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Um presidente como é o Trump, até certo ponto tem uma vantagem, por ser atrapalhão, imprevisto, impulsivo e ninguém sabe como reagirá. Certamente Trump não é um presidente como foram, pelo menos os últimos que o precederam. Ele não veio do meio político, chutou em todos os modelos políticos e pelo visto é o presidente que representa o protesto público americano aos políticos.

Por ser imprevisto, pode ser temido e pode atrapalhar-se e destruir em vez de construir. Foi contra a mídia com o “fake news” (notícias falsas) ao contrário de outros que a abraçariam para te-los a seu favor. Demitiu pessoas próximas a ele e esta ameaça paira sobre seus mais leais fiéis. Ele não tem paciencia para leitura de longos textos e é por isso superficial nos seus conhecimentos.

Seu governo teve duas graves gafes em relação a Israel, que Trump chama de “nosso maior aliado é o Estado Judeu”. Na preparação da sua visita a Israel, que ocorrerá nas próximas 2ª e 3ª feira (22 e 23), funcionários do consulado americano em Jerusalém não queriam a compania dos funcionários do Ministério do Exterior israelense no Muro das Lamentações que segundo eles “não pertence a Israel e voces nada tem a ver com isso”.

Para não complicar mais a situação a ida de Trump ao Muro das Lamentações e o Santo Sepulcro é intitulada como visita particular e não oficial. Claro que estas declarações causaram mal estar em Israel. Mesmo as declarações esquisitas do conselheiro de segurança nacional, General McMaster de que “o Muro das Lamentações é uma questão política” e do Porta voz da Casa Branca, Sean Spicer que disse ser “o Muro Ocidental (Kotel) é um dos lugares mais santificados dos judeus e certamente está em Jerusalém”.

O meio político israelense foi pego de surpresa e políticos de todos os partidos sionistas contestaram as declarações dos americanos. Netanyahu disse que: “o Muro das Lamentações é o lugar mais sagrado dos judeus há 3.000 anos”. Quem endossou o premier israelense, foi a Nikki Haley, embaixadora dos EUA a ONU numa entrevista a Brody File disse: “Certamente o Muro das Lamentações é parte de Israel”.

A outra grande falha do Trump foi no seu encontro com o Ministro do Exterior e com o Embaixador russo em Washington, há 10 dias. Vazou para a imprensa americana que Trump informou os russos da informação super sigilosa da intenção do “estado islamico” (Daesh) de introduzir explosivos em computadores e faze-los explodir no ar. Segundo o Washingtom Post a informação veio de um aliado, mas o New York Times e a rede ABC revelaram que a fonte foi o serviço de Inteligencia israelense, que tem espião infiltrado no E.I.

Na gíria da Inteligencia isto pode levar a “queimar” o informante, que corre perigo de vida e pode ter levado anos para ser infiltrado e chegar ao posto que tem. Evidentemente que Israel pediu explicações ao governo americano. O interessante é que já em janeiro depois da posse de Trump, fontes da Inteligencia americana informaram os israelenses de que correriam o perigo da exposição de informações super sigilosas.

Por outro lado, por ser tão imprevesível, Trump parece capaz de tudo e dar confiança de que irá até o fim para conseguir o seu objetivo. Ao contrário do Obama que foi ao Cairo e tinha inimizade pela Arabia Saudita, Trump inicia a viagem pela Arabia Saudita. No momento este país goza de situação privilegiada, a Jordania e o Egito necessitam de seu dinheiro, países do Golfo Pérsico precisam de sua tutela militar, em Yemen suas tropas combatem as dos rebeldes apoiados pelo Irã. A Arabia Saudita quer aproximação, atras dos bastidores, com Israel que é potencia militar na região.

