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A batalha eleitoral foi das mais feias que aconteceram em Israel. Como no mundo moderno ocorre, o fake news trabalhou horas extras, a palavra “esquerdista” virou equivalente a inimigo do povo, quase igual a dizer “árabe”.

Os partidos xingavam um ao outro e infelizmente nada se ouviu dos programas futuros que eles planejam para o bem do povo. Cada partido queria – evidentemente – obter o quanto mais de votos, que é natural, mas no caso do Netanyahu, mesmo sugando votos de partidos similares da direita. O Primeiro Ministro teve 2 principais objetivos: que o Likud fosse o maior partido e assim ser chamado primeiro pelo Presidente do Estado de Israel, Rivlin, para tentar formar o novo governo e formar o maior bloco do Knesset, sem o Lieberman do Partido Israel Beiteinu, que aprove o seu governo. Falhou em ambos. Já contados mais de 99% dos votos, o Kachol-Lavan (Azul e Branco) tem 33 cadeiras contra os 31 do Likud e contando com o Lieberman e a Lista Árabe Conjunta, formam um bloco de 57, enquanto que o Likud forma um bloco de 55, da direita com os ultra ortodoxos.

Estas eleições, a um custo alto em verbas e paralização do Estado, eventualmente poderia ser evitada, caso o Netanyahu que obteve 35 cadeiras e após prorrogação não conseguiu formar novo governo, daria ao Presidente Rivlin o mandato para que seu rival do Kachol-Lavan, que também obteve 35 deputados, tentasse formar o governo. Preferiu dissolver o Knesset,fato que levou as recentes eleições.

Netanyahu está na luta pela sua sobrevivência política e pessoal. Tenta por todos os meios ser o líder do governo para passar a Lei da Imunidade, que o isentaria de explicar na corte as suspeitas de corrupção que tem. Ele acusou o Lieberman de ser esquerda, agora que necessita dele, o Likud já volta atrás, “porque você sempre foi da direita”. O mesmo foi com os árabe israelenses da Lista Árabe conjunta. Estes não são “amantes do Sion”. Em abril, lhes pediu ajuda para dissolver o Parlamento, com muitas promessas. Na presente corrida eleitoral, acusou-os de serem inimigos e querer o mal de Israel, apesar do partido ser formado por 4 legendas e que cerca de 17% da população de Israel são árabes.

Para tentar obter mais apoio, até infringiu a ambiguidade e revelou ataques que Israel realiza contra forças iranianas na Síria. Foi a Ucrânia obter votos do israelenses que vieram da antiga URSS e tentar sacá-los do Lieberman. Por isso foi até Sochi 5 dias antes das eleições tirar foto-op com Putin. Foi revelado que queria revidar a mísseis atirados de Gaza, com mais violência e foi contido pelos serviços da Segurança e pelo Procurador Geral do Estado. No último momento lançou mais um truque na forma de Aliança de Segurança com os EUA à qual o EDI se opõe. Segundo o exército isto obrigaria-os a informar antecipadamente os EUA de cada ação que promove. Outro coelho que Netanyahu, o mágico, tirou da cartola foi visitar Hebron, que só via por fotos há 3 décadas e informar que anexaria o Vale do Jordão. Todos, ou quem usa a cabeça, sabe que tudo isto era propaganda eleitoral gratuita a não ser cumprida.

Os vencedores e os perdedores:

