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O CIB vem a ser o Clube Israelita Brasileiro que se chamava Centro Israelita Brasileiro Bené Herzl. Mudou de nome para simplificar mas não se mudou da Rua Barata Ribeiro, 489.

A foto acima é emblemática de uma infância, de uma adolescência e de uma juventude absolutamente sadias que misturava a nós judeus com os meninos e as meninas não judias de Copacabana.

Assim aprendemos a viver e conviver. A atacar e a defender. A brigar, a apanhar e a bater. A amar e sermos amados. A vencer e a sermos derrotados e, de cada uma destas circunstâncias, tirarmos aprendizado para nossas vidas.

Pela primeira vez na história dos judeus no Brasil, um clube de judeus acabou campeão num certame estadual. Calhou de ser no voleibol de então.

Os meninos do CIB, todos com cerca de 16 anos em média, liderados pelo educador e técnico Paulo Matta, trouxeram o título anual de 1961 de voleibol do Rio para o CIB. Foi uma festa inesquecível. Os garotos eram bons de verdade e queriam a vitória e o título a qualquer custo.

Eu mesmo ajudei em diversas oportunidades, do alto dos meus 10, 11 anos de idade, sacudindo o juiz de muitos jogos em cima da cadeira alta na qual sentava, obedecendo as ordens nem sempre republicanas do meu ídolo Paulo Matta: “garoto, vai lá e sacode o juiz” ele mandava. E, quando a coisa ficava feia era eu quem desviava a atenção.

Esses garotos, todos 4, 5 ou 6 anos mais velhos do que eu, me tratavam com muito carinho e me apelidaram de Roninho Palavrão. Na verdade, ainda hoje, não dispenso um bom xingamento.

Foi importante para nós que fomos criados no CIB, aquela vitória que foi a primeira de muitas.

Afinal, os judeus que há menos de 20 anos haviam sucumbido no frio e no Holocausto da Europa, estavam na América do Sul, no calor do Brasil, disputando campeonatos através de seus filhos e netos e, para tristeza dos antissemitas, vencendo.

Fica aqui a homenagem de todos os judeus de minha geração, em nome de quem escrevo, aos grandes campeões juvenis de voleibol do Rio no ano de 1961 que nos ensinaram que a vida só tem valor quando sem medo nos entregamos de corpo e alma à busca de nossos objetivos.

A vocês todos, da esquerda para a direita, em pé: OSCAR BERGMAN, diretor de esportes, SAMUEL ADLER GELO E REPOUSO, médico, MURILO, roupeiro, ARNALDO JAGLE, CHAIM BURSZTJN, NEWSON FISHMANN, MILTON ELISEU COHN, OSWALDO OTERO, PAULO MATTA,técnico, VICTOR HASSON, presidente. Agachados: Raymundo, massagista, NATHAN SPERLING, ZICO FOGEL, VIDAL ALGRANTI, PEDRO STEIFF e HAROLD KRENGIEL, o nosso MUITO OBRIGADO por ter-nos aberto os olhos e os caminhos da vida saudável e vitoriosa.

Vida longa aos vencedores campeões do Rio no voleibol de 1961!

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