O Wall Street Journal publicou um plano de normalização parcial entre os países árabes e Israel. Esta se baseia em 3 elementos: permissão a homens de negócios israelenses abrir sucursais nos países do Golfo Persico; permitir a companhias aéreas israelenses de voar sobre seu território, rumo ao leste asiatico, encurtando o trajeto atual. Beneficiaria principalmente a El Al e instalar fones e meios de comunicação diretos entre as nações. Este é um plano reduzido a iniciativa árabe apresentada em 2002 pela Arabia Saudita, que exigia também a retirada israelese dos territórios ocupados em troca de normalização das relações entre árabes e Israel.

A Arabia Saudita e os árabes sabem que Trump se quiser, pode pressionar Israel, que por sua vez pode ser que acreditará que tem boa chance de conseguir acordo concreto sob a tutela americana. Sobre tudo isto paira a nuvem que cresce e escurece o horizonte de um possível (apesar de improvavel) impeachment do presidente americano, por falhas constitucionais e pelas supostas ligações com a Russia.

Trump será bajulado na Arabia Saudita. Ele estará entre ricos e participará de 3 convenções: com o rei Salman e os sauditas, depois com os líderes dos países do Golfo Pérsico e no final em reunião com lideres de mais de 50 países árabes muçulmanos. Com a Arabia Saudita assinarão acordos da venda de material bélico americano de 100 bilhões de dolares com possível aumento para 300 bilhões em alguns anos. Os sauditas também investirão 40 bilhões de dolares em infraestrutura nos EUA. Depois disso vem a Israel, cujo governo tem que levar em conta todos os partidos da coalizão. Ainda bem para ele, que da Terra Santa e suas complicações viajará ao Vaticano pedir paz espiritual ao Papa Francisco.

MINHA JERUSALÉM DE OURO

No dia 25 de maio será comemorado o Dia de Yerushalaim. Lembranças da minha Jerusalém começam em fins de 1968 quando cheguei a esta pequena e maravilhosa cidade, que para quem viveu em São Paulo parecia do tamanho de Taubaté. Levado por um parente já na entrada da cidade, vindo de Tel Aviv, senti minha pele arrepiar. Mesmo não sendo religioso, senti a santidade da cidade, era uma sensação diferente que nunca senti antes e depois em nenhum lugar. Vivi numa casa pré fabricada com outros 3 colegas, num conjunto de cerca de 15 casas da Universidade Hebraica, em Givat Hamivtar, colado ao Monte Scopus.

Naquela época usávamos onibus árabe que vinha de Nablus, via Ramallah, até o portão Nablus da cidade velha. Era mais rápido do que o onibus da Egged que vinha a cada 45 minutos. Jerusalém era pequena e todos se conheciam. Tinhamos vida agitada e feliz de universitarios. O Knesset ao lado, a cidade velha e o shuk (mercado) exótico e o Kotel (o Muro das Lamentações) a nosso dispor, sem falar no shuk Mahané Yehuda. Sentimos que vivemos a história.

Yerushalaim é a cidade para onde estão direcionadas todas as sinagogas do mundo, está mencionada na Bíblia centenas de vezes e em todo casamento judaico é reiterada a promessa de que jamais a esqueceremos. Talvez há cidades mais bonitas, mais charmosas e mais atraentes, mas não há como a singular Jerusalém.

Infelizmente com o passar do tempo, Yerushalaim teve mudanças. Cresceu demais, sua população mudou, os leigos a estão deixndo e ela não se sustenta sem ajuda governamental. Na semana que vem comemoramos o Cinquentenário da sua libertação, conquista e reunificação, mas ainda enfrenta muitos problemas.

Jerusalém foi fundada há 3.000 anos para ser a capital de Israel. Foi ali erguido o Templo do rei Salomão e depois de destruido, reconstruido o 2° Tamplo. Jerusalém foi atacada 52 vezes, sitiada 23, saqueada 39 vezes, destruida e reconstruida 3 Vezes, capturada e recapturada 44 vezes.

