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Lulu Landwehr, última dos sobreviventes da Shoah que viviam na capital do Brasil, morreu neste domingo, 7/4. A família informou que a senhora Lulu, que tinha 93 anos de idade, faleceu ao lado de familiares em um hospital de Brasília, após ser internada dias antes com quadro de falência renal.

Apesar da idade avançada, Lulu Landwehr conseguia participar dos principais eventos promovidos pela comunidade judaica de capital, realizados na Associação Cultural Israelita de Brasília – Acib. Ela deixou dois filhos, Roberto e Vivienne, e duas netas, Adriane e Luciana.

Sobrevivente de Auschwitz

Lulu Landwehr nasceu na cidade de Oradeia, Romênia, no ano de 1925. Era filha de Moritz Weiss e Eszter Katz Weiss. Os alemães invadiram o seu país, em 1940, e quatro anos depois ela, três irmãos e os pais foram levados de trem ao campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, em abril de 1944. Foi a última vez que ela viu seus pais e seus irmãos, que morreram dias depois na câmara de gás.

Diferentemente do resto da família, Lulu e sua outra irmã Duci foram selecionadas para trabalhar em uma grande fábrica de munições na Alemanha, onde passaram três meses com carga de trabalho exaustiva e condições precárias de higiene e alimentação. Para sua sorte, as duas irmãs fizeram parte das 190 mil pessoas que libertadas do campo de concentração de Auschwitz, em 27 de janeiro de 1945.

Após voltar para sua casa, na Romênia, ela ainda sobreviveu à tuberculose e anos depois se casou com o jovem Dan em 1949 e veio com ele e com a irmã Duci morar no Brasil, já no ano de 1952, depois de passar pela França e pela Argentina. Lulu Landwehr mudou-se definitivamente para Brasília em 1960, ano da inauguração da cidade, e lá permaneceu com sua família até sua partida, em 2019. Lulu Landwehr escreveu um livro “E Pilatos lavou as mãos”, publicado pela Thesaurus Editora, em que conta sua trajetória como sobrevivente da Shoah.

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