Em preparação para o evento da troca de soldados israeleneses pelo terrorista Samir Kuntar que foi confirmado nesta manhã, estamos publicando uma reportagem publicada no Jornal Yediot e traduzida ao Português pela Embaixa de Israel em Brasília, bem como um breve “currículo” do terrorista Kuntar.
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Expostos os arquivos Kuntar
por Nir Gontarz – Yediot Aharonot
14 de Julho de 2008
Após quase 30 anos sendo confidencial, Arquivo No. 578/79 recebeu permissão para publicação: O testemunho do assassino, tiros contra as costas de Danny Haran e o golpe mortal desferido contra a cabeça da pequena Einat. Por quase 30 anos os arquivos de Samir Kuntar permaneceram nos arquivos do tribunal do distrito de Haifa. Seu conteúdo nunca foi autorizado para publicação. Até ontem. Pouco tempo antes de sua soltura em dois dias, o tribunal asquieceu à solicitação de Yediot Aharonot e permitiu que o depoimento de Kuntar, cópias das provas e outros depoimentos do caso, assom como o indiciamento e o veredito dos Juízes fossem divulgados.
Além do Departamento de Perdões, ninguém jamais teve acesso ao arquivo, que era considerado extremamente secreto pelos administradores do tribunal. Nas poucas ocasiões nas quais foi removido dos arquivos, foi feito sob a vigilância de uma autoridade de segurança armada. Sendo um arquivo de segurança máxima, os conteúdos do Arquivo N. 578/79 nunca foram publicados. Devido ao óbvio interesse público, o Magistrado Ron Shapira permitiu a publicação de todo o arquivo com exceção do testemunho de uma pessoa. O Juiz também solicitou a não-publicação dos relatórios patológicos ou qualquer outro detalhe que possa ofender a memória das vítimas.
“Não vi motivos para restringir o acesso à acusação e à sentença (como demandado pela promotoria pública – N.G.)” explicou o juiz. “Não há contestação a respeito da soltura de Kuntar e portanto as circunstâncias de sua detenção são assuntos de interesse público. Tenho certeza de que a Solicitação do jornal é justificada.”
Kuntar, um libanês druzo, tinha 17 anos de idade quando comandou a célula terrorista da Organização para Libertação da Palestina. O mesmo nunca expressou remorso algum por ter matado Einat (04 anos) e Danny (32 anos) Haran e o policial Eliyahu Shahar (24 anos). Ele e outro membro sobrevitente da célula, Ahmed Assad Abras, foram sentenciados a cinco prisões perpétuas e outros 47 anos de prisão. Durante o ataque terrorista a Nahariya em 22 de Abril de 1979, Yael Haran (02 anos de idade) também foi morta enquando escondia-se de terroristas com sua mãe Smadar Haran.
“Eu não matei”
Kuntar deveria apodrecer na cadeia até o dia de sua morte, mas se não houver atrasos na negociação com o Hezbollah, na manhã de Quarta-Feira ele dirá adeus aos seus conpanheiros da Cela 33, Ala 03 na Prisão de Hadarim, para ser levado até a passagem de fronteira de Rosh Hanikra e comemorar seu 46º aniversário em casa na vila de Aabey próxima ao aeroporto de Beirute. Na noite de 22 de Abril de 1979, Kuntar e seus cúmplices navegaram do Líbano em um bote de borracha e aportaram na praia de Nahariya. Eles dispararam contra um carro de polícia, matando o policial Eliyahu Shahar. Em seguida, invadiram o apartamento 61 da família Haran na Jabotinsky Street e arrastaram Danny e a menina de quatro anos de idade Einat para a praia. Smadar e a filhinha Yael de dois anos esconderam-se no sótão, onde Yael foi asfixiada enquanto sua mãe tentava aquietá-la para que os terroristas não as encontrassem.
Na praia, durante a troca de tiros com forças de segurança, Kuntar atirou pelas costas de Danny à queima roupa e também assassinou Einat. Dois dos membros de sua célula terroristas foram mortos; Kuntar e Abras sobreviveram e foram levados à julgamento. Imediatamente após sua captura, quando sua detenção foi extendida, Kuntar confessou que havia acertado Einat até a morte com a coronha de seu rifle. Entretanto depois quando depunha no tribunal, Kuntar negou as acusações. “Eu cheguei à praia de Nahariya às 02:30 da manhã,” ele testemunhou em 06 de Janeiro de 1980. “Amarramos nosso bote à uma pedra. Tínhamos instruções para evitar disparos, capturar os reféns e trazê-los para o Líbano.
