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Após terminar o curso de Oficiais do Exército, fui destacado para servir numa unidade do Serviço de Inteligência. Nossa unidade deveria analisar e dar as advertências do que os países árabes vizinhos estão tramando contra Israel.

Na véspera do ano novo, como em todas as unidades e casas em Israel, todos se cumprimentavam para terem um ano novo e bom. Nosso comandante, Tenente-Coronel H. reuniu a unidade e com o copo de vinho numa mão, maçã com mel na outra, brindou: “Estamos em boa situação e não está prevista uma guerra para o ano que ora entra”. Era em Hebraico, o que se chamou “a Concepcia” (o conceito). Todas as patentes militares estavam ofuscadas. Não devia mas aconteceu.

Na fronteira com o Egito, as tropas egípcias estavam engrossando fileiras. Todos acreditavam que era mais um exercício militar como faziam cada ano nesta época. O Tenente Siman Tov, do Serviço de Inteligência  do Comando Sul, disse a seu comandante, Tenente Coronel Gedalia que vê preparativos de guerra e não de exercício. Gedalia, que pouco depois da guerra já o vi com a patente de Coronel, era o comandante do S. de Inteligência do Comando Sul e não aceitou sua interpretação, é exercício, exclamou.

Havia informações, mas nada de concreto. Na véspera de Yom Kipur, o dia mais sagrado no calendário judaico, o exército liberou todos os soldados para suas casas, com exceção do menor número para defender as fronteiras. Na 6ª feira (5.10.1973), em nossa unidade cada um teve que deixar escrito onde passaria o dia de Yom Kipur e o número de telefone. Na época, eu já casado viva em Jerusalém e não havia linhas telefônicas para nos fornecer. Dessa maneira resolvemos passar o Dia do Julgamento na casa dos pais da minha esposa, onde tinha telefone.

Alguns sinais perturbadores apareceram, os instrutores russos e suas famílias começaram a sair em trem aéreo do Egito e da Síria. Nesta mesma 6ª feira, o chefe do Mossad, pessoalmente, voou para Londres, a encontrar-se com Asharaf Marwan, que lhe chamou com urgência. Ashraf Marwan, egípcio, casado com a filha do presidente todo poderoso egípcio, Gamal Abdel Nasser.

Eles viviam na Capital inglesa e ele era confidente do sogro e depois do seu falecimento, em 1970, do novo presidente Sadat. Ao mesmo tempo, Ashraf foi alguns anos antes à Embaixada de Israel e se ofereceu a servir Israel. Evidentemente, que pela proximidade ao governante egípcio, ele trazia informações de ouro e foi bem recompensado financeiramente. No encontro com Tsvi Zamir, ele lhe revelou que no dia seguinte, o Egito conjuntamente com a Síria atacariam Israel e até disse que seria as 14:00.

Yom Kipur é um dia que Israel para completamente. Não há transportes e carros não circulam. As estradas servem as crianças e jovens para circular com suas bicicletas. Lojas fechadas, rádio e TV idem. Quem vai a Sinagoga, passa lá a maior parte do dia, os que não, se trancam em casa. A maioria da população, religiosos ou não jejua.

Pouco antes das 6:00 da manhã o telefone toca na casa dos meus sogros. Eu atendo e quando ouço no outro lado a voz do Capitão S. que é religioso, nem era preciso que me diga”venha já”. Entro no carro, me despedi da família e foi o único Yom Kipur em que viajei. As estradas estavam vazias.

Na unidade, como formigas, cada um sabia o que tinha que fazer. Infelizmente, a informação não era errada. As 13:50, os egípcios do lado sul do Canal de Suez começaram forte bombardeamento, seguido por lanchas e bombas de água, que injetaram na areia derrubando a colina de areia na Linha Bar Lev. Ao longo do Canal de Suez, ficaram apenas 500 soldados para defender a fronteira. Foi um desastre. Ao mesmo tempo, a Síria no norte também atacou. Israel, foi tomado de surpresa, teve que se organizar, morreram mais de 2600 soldados, 7251 foram feridos e 294 foram aprisionados.

Israel se organizou e até o dia 24 de outubro, não só que rechaçou os atacantes. Conseguiu reconquistar todo o território que tinha, no front egípcio, atravessar para o outro lado do Canal de Suez e parou a 101 km. de Cairo. No front sírio, também a duras penas reconquistou o Golan e penetrou em território sírio, parando a 35 km. de Damasco. Estes territórios foram devolvidos nos acordos então assinados.

A sociedade israelense estava em choque. Foi pega de surpresa e os exércitos inimigos entraram em solo ocupado por Israel. Uma das lições foi a derrubada da hegemonia do Partido Trabalhista e nas eleições de 1977, Begin subiu ao poder e logo depois assinou um acordo de Paz com o Sadat, que anos depois foi assinado com a Jordânia.

GOVERNO TRUMP VAI CONTRA OS PALESTINOS

O governo do Trump está descascando folha por folha a mentira e a timidez com que o mundo tratou o problema palestino. Logo depois que o Presidente da Autoridade Palestina criticou a transferência da Embaixada americana para Jerusalém e lhe desejou “ichrab betac” (que sua casa seja destruída) e não está disposto – boicotando – a ver o plano de paz americano, o governo decidiu tirar as luvas e adotou algumas medidas contra o interesse palestino.

No começo cortou e depois decidiu parar por completo a sua ajuda de U$ 300 milhões anuais à UNRWA. Resolveu também cortar ajuda financeira a Autoridade Palestina. Esta reagiu alegando que os EUA age contrariando a lei internacional. Ora, onde está escrito que os EUA é obrigado a dar centenas de milhões de dólares anualmente aos palestinos e estes em troca lhe dão humilhações.

