzes.

Desta vez, Israel não confirmou nem desmentiu o ataque. Ninguém divulgou que caças israelenses sobrevoaram a região vindos do espaço aéreo libanês. Isto pode sugerir que o ataque, seja lá quem o realizou, o fez de outra maneira

GOVERNO AMERICANO RECONHECE SOBERANIA DE ISRAEL NO GOLAN

Na 5ª-feira (21) o presidente Trump twitou: “já é hora, após 52 anos, que os EUA reconheçam a soberania de Israel na região do Golan. Esta região é criticamente importante nos aspectos de segurança e estrategicos, tanto para Israel, bem como para a estabilidade da região”. Já na 2ª-feira (25), ladeado pelo 1º ministro Netanyahu e outras autoridades americanas e israelenses, Trump assinou o ato do reconhecimento, que o planalto do Golan é israelense.

A Russia, logo após o Twiter do Trump, anunciou: “nunca reconheceremos a anexação do Golan à Israel”. Justamente a Russia se manifesta. Ela invadiu, sem ser ameaçada a Crimeia e a anexou, combateu na Georgia e outras regiões e despreza as leis internacionais. A Russia defende “seu cliente, a Síria” e como um ato de protesto, foi divulgado que transferirá os misseis anti aéreos S 300, que são sofisticados e operados pela Russia na Síria, às mãos do exercito sírio.

A Síria evidentemente protestou e a Hizballah já anunciou que só com força a Síria recuperará o Golã. O presidente Erdogan, que não perde oportunidade de criticar Israel também protestou. A EU disse que não aceita o reconhecimento americano. Os países árabes, como Emirados, Arabia Saudita outros protestaram, mas moderamente. Vale a pena ressaltar que durante anos, a Síria e Israel negociaram um acordo- ainda com Assad pai.

Na Guerra do Yom Kipur, a Síria surpreendeu Israel e reconquistou quase todo o planalto do Golan, com grande ameaça de invadir a Galileia. Só em duras batalhas, o exército israelense conseguiu parar o avanço sírio e num contra ataque reconquistou a região toda e ainda conquistou um enclave na área de Mazrat Beit Jinn, a 40 km de Damasco. Com os acordos de 1974, o enclave foi devolvido a Síria.

Negociações e quase acertos entre os 2 países prosseguiram até setembro de 2010. Netanyahu esteve disposto a se retirar do Golan, com a condição de se desconectar do Irã. Com o inicio da carnificina na Síria em 2011, o massacre de sírios pelos sírios, não há pessoa racional que pense que Israel deve se retirar do Golã. O Planalto do Golã tem uma extensão de 1.800 km², dos quais 1.200 km² foram anexados por Israel em 1981. Vários rios correm na região e abastecem 1/3 das águas do Kineret.

CURTAS:

RAFI EITAN FALECEU aos 92 anos, no último sábado (26). Nasceu no Kibutz Ein Harod, foi um dos fundadores da comunidade da Inteligência de Israel e serviu no Palmach, Shabak (quando ainda era Shin Bet) e no Mossad. Foi o comandante da equipe da “Operação Finale”, que capturou o carrasco nazista Adolf Eichman na Argentina. Ele o reconheceu pelas cicatrizes que sabiam que tem. Quando o capturou, Rafi cantou a canção dos partizans “Estamos aqui” (Anachnu Kan). Lamentou não ter capturado Mengele, que fugiu depois da publicação da captura de Eichman. Depois de dezenas de anos no Shabak e no Mossad, entrou na politica e foi deputado pelo partido dos Aposentados.

O PILOTO HEROI MICHEL BACOS morreu na 3ª-feira (26) aos 95 anos. O capitão francês do voo da Air France 139,de Paris a Tel Aviv, que foi sequestrado por terroristas e desviado para Entebe, em 1976. Os terroristas separaram os israelenses dos demais passageiros que depois os libertaram. O capitão Bacos insistiu em permanecer com os israelenses e ele lidava por eles com os sequestradores. Forças israelenses foram enviados para Uganda e libertaram os sequestrados. O capitão Bacos voltou a pilotar depois de 15 dias de “recupeação” e fez questão que seu primeiro voo fosse a Tel Aviv. Manteve contato com Israel e vinha anualmente ao aniversário da morte do Tenente-Coronel Yoni Netanyahu, que morreu no resgate dos sequestrados. Por seu heroísmo recebeu a mais alta condecoração civil francesa e israelense.

O HORÁRIO DE VERÃO entrou em vigor as 2:00 da madrugada de hoje e permanecerá até o dia 27/10. Neste tempo o fuso horário entre Israel e o Brasil será de 6 horas. Apesar da entrada do horário de verão Israel está florido e a previsão do tempo é de frio e chuvas.

ISRAEL DERROTA A AUSTRIA. Em meio a tantas ocorrencias na região, pelo menos esta felicitou a população israelense, independentemente da religião, sexo, preferência politica, etc.. No domingo (24) a seleção nacional jogou pela qualificação da Copa Euro contra a seleção da Austria. Dias antes, Israel empatou com a Slovenia por 1 gol. Este jogo já foi melhor e a seleção azul e branco venceu a da Austria por 4X2, com 3 gols do craque Zehavi, que joga na China. Aliás, o treinador da seleção israelense é o austríaco Andy Herzog, que jogou pela sua seleção austríaca 103 vezes. A seleção israelense é um microcosmos da sociedade israelense, tem 3 futebolistas árabes, 1 circassiano, 1 judeu de origem etíope e tem ashkenazitas e sefaraditas.

MCDONALD’S COMPROU A ISRAELENSE DYNAMIC YIELD. A gigante americana comprou esta empresa que lida com inteligência artificial. Assim aprende os gostos dos clientes e lhes oferece cardápio personalizado. O valor da aquisição foi de 300 milhões de dolares.