BASHAR ASSAD CONSTRUIU CREMATÓRIO NA PRISÃO

Quanto já se falou do ditador Bashar Assad, que superou de longe o seu pai o também cruel ditador da Síria, Hafez Assad, mas ele não para. Depois de quase ser deposto e estar na lona, com a ajuda da Russia de Putin que entrou ao lado do Irã e a Hizballah, agora Bashar se sente fortalecido. Não lhe bastou a destruição do seu próprio país e do seu povo, assassinando 500.000 sírios, ferindo milhões, criando milhões de refugiados e outros milhões de deslocados no seu próprio país.

Organizações de direitos humanos advertem há anos das atrocidades que seu exercito e aliados cometem e o mundo segue girando. Em fevereiro deste ano, a Amnesty publicou relatório das torturas, fome e enforcamentos que passam os presos na prisão de Sedayana a apenas 45 minutos de Damasco. A Amnesty acusou Assad de ter matado nesta prisão 13.000 pessoas, entre os anos de 2011 a 2015. Agora, fotos de satélites desvendam que na prisão, o oftamologista, também doutor em crueldade-Bashar Assad, construiu crematório para apagar vestígios dos horrores que ocorrem em Sedayana.

O encarregado do Oriente Médio no Departamento de Estado americano, Stuart James, acusou abertamente a Russia e o Irã de responsáveis pela tragédia que passa na Síria, por apoiar incondicionalmente o regime de Assad.

Para os judeus que sofreram na pele os horrores da II Guerra Mundial e para todos os homens e mulheres de bem, estas noticias não podem passar por cima, deviam nos alarmar e sair gritando para parar esta tragédia síria. Infelizmente, nos presenciamos que mesmo após as mortes em massa na antiga URSS, na China, Vietnã, Biafra, Cambodja, Ruanda, Darfur em Sudão e do jihadismo islamico, os países do mundo consciente não se unem para erradicar estas tragédias.

Mesmo que o Ministro da Habitação de Israel, Yoav Galant declarar que “é hora de eliminar Bashar Assad”, depois de tomar conhecimento do crematório, Israel está com as mãos atadas. Não pode fazer nada sozinha, pois o mundo cairia em cima de Israel, como o faz nos fóruns internacionais, perdendo a noção de quem é o mocinho e quem é o bandido. Já é hora de alguem botar fim nesta terrível matança.

CURTAS

CHEGOU A ISRAEL O NOVO EMBAIXADOR AMERICANO. Depois de nomeado e passado as sabatinas no Congresso americano, na última 2ª feira (15) desembarcou o Embaixador David Friedman. Em meio ao embate americano israelense sobre o Muro das Lamentações, o embaixador o ignorou e a primeira coisa que fez foi ir ao Kotel. Rezou e foi apresentar suas credenciais. David Friedman foi advogado dos negócios do Trump e é íntimo do novo presidente que o nomeou para representa-lo no Estado Judeu.

O CONJUNTO DE ROQUE AEROSMITH EM TEL AVIV. Apresentou-se a mais de 50.000 fãs que pularam e cantaram as melodias deste conjunto. O solista do conjunto Steven Tayler veio antecipadamente a Israel, para curtir o pais “que tanto amo”. Esteve em muitos lugares, entre outras no Mar Morto, em Jerusalém e no Muro das Lamentações. Foi justamente quando David Friedman lá rezou. Os dois se abraçaram e desejaram boa sorte nas suas atividades.

EMBAIXADOR ISRAELENSE AJUDA CRIANÇAS NIGERIANAS. O recém empossado embaixador de Israel a Nigéria, Guy Feldman, decidiu suspender a festa do Dia da Independencia de Israel e reinventer a verba destinada a favor de jovens nigerianos. Com jogadores de futebol nigerianos formaram uma Liga de Futebolistas Juvenis, que conseguiram fugir das mãos da organização terrorista Boko Haram. Comprou 225 camisetas, bolas de futebol e outro material, contrataram treinadores e juizes e iniciaram a liga em 3 campos de refugiados nigerianos.