  • Kacho-Lavan é o grande vencedor. Partido formado há alguns meses, já nas eleições de abril, 2019 surpreendeu obtendo 35 deputados. Liderado pelo ex Comandante do EDI, General Benny Gantz, é o maior partido de Israel, com bancada de 33 deputados. O partido gostaria de formar governo de coalizão com o Likud, sem o Netanyahu, que está sob suspeitas de corrupção e como Israel Beiteinu.
  • Lista Árabe Conjunta, é formada por 4 partidos, desde o PCI , passando pelo islão religioso e até os nacionalistas árabes anti religiosos. Foi formado há alguns anos quando decidiram no Knesset, elevar a porcentagem para ingressar na casa para 3.25%. Nas eleições de abril correram divididos e obtiveram 10 cadeiras. Nestas eleições tornaram-se o terceiro maior partido e se houver coalizão, este partido será o líder da oposição. É contrário ao Netanyahu e por isso, poderiam apoiar o Kachol Lavan por fora. Isto é indicá-lo para o Presidente Rivlin, mas não entraria no governo.
  • Israel Beiteinu sob a liderança de Lieberman, tinha 5 cadeiras e com seu antagonismo ao Netanyahu e aos ultra ortodoxos, quase dobrou a sua bancada, com 8 deputados. Desde o início queria coalizão do Kachol-Lavan com o Likud, sem os haredim, para que não chantageiam o governo.
  • Shas, partido ultra ortodoxo sefaradita, liderado por Arie Deri. Subiu de 8 para 9 deputados, mas se comprometeu a Netanyahu e pode se achar fora do governo.
  • Yahadut Hatorá, ultra ortodoxo, ficou com 8 deputados, é contrário ao alistamento militar e segue as instruções dos seus rabinos, que antecipam a do Estado. Votam uníssono aos indicados.

Entre os perdedores estão:

  • Likud liderado pelo atual Primeiro Ministro Netanyahu, que obteve bancada de 31 deputados. Entrou no páreo com união de 35, mais 4 do Kulanu e mais 3 do Zehut. Apesar de conquistar o segundo lugar, Netanyahu se segura nas cornetas do altar e age como se ele forma o próximo governo. Um dia após as eleições convocou os partidos da coalizão e os fez assinar compromisso de lhe apoiar. Enquanto que o Kachol-Lavan insiste em formar coalizão com o Likud sem o Netanyahu, os ultra ortodoxos, que estão com o Netanyahu, estão dispostos a coalizão com o K-L, sem o seu co-líder Lapid. Contra este não pesam suspeitas de corrupção, ele apenas exigiu a integração dos haredim, estudando Estudos Principais, como Matemática, Ciências, Inglês e que se alistem ao EDI.
  • Yamina. É o aliado natural do Likud, formado por 3 agremiações, que tinham 5 cadeiras e o Hayamim Hachadash com votos para ter 3 deputados, não alcançou o mínimo e ficou fora do Knesset. Obtiveram só 7 cadeiras, pelo árduo trabalho do Netanyahu de que os da direita votem no Likud para formar o próximo governo. A líder do Yamina, Ayelet Shaked, ex chefe de gabinete do Netanyahu até falou que é perseguição pessoal do Netanyahu e de sua esposa, à qual a Shaked não bajulava. Pela perseguição do Netanyahu ao Partido Ótima Yehudit, dos seguidores do Kahana, que o próprio Netanyahu antes quis que entrassem no Knesset e depois pensou que lhe tirariam eleitores e lutou contra, lhe saiu o tiro pela culatra. O seu líder Bem Gvir disse que se entrassem o Netanyahu teria suficiente apoio que não tem.
  • Haavoda Gesher. Pode parecer uma tragédia escrita por Shakespeare. O Há Avodá, um dos pilares da criação do Estado de Israel e por décadas o liderou, sob vários nomes como Mapai, Hamaarach, etc sofre nos últimos anos de golpes contra seus líderes e chegou a ser dizimada, até o perigo de não passar o mínimo para entrar no Parlamento israelense. Seu atual líder, Peretz juntou-se a Orly Levi Abekssis do Gesher pensando em aumentar a bancada. Tinha 6 deputados e quase 2 do Gesher e ficou somente com 6 deputados.

A festa da democracia no único país realmente democrático do Oriente Médio e dos poucos no mundo não é tão simples. Às urnas foram 69.4% dos eleitores (o voto não é obrigatório), que é significativo, mas o impasse persiste. O Netanyahu ficou surpreendido que o Gantz não lhe atende e este em contrapartida diz: “desde quando o perdedor convida o vencedor, é justamente o contrário”.

