Mundo Insensato – por Herman Glanz

Ainda não se conseguiu estabelecer um mundo ético. Há quem diga que isso seria uma equalização global das pessoas. Depois da Segunda Guerra parecia que o mundo sofreria um amadurecimento, com as sociedades, os países, as ideologias e os políticos unidos em torno de um bem comum da sociedade. Mas o que vemos é a busca do bem comum do poder de cada um. Nada muda, apenas avança com a tecnologia, tornando o perigo ainda pior.

Nesse aspecto se situa o Estado de Israel, o eterno odiado, por se ter tornado o judeu das nações. O antijudaísmo tradicional consistia em negar ao indivíduo judeu iguais direitos na sociedade. O novo antijudaísmo, chamem-no de anti-sionismo, ou como queiram, consiste em negar ao povo judeu de existir com direitos iguais na família das nações. A séria ameaça que representa um Irã nuclear não importa ao mundo, sempre tentando ser apaziguador, pensando cada um em se defender por seu lado, esquecendo o alto preço de tal procedimento, como às vésperas da Segunda Guerra, quando as Grandes Potências se descartaram dos Sudetos e da então Tchecoslováquia. Agora, também, entre os gigantes se guerreando, Israel vive uma situação de perigo maior do que antes. Como se diria aqui, nunca antes houve um perigo tão assustador.

A recente Guerra na Geórgia não foi à toa. Estados Unidos, e dizem que Israel, tinham intenções de utilizar o flanco nordeste do Irã para destruir suas instalações nucleares. A Rússia, no seu embate contra os Estados Unidos, preparou a cena, instigou um conflito e, como se viu, estava preparada para intervir, pois o fez imediatamente. Voltou o perigo ao estágio anterior. E os movimentos pacifistas, tão ávidos em condenar Israel, permaneceram silenciosos com os ataques russos a populações civis.

Mas nada é impossível de se obter. Até a paz. Vendo os seus erros, americanos que reinavam soberanos se deram conta dos problemas. Todavia, o que representa Israel? O que é bom para os americanos não significa que é bom para Israel, nós sempre falamos. Os americanos também podem se descartar de Israel. Afinal, guerra é guerra. A trágica experiência da Segunda Guerra não pode ser esquecida.

Mas Israel é um país com os problemas, virtudes e defeitos como qualquer outro. Cesse tudo o que a antiga musa canta que outro poder mais alto se alevanta: no momento, o que importa são as eleições dentro do partido do governo. Tudo indica que a Ministra do Exterior, Tzipi Livni sairá vencedora. E aí se retomam as rédeas do governo. Também os Estados Unidos estão às voltas com a campanha eleitoral. Não há estratégia política que resista às eleições. O poder é contagiante.

Os palestinos continuam atacando Israel, porque isso foi tornado de sua natureza. Não adianta se Fatah ou Hamas. Todos são contra Israel. O Hizbollah nem se fala, porque aliado do Irã. E a Rússia envia armas mais sofisticadas para o Irã, que acabam nas mãos do Hizbollah e também no Iraque, servindo aí contra os americanos; e estão unificadas, sob o comando iraniano, as baterias de mísseis do Hizbollah e do Irã. E também entra o Egito, que convidou os líderes do Hamas para o Cairo, numa ação direta contra interesses de Israel, e contra a política de Israel de tratar com o Egito a paz com os palestinos. E a Bolívia faz acordo com o Irã, que, assim, chega mais para as bandas da América do Sul.

E agora, o Secretário-Geral das Nações Unidas vai propor à Assembléia Geral do organismo que aprove uma condenação de Israel, com o pagamento de 1 bilhão de dólares ao Líbano pelos danos causados com o bombardeio a esse país na Guerra imposta pelo Líbano a Israel, em 2006. O Líbano não é condenado por ter iniciado a guerra contra Israel, por meio do Hizbollah. Bem, Israel já está acostumado às condenações. E a UNESCO aprova pedido da OLP – Organização para a Libertação da Palestina, declarando Jerusalém uma cidade árabe…

Talvez seja esse o momento que venha a provocar a paz, por tanta insanidade, que acaba clamando aos céus por um mínimo de justiça, ao expor o mundo insensato.

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