SAIBA QUEM SÃO OS PRINCIPAIS PARTIDOS QUE QUEREM O VOTO

As eleições estão se aproximando. Aos leitores que não estão familiarizados com os partidos politicos de Israel, que concorrem as eleições de 9 de abril, aí vai um apanhado geral. Não procurem muito saber de suas ideologias, pois elas somem no meio as recíprocas acusações pessoais, que é uma grande pena.

  • LIKUD – partido governamental da direita, liderado pelo premier Benjamin Netanyahu, há 10 anos.
  • KACHOL-LAVAN (Azul-Branco) – Novo partido de coligação de partidos do Centro. Fusão entre o Yesh Atid (há futuro) de Yair Lapid e Hossen LeIsrael Resiliência para Israel) de 3 ex Comandantes das Forças Armadas, Gantz, Bogi e Ashkenazi.
  • HÁ’AVODA (Trabalhista) – de centro-esquerda, sob a liderança de Avi Gabay.
  • ICHUD HAYAMIN (Coalizão da Direita) – Como o próprio nome diz é a fusão (temporária) do Partido Nacional Religioso (ex Mafdal) com seguidores do radical Kahana.
  • YAHADUT HATORÁ (Judaísmo pela Torá) – Partido hassidico ashkenazita, está na coalizão governamental e lá quer ficar, é liderado por Yaakov Litzman. Não abre mão em assuntos religiosos.
  • ZEHUT (Identidade) – Tende mais a direita, pois seu líder é Moshe Feiglin, que já foi do Likud. Apesar de ser religioso, ele é pela legalização do cannabis. Disse poder fazer parte de governo que não seja liderado pelo Likud.
  • MERETZ – Talvez o único partido que é identificado com a esquerda. Tem deputados judeus e árabes, tem também posições muito liberais.
  • HAYAMIN HACHADASH (A Nova Direita) – Faz parte da coalizão governamental apesar de que seu líder, Naftali Bennett, critica o Netanyahu. Até há pouco tempo foi o líder do Habait Hayehudi, que ajudou a formar.
  • TAAL´CHADASH (Partido de coalizão árabe com o PC) – Seus líderes são Ahmad Tibi, ex conselheiro do Arafat e Ayman Odeh, lider do Partido Comunista Israelense.
  • SHAS (Partido religioso sefaradita) – cada vez mais radical, liderado por Ariye Deri e está perdendo força. Já foi partido de 17 deputados e conta atualmente com 5.
  • ISRAEL BEITEINU (Israel nosso Lar) – liderado por Avigdor Lieberman. Foi criado para dar abrigo partidário a imigrantes da ex URSS, é de tendência direitista, mas…
  • GESHER (Ponte) – fundada pela ex deputada do Israel Beiteinu e filha do ex ministro pelo Likud, David Levi. Muito ativa nos assuntos dos menos favorecidos. Pelo visto não passara a barreira.
  • RAAM-BALAD (Partido árabe) – Tem 4 deputados atualmente. É de ideologia radical anti israelense, tem 1 deputado- Azmi Bishara- que fugiu para Qatar antes de ser preso por traição e outro na cadeia. Depois da cissão da Lista Arabe Unida, parece que não entrará no próximo Knesset.
  • KULANU (Todos nos) – do atual Ministro da Fazenda Moshe Kachlon, ex Ministro pelo Likud. Nos últimos censos não alcança o mínimo para entrar no Knesset.

Além desses há mais 30, como o Partido dos Piratas, Simplesmente Amor, Iguais, Eu e Você, Partido dos Aposentados, A Esperança pela Mudança, Educação, O Bloco Bíblico, Justiça Social, Justiça para Todos, Brit Olam e outros.

É como diz a piada onde tem um judeu, há 2 sinagogas. Numa ele nunca entrará. O problema é que com muitos partidos para integrar uma coalizão, cada um puxa para o seu lado e a “chantagem” é maior. O atual governo é liderado pelo Likud que obteve 30 deputados dos 120 no Knesset (25%).

Nem sempre o maior partido consegue fazer coalizão. A deputada Tsipi Livni, do Kadima (Avante) obteve mais votos que o Likud em 2009, mas não conseguiu formar coalizão governamental. Atualmente pelos censos de opinião pública, o partido Kachol Lavan do Gantz receberia 33 cadeiras contra o Likud com cerca de 28 cadeiras.

No entanto, parece que não conseguiria formar um governo, pois há mais partidos de orientação direitista. Mas, politica é cheia de interesses. Que vença aquele que fará o melhor por Israel.

O censo de opinião pública, publicado no Israel Hayom, 29.3.2019, dá 32 a Kachol Lavan, 28 a Likud, 8 ao P.Trabalhista, 6 a Hayamin Hachadash, Meretz, P. árabe, Yahadut Hatorá, Ichud Hayamin, Zehut, Shas e 5 deputados a Kulanu e ao Israel Beiteinu. Os pequenos partidos decidirão quem governará.

BEM VINDO PRESIDENTE BOLSONARO A ISRAEL, A TERRA SANTA

O Presidente Jair Messias Bolsonaro do Brasil chegará no domingo (31) a Israel, numa visita histórica de 4 dias. O presidente encabeça uma comitiva de ministros, politicos e cerca de 40 homens de negócios. Será recebido pelo Primeiro Ministro Netanyahu, Presidente Rivlin e outras altas autoridades. Terá um encontro com israelenses de origem brasileira, na cidade de Raanana, na quarta feira bem cedo de manhã. Boa estadia a toda a delegação. A Capital, Yerushlaim já está festiva com bandeiras das 2 nações amigas hasteadas nas ruas da cidade.

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