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Theodor Herzl escreveu que os vários povos se entendem com judeus por um tempo, mas depois voltam à velha inimizade.
Devemos ser cautelosos.

O presidente americano Trump adotou uma nova tática para tentar a solução do conflito dos palestinos atuais para com Israel: buscar entendimentos dos países árabes com Israel em primeiro lugar, aproveitando as circunstâncias do momento, de interesses dos vizinhos árabes de Israel, que precisam do Estado Judeu para enfrentar o perigo iraniano e até o perigo de sunitas do Estado Islâmico, pois estes se consideram um Califado único, destituindo as realezas.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos já mantêm entendimentos abertos com Israel, enviando representantes a Jerusalém para conversações sobre segurança. E o presidente Trump começou sua primeira visita exterior pela Arábia Saudita, país da família Saud, líder do mundo árabe sunita, pela sua situação, por lá se encontrar a cidade sagrada de Meca e pela sua liderança mundial na produção de petróleo. É uma nova abordagem.

Mas, fez adiar a transferência da embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém que prometera na campanha. Se os Estados árabes sunitas estarão dispostos a reconhecer Israel, isto é outra coisa. E a que custo para Israel pretendem fazê-lo, também é outra coisa. Israel será forçado a fazer concessões, aliás o único a fazer concessões. Os palestinos farão concessões? Fica a dúvida.

No tocante a Jerusalém, o russo Putin já reconheceu Jerusalém, ocidental, a nova, como capital do Estado de Israel. Deixou a Jerusalém oriental, a cidade velha, de fora. Estaria mancomunado com Trump, para abrir caminho? Putin governa com mão de ferro uma democracia totalitária, muito embora se observem oposicionistas na Rússia e movimentos contestatórios. Ou será que Putin quer sair na frente e colocar Trump numa saia justa? Mas Putin fará transferir a embaixada russa para Jerusalém?

Enquanto isso, continuam falando em dois estados, em cessar a ocupação israelense, o que fez a orientadora do Hillel, Márcia Kelner Polistchuk, a perguntar, de Israel, o que entendem judeus de fora ao falar de ocupação e de dois estados?

Temos insistido em esclarecer não existir ocupação por parte de Israel, que só quer ficar com o que é seu; veja-se que se desfez do Sinai, porque nunca o reivindicou, nunca dissera que era seu. Já mencionamos pronunciamentos do tribuno romano, de antes de Cristo, Cícero, que falou mal dos judeus, que eram diferentes, que tinham um Deus diferente. Dizia também Cícero que os judeus não se submetem, e vivem se revoltando, tentando se livrar dos romanos, revoltas de que não se falam, embora figure na Enciclopédia Judaica. Vejam o que dizia Cícero:

“Enquanto Jerusalém florescia e enquanto os judeus viviam pacificamente, suas cerimônias religiosa e seus rituais se opunham ao esplendor deste Império e à dignidade de nosso nome e às instituições de nossos ancestrais. E eles são os mais odiosos para nós, porque a nação deles se levantou em armas contra nós, mostrando seus sentimentos contra a nossa supremacia. Como eram queridos pelo seu deus imortal é mostrado por deixá-los serem derrotados, seus lucros foram transferidos para nós e eles reduzidos a um estado de submissão”. (do discurso Pro Flacco, 59 ac, em defesa de Flacco, Governador romano da Ásia, acusado de corrupção, tendo se apoderado da contribuição dos judeus do reino de Judá para o Templo de Jerusalém).

A situação é cômica para nós e serve de evidência da presença judaica na Judeia, da existência do Templo, destruído depois já no ano 70 da nossa era. Nós entendemos o que é corrupção e antissemitismo.

Em outro trecho, Cícero fala:

“A Justiça exige que nós sejamos contra essa bárbara superstição dos judeus, que é do interesse do estado, tendo em vista que turbas de judeus, de tempos em tempos irrompem contra nós (…) O povo judeu já se levantou em armas contra os romanos, mas os deuses mostraram como pouco cuidam desse povo, que acabaram derrotados e feitos submissos”. (bárbara superstição, naquele tempo, significava traição).

Depois, o historiador romano Tacitus, já no ano 100 da era atual, também lembra das revoltas contra os romanos. No seu Livro V – Historiae, capítulo nº 1, está escrito que Tito entrou na Judeia com seus exércitos e com “um forte contingente de árabes, que odeiam os judeus com todo o ódio que é comum entre os vizinhos;” (não eram muçulmanos naquele tempo, pois ainda não haviam surgido).