O 22º Knesset será empossado no dia 2 de outubro, que casualmente cai no dia em que o Netanyahu terá audição com o Procurador Geral do Estado, Amichai Mandelblit (foi seu secretário de Gabinete e nomeado para o atual posto), para decidir se vai ser julgado por corrupção. No domingo (22), o Presidente Rivlin começará a consulta com os representantes dos partidos, para saber a quem apoiam e aí decidirá a quem incumbir primeiro para formar um novo governo.

Agora todos se manifestam a favor de governo de coalizão, mas há apenas 1 semana, o Primeiro Ministro Netanyahu escreveu um artigo no jornal Israel Hayom que o apoia incondicionalmente, com o título “Não a Unidade do Povo”. Acusou o Kacho-Lavan receber apoio da Lista Árabe Conjunta, “que não são Sionistas”, como se os haredim que o apoiam o são. Todo o povo de Israel torce para que seja formado um bom governo, de união nacional e que leve o país em paz para frente e que não tenhamos que enfrentar novamente tanto ódio, mentiras e “lashon hará” (difamação).

Quem falou e quando. “Trata-se de um Primeiro Ministro que está afundado até o pescoço em investigações. Ele não tem mandato público e moral para decidir decisões tão fundamentais ao Estado de Israel. Há o perigo real de que ele decidirá decisões baseando-se em interesses pessoais para se manter politicamente e não sob o interesse nacional. Ele está numa angústia, tão funda… a coisa certa para se fazer, ele tem que renunciar e este governo ir para casa, devolver o mandato ao povo”. Isto foi dito em 2008, pelo então líder da oposição, Benjamin Netanyahu, em entrevista ao Dani Kushmaru do Canal 2, com respeito ao premier Ehud Olmert acusado de corrupção. Olmert, que foi da liderança do Likud e saiu com o então premier Ariel Sharon e o sucedeu no cargo. Esteve no auge em negociações com a Síria, e em 2009 , disse que devido às circunstâncias, renuncio. Foi julgado e serviu pena de prisão durante 18 meses.

IRÃ CONTINUA, SEM RECEIOS, AMEAÇAR O MUNDO

O presidente americano (“we’ll see what happens”) Trump, que ameaçava o Irã e lhe impôs sanções econômicas, repentinamente surpreendendo ao dizer que está disposto a encontrar-se com o presidente iraniano. Enquanto os iranianos continuam provocar o mundo e exportar terror para o Iraque, a Síria, a Arábia Saudita e outras partes do mundo e parecia que o único país que tenta contê-los, mesmo longe de suas fronteiras é o Estado de Israel.

Se o Trump pensou que isto vai acalmar o regime islâmico do Irã, é por pura falta de entender a mentalidade iraniana (e não só desta nação). O líder religioso do Irã, Khamenai, disse que não tem interesse em encontrar-se com o Trump, mesmo que cesse as sanções econômicas, que afetam muito a vida dos iranianos. Não somente que intensificaram o enriquecimento do urânio pondo as centrífugas trabalhar a todo vapor. No sábado passado passada refinarias da companhia petrolífera Aramco, em Abqaiq, na Arábia Saudita foram atacados. Com o fogo e a destruição ecológica a metade da produção local de 9.8 milhões de barris diários foi paralisada. É cerca de 5% da produção mundial.

No primeiro minuto acreditava-se que foram lançados cerca de 10 drones do Iêmen, onde tropas sauditas enfrentam os rebeldes houthis, sustentados pelo Irã, que causaram o enorme estrago. Com o passar do tempo e as descobertas forenses e outras, foi apurado que o Irã lançou mísseis de longo alcance e alguns drones e causou os incêndios. O Iêmen está mais ao sul e o ataque veio do noroeste, isto é, o Irã.

