COMPARTILHAR

por Deborah Srour – Numa entrevista para a Fox News esta semana, o general americano Jack Keane afirmou que estamos a alguns meses de outro ataque terrorista nos Estados Unidos, perpetrado desta vez pelo grupo ISIS ou Estado Islamico do Iraque e Síria. Outro filhote da Al-Qaeda. Cinco anos depois de sua aplaudida apresentação no Cairo, a visão do Presidente Obama é desnudada revelando sua profunda ignorância, arrogância e no mínimo, ingenuidade. É isso o que acontece quando um amador inexperiente é posto no leme do país mais poderoso do mundo.

Parece que foi ontem que o presidente declarava que tinha vindo “procurar um novo começo entre os muçulmanos e a América”. Foi há apenas 5 anos atrás. Neste pouco tempo Obama conseguiu destruir as relações dos Estados Unidos com todos os países do Oriente Médio e arremessar a região no caos. Os que Obama tentou apaziguar perderam todo o respeito e seus aliados perderam toda a confiança na America. E de acordo com uma pesquisa de opinião feita por não outro que o New York Times e a CBS publicada nesta semana, a maioria dos americanos, incluindo democratas do seu partido, perdeu a fé na capacidade do presidente de liderar o país especialmente na política exterior. E para isso, ele recebeu o Prêmio Nobel da Paz!

Seus discursos vazios em conteúdo mas repletos de frases pretensiosas acenderam a esperança dos grupos radicais que acolheram com alegria suas declarações que o “islamismo é parte da América” e que “nenhum país pode impor seu sistema a outro”; ridicularizando governos que “banem algumas roupas que as muçulmanas devem vestir”, comparando as reclamações palestinas com a luta dos escravos americanos e exigindo a suspensão de toda a construção por judeus na Judéia, Samária e Jerusalem.

Citando o al-Corão, ele pediu desculpas ao Irã por um golpe de estado em 1953, prometeu fechar a prisão de Guantanamo e estabeleceu um prazo para retirar as tropas americanas do Iraque e do Afeganistão sem consultar os governos locais. Na época, estas declarações causaram trepidação na Arábia Saudita e no resto do Golfo Árabe, mas o dano parecia restrito à pessoa de Obama, visto desde então como alguém frívolo e ingênuo. As frases de efeito mas sem qualquer plano de ação concreto, sem coordenação com líderes locais e sem consultação com peritos sobre as consequencias de tal retórica, fizeram da política externa dos Estados Unidos uma zombaria generalizada.

O consenso agora é que os interesses estratégicos americanos estão seriamente danificados, e uma reforma geral é imperativa para restaurar alguma forma de intimidação destes radicais islâmicos e os estados que os patrocinam. O fracasso da diplomacia Obama está chegando no seu ápice no Iraque, mas suas perdas estratégicas começaram já no Egito. A visita de Kerry esta semana ao Cairo foi uma humiliação. Tendo tomado o lado dos islamistas e suspendida a ajuda ao Egito durante o governo interino do General Abdel Fattah al-Sisi, Kerry veio anunciar sem fanfarra, a retomada da ajuda americana.

Ao falar de suas idéias – da Universidade do Cairo para o mundo, Obama não entendeu que estava ajudando a derrubar um dos seus maiores aliados e que sua ideologia estava sendo interpretada como traição. Depois do maltrato sofrido por Obama, Mubarak se voltou para a Russia que agarrou esta oportunidade estratégica e lhe forneceu aviões com sistemas avançados e mísseis. A conclusão é que Obama não trouxe o Egito mais próximo da democracia, perdeu a confiança de seus líderes e lhe abriu as portas para a influência russa.

A falta de compreensão das leis do jogo do poder se repetiu na Síria. Desta vez, o que estava na reta não era influência e lealdade mas o cumprimento do prometido. Seria uma coisa para a América se declarar neutra na guerra civil da Síria e ficar quieto enquanto Bashar Assad gaseava seu povo. Mas prometer usar a força e depois agir como se não fosse com ele, provou que Obama não só não é páreo para o jogo mas não conhece nem mesmo as suas regras.

Esta conduta fortaleceu os bandidos do mundo mandando um recado poderoso: que daí para a frente, eles poderiam fazer o que quisessem. E foi isso exatamente o que aconteceu. O primeiro teste de Obama foi a Coreia do Norte quando ela fez um teste nuclear, uma semana antes do discurso no Cairo. A falta de resposta a uma provocação tão drástica foi registrada por todos através do mundo, do ex-presidente da Venezuela Hugo Chavez à Vladimir Putin, passando por Hu Jintao e Xi Jinping da China.

Se a política de Obama era a de exigir democracia, então porque não fazer a mesma exigência para a Arábia Saudia, Kuwait e Qatar? E se os manifestantes têm a simpatia do presidente para derrubar o governo, porque não apoiar a maioria shiita no Bahrain ou a oposição no Irã e na Siria? Sim, presidente Obama, o Oriente Médio é um lugar muito complicado e ninguém lhe pediu para simplifica-lo ou resolver todos os seus problemas. Mas o Sr. quis mostrar que sabe melhor o que é bom para os outros. Hoje, o funeral desta sua política pode ser assistido ao vivo no Iraque. Durante meses o exército americano avisou Obama do avanço do ISIS no Iraque recomendando que o grupo fosse exterminado com drones ainda nas montanhas. Obama se recusou. Agora que estão nas cidades vence-los será quase impossível.

25 Bilhões de dólares e quase 4.500 soldados americanos mortos para trazerem a democracia ao Iraque, tudo em vão. Estamos assistindo a emergência do primeiro estado al-Qaeda da história. Um estado que controlará uma das maiores fontes de petróleo do mundo. Obama não entendeu que soldados sunitas, mesmo vestindo uniformes do Estado do Iraque não iriam lutar contra insurgentes sunitas. Que o soldado shiita ao seu lado, é ainda seu inimigo. Que o Iraque, assim como a Síria e o Líbano, foram estados criados artificialmente juntando tribos inimigas e dividindo tribos aliadas para facilitar o controle das forças coloniais.

A América tem um só inimigo e não é um governo qualquer. É o islamismo radical. Governantes como Putin, Sisi, ou o Rei Abdullah da Arábia Saudita não são santos para com seus povos mas eles não alvejam a América. O Islamismo sim. Talvez, ao aceitar o novo presidente do Egito, Obama tenha começado a entender isso. E talvez, ao aceitar a resignação de Martin Indik como enviado especial para negociar a paz entre os palestinos e Israel, ele se tenha dado conta que exigir de Israel a evacuação de judeus da Judéia, Samária e Jerusalém, iria criar outro Iraq, ou outra Gaza.

Neste momento não há solução para o Oriente Médio. Para lidar com o que acontece a curto prazo já é preciso muita imaginação. Tentar faze-lo a longo prazo como Obama o quer, mostra que além de ingênuo, ignorante e arrogante, ele não tem qualquer imaginação.

Print Friendly, PDF & Email