INAUGURADO ACELERADOR DE PARTÍCULAS DO ORIENTE MÉDIO. Na terça (16) foi inaugurado um projeto promissor de cooperação regional, na Jordânia. Contando com dezenas de cientistas israelenses, palestinos, egípcios, turcos, jordanianos, cipriotas e iranianos deu a partida inicial o acelerador de partículas que serve cientistas na pesquisa da cura de câncer, purificaçaõ da água e melhora da saúde. Parte da verba veio do “irmão maior”, o CERN, da Suiça. Ante 25 cientistas e pesquisadores israelenses, o rei Abdullah II da Jordânia exortou “chega de terror, chega de guerras. A ciencia tem potencial de iluminar a região e trazer melhor vida a todos”. Publicamente e naturalmente os iranianos se esquivaram de contatos com os israelenses. Temem ser fotografados e depois acusados de serem traidores ou cooperadores com os sionistas.

MÉDICOS ISRAELENSES SALVAM ATÉ IRAQUIANOS. O fato de médicos e equipes de socorro israelenses atuarem no mundo todo já é conhecido. Também da ajuda médica que Israel extende a feridos sirios afetados pela guerra civil no seu país já se sabe. Mesmo da ajuda médica israelense a palestinos, até mesmo de Gaza, apesar do perigo já foi noticiado. A Organização Salve o Coração de Criança e “Irmanados” trazem crianças e jovens a Israel para aqui serem tratados, operados e salvos. Um exemplo que foi publicado é de Marwan, iraquiano de 9 anos, que no Hospital Wolfson em Holon, passou pela introdução de válvula Melody da Medtronic e salvo. Numa cooperação de cardiologistas israelenses de infantes com cardiologista da Deutsches Herzzentrum de Berlin. O problema maior da mãe do menino é a sua volta com o filho para o país que está em litígio com Israel. Por isso não querem publicidade ou fotos.

A FIFA APOIA POSIÇÃO DE ISRAEL. Os palestinos atuam contra Israel em todas as frentes, mesmo a esportiva. Na recente reunião dos 212 países membros da Fifa, no seu 67° Congresso em Manama no Baharein, o presidente da Federação Palestina de Futebol pediu para suspender Israel da organização. Sua alegação foi a de reconhecer oficialmente os direitos dos palestinos, que acarretaria com a suspensão de times dos territórios ocupados e de Israel. Jibril Rajoub também acusou Israel de cometer crimes de guerra. O presidente da Federação israelense, Ofer Eini acusou Rajoub de politizar uma organização esportista e que trata do futebol, “deixe a polírica para os políticos”. O pedido dos palestinos foi rejeitado por 138 contra 50. Para Israel esta é uma grande vitória, mas temporária até março que vem, quando voltarão ao assunto.

HÁ 40 ANOS, BEGIN FOI ESCOLHIDO PARA LIDERAR ISRAEL. O partido Trabalhista sempre liderou o movimento sionista, deixando pouco espaço para o Herut, partido da direita. Depois da criação do Estado de Israel, o Mapai (Trabalhista) tinha maioria e Ben Gurion zombava do Begin, sem nunca chama-lo pelo nome. Referindo-se ao líder do Herut (Liberdade), dizia “o deputado sentado a direita do deputado Bader”. Dezenove anos, o Partido Trabalhista dirigia o país e tinha ramificações em todas as áreas da vida israelense. A Guerra de Yom Kipur foi lhe atribuida como um fracasso. A retórica do carismatico Menhachem Begin que cruzou Israel de ponta a ponta e fez alianças com os liberais, levaram o locutor da TV estatal (a única, na época) anunciar: “MA’APACH” (Reviravolta). Muitos assustaram-se do que acontecerá no país, outros vibraram. Begin formou uma coalizão, incluiu até o herói da Guerra dos Seis Dias, Moshe Dayan, ex Trabalhista, melhorou a economia e fez a paz com o maior país árabe, o Egito. Há exatamente 40 anos a real democracia foi feita no país, na qual os partidos sabem que podem criar governos e eventualmente perde-los.