As autoridades iranianas negaram o fato e não só. Imediatamente partiram para o ataque. O Ministro do Exterior, Zarif, deu entrevista a imprensa e no seu polido inglês (como muitos estudou nos EUA) ameaçou de que se a América atacar o seu país será uma guerra total. O Ministro da Aeronáutica e Espacial, general Amir Ali Hajizadeh declarou que suas forças estão prontas para a guerra. “todos tem que saber que as bases e porta aviões americanos estão sob o alcance dos nossos mísseis”.

Quem tomou atitudes. Por incrível que pareça, ninguém moveu o dedo para conter o Irã, não a ONU, nem a União Europeia. Quem o fez foi a Federação Internacional de Judô, que suspendeu este país de competições, por não permitir que o ex campeão mundial no peso de até 81 kg. lutasse contra o judoca israelense. Agora, a FIFA depois de tomar conhecimento da morte da fã de futebol iraniana, que quis entrar de contrabando assistir jogo do seu time de coração e sendo mulher foi impedida. A FIFA exige que a Federação Iraniana de Futebol permita a entrada de mulheres aos estádios, senão pode ser suspensa.

NA TUNÍSIA CANDIDATO À PRESIDÊNCIA ESTÁ PRESO

Após adiamento das eleições presidenciais na Tunísia de novembro para domingo (15) último, ainda nada está definido. A chamada “Primavera Árabe” começou na Tunísia, em 2011 e estas seria a segunda vez que os eleitores foram votar. Contaram com um problema. O concorrente popular e magnata da imprensa tunisiana, Nabil Kharoui, de 56 anos está desde fins de agosto na prisão. Quem mandou aprisioná-lo é o atual Primeiro Ministro Kais Saied, também candidato à presidência.

A Tunísia é considerada a única democracia no mundo árabe, tem característica secular e isto é notado pois dos 26 candidatos a presidência. Estão 2 mulheres, um homosexual e até islamista “moderado”, coisas impensáveis em outros países árabes. Após a contagem das eleições de domingo, nenhum concorrente obteve maioria e vão ao segundo turno, o preso Nabil Kharoui e Kais Saied.

CURTAS:

ESCRITÓRIO COMERCIAL DE HONDURAS EM JERUSALÉM. Na corrida eleitoral a esposa do premier israelense, Sara Netanyahu disse com orgulho, que quando esteve na Guatemala encontrou-se com o presidente hondurenho, amigo de Israel e que ele virá a Israel inaugurar a Embaixada em Jerusalém. Em 30 de agosto, ele veio com a esposa e comitiva inaugurar, não embaixada, mas um escritório Comercial. Estiveram lá o premier Netanyahu e esposa e o Presidente hondurenho e esposa e convidados. No dia seguinte descobriu-se a realidade não eleitoral. No local funciona escritório de advocacia. Pediram-lhes ceder o local para a “abertura do Escritório Comercial de Honduras” e o cederam. Havia festa e fotos, mas no dia seguinte, tudo voltou atrás e os advogados foram reinstalados. Porta voz do Ministério das Relações Exteriores explicou que tudo foi provisório até a instalação final.

ISRAEL BRILHA NA GINÁSTICA ARTÍSTICA. No Campeonato Mundial da modalidade realizado esta semana em Baku, Azerbaijan, a seleção nacional de Israel obteve 5 medalhas e sagrou-se Vice Campeã, perdendo apenas para as ginastas da Rússia que tiveram 8 medalhas. A destacada foi a Linoy Ashram de Natania, “que está acima de todas, é a rainha da arena”. A seleção israelense teve reforços dos fãs israelenses, dos jornalistas que cobrem o campeonato, do público em geral e da Federação Internacional da modalidade. A Linoy conquistou 3 medalhas.

SELEÇÕES DE VETERANOS DO BRASIL E ISRAEL JOGARÃO PELA PAZ. Os futebolistas veteranos Ronaldinho, Bebeto, Kaká, Rivaldo, Emerson e Romário, entre outros craques mostrarão que ainda podem contra veteranos da seleção israelense, no Estádio em Haifa. A competição esportiva pela Paz será no dia 20 de outubro e vamos torcer para ter bom jogo e principalmente para ter SHALOM.

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