por Diretoria da ASA – Associação Scholem Aleichem de Cultura e Recreação
O presidente da República Islâmica do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, cancelou a visita que faria a três países da América Latina (Brasil, Venezuela e Equador). Em nosso país, comandaria uma delegação de 110 empresários e membros do ministério iraniano. Mesmo na ausência do presidente iraniano, esta delegação já chegou para revitalizar trocas comerciais (que despencaram, em 2008, 38% em relação ao ano anterior). O Irã, ator de ponta no xadrez político do Oriente Médio, é o quarto maior exportador de petróleo do mundo e a Petrobras tem demonstrado interesse em ampliar sua atuação no país persa.
A visita do senhor Ahmadinejad aconteceria poucas semanas depois da Conferência de Revisão de Durban sobre Discriminação Racial, ocorrida em Genebra. Nela, o presidente iraniano, contrariando solicitação do secretário-geral da ONU, atacou com virulência o Estado de Israel, a quem acusou de racismo. Seguiram-se enérgicos protestos contra o discurso, inclusive, e com total clareza, da diplomacia brasileira. A polarização em torno deste incidente acabou esvaziando as repercussões da Conferência, que aprovou documento considerado, por especialistas, importante para a luta contra todas as formas de discriminação racial.
Negar total ou parcialmente o Holocausto e arengar pela eliminação do Estado de Israel têm sido obsessões do senhor Ahmadinejad. Estas bravatas odiosas despejam combustível na fogueira político-militar do Oriente Médio, ajudando a obstruir os já atolados caminhos para a paz na região. Além disso, deslocam as questões políticas para o terreno da demagogia e do preconceito. Repudiamos energicamente todas as tentativas de negar a História e de resolver a questão palestina através da eliminação física de Israel. Continuamos a defender a solução dois povos, dois estados como a única possível, a curto prazo, para cessar as hostilidades entre israelenses e palestinos.
Quanto à questão dos direitos humanos, não temos a menor simpatia por regimes que perseguem minorias e usam matriz religiosa para impor regras e punições e/ou definir direitos e deveres da cidadania. A separação entre religião e Estado é um marco civilizatório. Isso vale não apenas para o Irã. Regimes que defendem/praticam a tortura, mentem para “justificar” guerras, submetem seus povos à fome, ao desemprego, à censura e à falta de saúde e educação, são igualmente condenáveis.


























