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foto: Wikipedia

Frans Krajcberg nasceu em 12 de abril de 1921 em Kozienice, cidade do sudeste da Polônia e faleceu hoje, 15 de novembro de 2017, aos 96 anos no Rio de Janeiro. Vivia em Czestochowa, cidade ao sul de sua terra natal, quando começou a Segunda Guerra Mundial. Foi combatente da 1ª Armada Polonesa Anders e oficial da 2ª Armada Polonesa Vanda Vassilevsua.

Por ser judeu, sofreu preconceitos e perseguições realizadas pelos nazistas. É o terceiro de cinco filhos: dois irmãos e duas irmãs. Em Kozienice, na Polônia, toda sua família é morta, vítima do regime nazista. Sobre sua infância, afirmou em uma entrevista em Curitiba em 11 de outubro de 2003:

“Em criança, costumava isolar-me na floresta. Aquele era o único lugar em que podia questionar-me. Quando criança, sofri demais com o racismo cruel provocado pela religião. Aos 13, comecei a politizar-me e a ter vontade de pintar. Não tínhamos dinheiro para comprar papel, e isso me marcou bastante.”

Com o início da guerra, conseguiu refúgio na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, onde começou a estudar engenharia e artes na Universidade de Leningrado. De 1941 a 1945 foi oficial do exército polonês.

Após o fim da guerra, desfez-se de suas medalhas na fronteira da antiga Tchecoslováquia e imigrou para a Alemanha. Lá ingressou na Academia de Belas Artes de Stuttgart. Sobre seus estudos lá, disse na mesma entrevista de outubro de 2003:

“Lá aprendi tudo sobre a Bauhaus, sobretudo os grandes movimentos da Arte Moderna. Depois de tudo que vivera, sentia-me mais perto do expressionismo que do Concretismo, intelectual demais para mim. Para ajudar os estudantes, Baumeister instituíra um prêmio, saído de seu próprio bolso. Eu ganhei duas vezes. Ele me aconselhou a ir a Paris. Deu-me uma carta de recomendação a Léger.”

Em 1948 imigrou para o Brasil aos 27 anos, incentivado pelo seu amigo e também artista plástico Marc Chagall. Sem dinheiro e sem saber falar português, dormiu ao relento na praia do Flamengo, Rio de Janeiro, durante uma semana. Então partiu para São Paulo. Trabalhou como encarregado da manutenção do MAM (Museu de Arte Moderna) de São Paulo e também com Mário Zanini, Alfredo Volpi (foi auxiliar deste) e Waldemar Cordeiro. Expôs duas pinturas na 1ª Bienal Internacional de São Paulo de 1951.

Mudou-se para o Paraná, e lá trabalhou como engenheiro numa indústria de papel. Entretanto, abandonou o emprego para se isolar nas matas para pintar. Disse Frans Krajcberg na entrevista de 2003:

“Detestava os homens. Fugia deles. Levei anos para entrar em casa de alguma pessoa. Isolava-me completamente. A natureza deu-me a força, devolveu-me o prazer de sentir, de pensar e de trabalhar. De sobreviver. Quando estou na natureza, eu penso a verdade, eu falo a verdade, eu me exijo verdadeiro. Um dia convidaram-me para ir ao norte do Paraná. As árvores eram como homens calcinados pela guerra. Não suportei. Troquei minha casa por uma passagem de avião para o Rio.”

Ali no interior do Paraná Frans Krajcberg testemunhou desmatamentos e queimadas nas florestas. Disse em uma entrevista recente de janeiro de 2007 para o Planeta Sustentável da Abril:

“Cresci neste mundo chamado natureza, mas foi no Brasil que ela me provocou um grande impacto. Eu a compreendi e tomei consciência de que sou parte dela.”

Apontando para uma madeira queimada, afirmou na entrevista de 2007:

“Desde então, o que faço é denunciar a violência contra a vida. Esta casca de árvore queimada sou eu.”

A partir daí sua obra de arte nunca mais se separou de seu engajamento em prol da natureza e de sua conservação sustentável.