No capítulo nº 6, descreve os limites da Judeia: “Seus limites são, a leste com a Arábia; ao sul com o Egito, a oeste a Fenícia e o mar e ao norte o povo dispõe de grande parte dentro da Síria”. Quem é o ocupante então? A Fenícia não mais existe. Ainda Tacitus, no capítulo 8, diz que Jerusalém é a capital dos judeus; nela existia o Templo, dotado de grande riqueza. (texto de depois da destruição do Templo).

Mas o reino de Judá, ficou ocupado depois pelos bizantinos, depois pelos muçulmanos que derrotaram os deuses romanos. Já houve ocasião em que citamos o Tratado do Califa Omar, ou Umar, com o Patriarca de Jerusalém, Simphronius, onde figura escrito que nenhum judeu pode permanecer em Jerusalém. Portanto, os ocupantes são os outros, Israel só quer o que é seu. A Jordânia é parte do Israel ocupado. Nos tempos romanos e depois, Israel todo fazia parte do Lar Nacional Judaico aprovado pela Conferência de Paz de Versalhes, em 1919, e sacramentado pela Conferência de San Remo, de 1920.

Mas o ocupante inglês, autoproclamado mandatário, criou a Jordânia (Transjordânia, então) separando parte do território de Israel. E durante toda essa ocupação estrangeira, especialmente a muçulmana, muita gente entrou em Israel. Ainda em 1915, havia maioria judaica em Jerusalém, pois, no Império Turco, não se dava muito valor para a cidade, a cidade velha de Jerusalém.

Em 1948, quando países árabes, não os palestinos que não existiam, fizeram a guerra contra a independência de Israel, a Jordânia (ainda era Transjordânia) tomou Jerusalém velha e expulsou todos os judeus, um apartheid, do qual não se fala, e destruiu todas as sinagogas, do qual não se fala. Em Gaza não se admitem judeus, e essa gente que fala em apartheid, não protesta – só vale quando é contra Israel.

Nas áreas da Autoridade Palestina não se admitem judeus, um apartheid, do qual não se fala, mas se exige que Israel permita a existência de tal apartheid palestino, e ainda permita a entrada em seu território de mais árabes, além daqueles que já vivem em Israel, como cidadãos israelenses. O fato é que se toma a situação de 1948, quando a chamada Margem Ocidental, Gaza e o Golã eram ocupados por países árabes, e nunca se protestou.

Gaza nunca foi do Egito, o Golã nunca foi da Síria e a Margem Ocidental nunca foi da Jordânia, mas ficou valendo, mesmo sendo conquista de guerra. Não se invoca a Lei Internacional. Mas quando Israel retoma, aí a lei internacional serve para protestar. Aí vem os que odeiam os judeus, com apoio até de gente nossa, que nunca protestou contra a ocupação dos países vizinhos, mas comunga com a esquerda antissemita, e fala em ocupação e apartheid.

A OLP foi criada em 1964, antes da Guerra dos Seis Dias, por inspiração soviética para Nasser. Não se pode falar que a Guerra dos Seis Dias criou o problema palestino, porque a OLP foi criada antes. Coloquemos os fatos corretamente. Quando se fala na 4ª Convenção de Genebra, omite-se que as áreas em questão foram ocupadas por países vizinhos de Israel numa guerra que fizeram. Não se trata de ocupação, por Israel, em virtude da guerra dos Seis Dias, mas de reintegração. É lamentável que só se fala unilateralmente. Até Amos Oz, do Paz Agora, escreveu que a desocupação do Golã por Israel não vale, mas a ocupação anterior da Síria passa a valer porque ninguém protesta.

O fato é que há um conflito de civilizações. Para os árabes do lugar e muçulmanos o que interessa é a terra, o lugar, não pensam em fronteiras como o Ocidente, não pensam em território delimitado. Para os muçulmanos, uma vez conquistado um território, uma terra, é patrimônio islâmico perpétuo. Consideram-se superiores, como arianos, e todos devem se converter ou aceitar a proteção islâmica, pagando a taxa, a jyigia, para viver nas áreas que conquistam.

Quanto absurdo, quanta mentira, quanta covardia, quanto de safadeza. Ponham a mão na consciência, mesmo que tenham de desinfetá-la depois… A ocupação de partes de Israel é que existe.

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