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Por serem judeus, alguns soldados brasileiros enfrentaram um duplo perigo na guerra contra a Alemanha Nazista. 75 anos depois, neste 21 de fevereiro, em seu nome prestamos a melhor homenagem que os 25 mil homens da FEB, 450 do Grupo de Aviação de Caça, e 70 enfermeiras poderiam receber: a recordação da sua luta, nosso dever de memória.

Humberto Gerardo Moretzsohn Brandi cursou o CPOR. Era descendente de David Moretzsohn Campista (1863-1911), o Ministro da Fazenda que foi combatido e acabou não se candidatando a Presidente da Republica por ser judeu. Uma rua em Botafogo leva o seu nome.

O Tenente Brandi comandou a primeira tropa brasileira e aliada a ocupar e instalar-se na crista do Monte Castello, o 2º Pelotão da 3ª Companhia do 1º Regimento de Infantaria – o histórico e glorioso Regimento Sampaio. Pela sua participação na Tomada de Monte Castello aos 21 de fevereiro de 1945, o Presidente da Republica concedeu ao Ten Brandi a Cruz de Combate de 1ª Classe. Brandi foi ferido em ação no Monte Belvedere em 12 de março de 1945, recebendo a Medalha Sangue do Brasil.

Os irmãos Tenentes Alberto e Moyses Chahon também subiram o Monte Castello integrando o Regimento Sampaio. Reformado como General de Divisão, o 1º Tenente Moyses Chahon foi um dos pouquíssimos brasileiros a receber a “Silver Star” do 5th USA Army.

Ferido em combate, recebeu também a Medalha Sangue do Brasil, a Cruz de Combate de 2ª Classe, e uma Citação de Combate do General Mascarenhas de Moraes, Comandante da FEB, expedida aos 23 de fevereiro de 1945 “A combatividade, o espírito de sacrifício, a decisão inquebrantável, a elevada compreensão que tem da honra militar, a capacidade de comando reveladas pelo Ten Chahon, são exemplos dignificantes que desejo por em relevo, para os brasileiros que combatem na Itália.”

O 1º Tenente Alberto Chahon do mesmo Regimento, como oficial de transmissões do 1° Batalhão, assegurou as ligações e transmissões de ordens mesmo sob fogo inimigo. Recebeu a Cruz de Combate de 2a Classe. O Tenente Coronel Waldemar Levy Cardoso, futuro Marechal, comandou um Grupo de Artilharia em Monte Castello. Recebeu a Cruz de Combate de 2ª Classe e a Bronze Star do 5th USA Army.

O Tenente R2 de Infantaria Salomão Malina, do 11º Regimento de Infantaria, atual 11º Batalhão de Infantaria de Montanha, comandou o Pelotão de Minas. As minas alemãs causaram muitas vítimas, entre mortos e mutilados. Em atividade extremamente perigosa, detectando e desativando artefatos e booby-traps, Malina e seus comandados contribuíram para evitar maior perda de preciosas vidas brasileiras.

Em reconhecimento, o Presidente da Republica outorgou-lhe a Cruz de Combate de 1ª Classe, medalha concedida por atos individuais de bravura excepcional. Em extensa citação no diploma, Malina é louvado: “…pela coragem com que comandou seu pelotão, abrindo caminho para a passagem da Infantaria no eixo de ataque através de terreno minado, sob pesado fogo da artilharia e morteiros alemães, durante o avanço do Regimento…”

O Tenente de Artilharia Salli Szajnferber, foi Comandante de Linha de Fogo – CLF, e Observador Avançado da Artilharia. Somente a sua bateria disparou 3.700 tiros de obus 105 mm sobre Monte Castelo. Recebeu a Cruz de Combate de 1a Classe.

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Israel Blajberg
Há 10 séculos seus antepassados paternos saíram de Bleiberg, na Carinthia (Áustria), firmes como o chumbo (Blei) e imponentes como a montanha (Berg), entrando na Polônia sob o Grande Rei Kazimierz. Teve a honra de ser o primeiro Blajberg nascido no Brasil (Rio de Janeiro, 1945), estando hoje a família na terceira geração verde-e-amarela. Professor da UFRJ e UFF e Engenheiro do BNDES, aposentado em 2015. Palestrante e Autor de livros e artigos sobre Historia do Brasil, Militar, Judaica, Genealogia e Viagens. Membro das Ordens do Mérito da Defesa, Naval, Militar e Aeronáutico, e Medalha Pro-Memoria da Republica da Polônia.