Eu era o comandante da célula. Eu planejava tocar a campainha de uma das casas. Majeed e eu andamos em direção ao prédio. Disse a ele que tocasse a campainha, porque eu planejava falar Inglês com as pessoas em casa. Quando entramos, Majeed tocou a campainha de um dos apartamentos e Majeed falou com a mulher em Árabe e ela o respondeu em Hebraico. Ele cometeu um erro e ela não abriu a porta. “Então ouvi o som de um carro se aproximando e parando… Abri fogo e entramos em um dos apartamentos, de onde retiramos um homem e uma menina para que pudéssemos levá-los conosco. Eu decidi que levaríamos a menina conosco para assegurar nossas vidas e então devolvê-la do Líbano para Israel pela Cruz Vermelha.
“Enquanto estávamos com eles, tiros foram disparados contra nós… Atirei algumas vezes com a minha Kalashnikov e atingi uma pessoa que caiu ferida. Quando percebi que nosso bote havia sido atingido… tentamos escaper por terra do fogo em nossa direção… O Exército iniciou um ataque contra nós… Eu tentei pedir a eles que parassem de atirar em nós, porque nosso objetivo era levar os reféns para o Líbano. Mas eu não tinha um megafone… Fui atingido por cinco tiros. Então [Danny] Haran levantou e sinalizou para as forças armadas com suas mãos para que parassem de atirar. O mesmo foi alvejado com tiros disparados pelos soldados. As cinco balas me atingiram em pontos sensíveis, perdi muito sangue e desmaiei. Eu não soube o que acontecia até que acordei de manhã e me encontrei capturado pelos militares. Não feri a garota e não vi como ela encontrou sua morte.”
Entretanto, no tribunal, a testemunha de acusação no. 4 testemunhou que viu Danny Haran levantar e gritar, “Cessar fogo, não atirem! Minha garotinha está aqui.” Imediatamente após viu Danny ser morto por Kuntar. Testemunhos também dados ao tribunal por um médico deram a concluir que a morte de Einat foi causada por um golpe direto com um instrumento sem corte, como um bastão ou uma coronha de rifle.
Ato Satânico
As sessões no tribunal eram insuportáveis para Smadar Haran. Em uma dessas sessões, o advogado de defesa de Kuntar afirmou que havia sido espancado no centro de detenção. Smadar, que não poderia mais tolerar, murmurou algo para os assassinos, fazendo com que o juiz exigisse que ela se desculpasse. Smadar optou por deixar a sala de audiências em silêncio, mas recusou-se a pedir desculpas. A mãe do policial assassinado Eliyahu Shahar não compareceu à leitura da sentença em Janeiro de 1980. Seu coração parou de funcionar quatro dias antes. Todos aqueles presentes no tribunal acostumados a sua presença em todas as sessões, sentiram sua ausência. Smadar Haran estava com sua cabeça baixa e com sua dor. Kuntar, de acordo com o relatório no Yediot Aharonot na época, ficou perplexo.
“Kuntar foi até Einat Haran e atingiu sua cabeça duas vezes com a coronha de seu rifle, com a intenção de matá-la,” escreveram os juízes no veredito. “O outro acusado também atingiu sua cabeça com força. Como resultado dos golpes, Einat sofreu fraturas no crânio e danos letais ao cérebro, o que causaram a sua morte. Eles assassinaram os reféns – um pai indefeso e sua filhinha, a sangue frio.” Kuntar, que recebeu um título de bacharel em estudos sociais e humanidades enquanto na prisão israelense, foi classificado pelo Governo de Israel como moeda de troca no caso de Ron Arad. Isto aconteceu há quatro anos atrás, durante as negociações para retornar Elhanan Tannenbaum e os corpos de três soldados das Forças de Defesas de Israel que haviam sido seqüestrados no Monte Dov em 2000. Israel concordoi em soltar Kuntar somente em troca por informações a respeito de Ron. Nenhuma informação foi recebida e Kuntar permaneceu na cadeia.
Duas semanas atrás, Smadar Haran participou de uma coletiva de imprensa e deixou claro que está conformada com a negociação feita com o Hezbollah. Eldad Regev e Ehud Goldwasser serão devolvidos a Israel em troca da soltura de Kuntar. “Kuntar não é meu prisioneiro particular,” ela explicou. Aparentemente em dois dias o assassino de sua família será libertado e Israel ainda não terá informações confiáveis a respeito do destino do navegador capturado.





