O governo americano fez uma avaliação na sua ajuda a A.P. e também decidiu redirecionar 25 milhões de dólares de hospitais palestinos para outras áreas. Também ordenou a Organização para a Libertação da Palestina de fechar seu escritório em Washington. Este ato foi determinado “após ampla investigação” e ante a recusa palestina de negociar com Israel a paz.(

No final de agosto, o Departamento do Estado americano anunciou o corte de mais de 200 milhões de dólares à A.P. O negociador chefe palestino, Saeb Erekat acusou então os EUA de trabalhar com “má fé, desencorajando os moderados e incentivando os radicais”. Trump respondeu que: “os palestinos recebem tremendas somas de dinheiro (de outros países também), nós não lhes passaremos mais até que vocês sentem e negociem a paz”. Trump também disse que o Plano de Paz americano não agradará aos 2 lados. Isto é, tanto os palestinos, como Israel terão que abrir mão de seus desejos e reconciliar com o outro lado.

Esta semana realizou-se em Cairo uma reunião de emergência da Liga Árabe. O Ministro do Exterior palestino, Riad al Maliki criticou os atos americanos, alegando serem”grave violação a lei internacional”. Sem dúvida, os palestinos receberam uma bofetada após outra, mas talvez isto os acorde. Até agora, foram tratados de forma diferente e privilegiada de outros grupos e povos do mundo. Se quiserem ter um Estado, terão que fazer as pazes entre si, com seus próprios companheiros palestinos e aí tratar de paz duradoura com Israel. O único país que pode dar garantias a isto, queiramos ou não é a América.

DISCUSSÃO DO FUTURO DA SÍRIA, SEM A SÍRIA

Registramos mais um absurdo neste mundo ilógico. Três líderes de Estado- Putin da Rússia, Erdogan da Turquia e Rouhani do Irã- encontraram-se em Teerã para discutir o futuro da Síria, que eles estão ocupando. Quem não esteve presente a esta reunião é o ditador sírio Bashar al Assad, que deve o fato de estar ainda no poder aos 3 ditadores acima citados.

Eles queriam tratar de como lidar da região de Idlib, o último reduto dos grupos rebeldes, onde agora vivem 3 milhões de habitantes, dos quais 1.5 milhões são refugiados de outras áreas da Síria. Os EUA e a ONU exigem que não usem a força, que seria desastrosa. Mais do que isto, ciente do trágico passado, o presidente Trump enviou mensagem de que se houver mais massacre químico, os EUA reagiram violentamente, atacando alvos sírios. Provavelmente teriam ajuda de forças francesas e inglesas.

O “sultão” turco, Erdogan estava isolado na reunião. Ele exige que não ataquem em Idlib, temendo a invasão de mais de 1.5 refugiados de lá, adicionados aos 3.5 milhões que já estão estabelecidos na Turquia. Ele até publicou artigo no Wall Street Journal, com o título “O mundo tem que parar Assad”. Chamou o regime do Assad de criminoso, que nos últimos 7 anos comete prisões aleatórias, torturas sistemáticas, matanças e bombardeamentos convencionais e químicos. Alertou, se houver ataque em Idlib, haverá riscos humanitários e de segurança à Turquia e ao mundo.

Talvez ele se refere que abrirá suas fronteiras e permitirá a invasão de milhões de refugiados para a Europa e ao resto do mundo. Atualmente, seu governo recebe bilhões de dólares para não deixar esses refugiados irem à Europa, mas ele também não quer ficar estocado com eles. Enquanto ele fala e escreve, nem se passaram 24 horas do encontro em Teerã, a Rússia e a Síria, apoiado pelo Irã, contrariando o pedido turco iniciaram violentos ataques aéreos nos subúrbios de Idlib, que incluíram barris-explosivos. Ante as ameaças dos EUA por enquanto os ataques cessaram.

CURTAS:

14.7 MILHÕES DE JUDEUS NO MUNDO. Segundo publicação da Agência Judaica e dados do Prof. Sergio Della Pergola, da Universidade Hebraica de Jerusalém, são 100 mil a mais do que no ano passado.Os maiores núcleos de judeus estão em Israel 6.6 milhões, EUA- 5.5 milhões, França-453 mil, Canadá-391 mil, Inglaterra-290 mil, Argentina-180 mil. Brasil tem a 9ª maior comunidade judaica do mundo, avaliada em 93.000. Em 98 países vivem judeus com ao menos mais de 100 pessoas.

POSSÍVEL CURA DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA. Pesquisadores da Faculdade de Medicina da U. Hebraica de Jerusalém conseguiram desenvolver remédio biológico que combate o câncer de sangue-leucemia mielóide aguda (AML). Esta é uma doença rara, que anualmente 0.3% dos pacientes de câncer, o tem e é tratado por quimioterapia. O grupo de pesquisadores encabeçados pelo Prof. Yinon Ben Neriah, conseguiu curar 50% dos animais de laboratório tratados. O tratamento é por meio de molécula introduzida que ataca proteínas -chave da leucemia, ao mesmo tempo contra a célula com leucemia e essa operação conjunta a torna mais eficaz. A indústria farmacêutica Biotech dos EUA adquiriu da UHJ os direitos de desenvolver e produzir o remédio. A Biotech fará pesquisas em centros médicos nos EUA em seres humanos e se for aprovado, será usado em larga escala.

GRAND SLAM DE JUDÔ EM ABU DHABI será realizado nos dias 27 a 29 de outubro. O torneio estava para ser suspenso pela recusa do emirado em recepcionar judocas de Israel. Ante a ameaça, os organizadores voltaram atrás comprometendo-se a dar aos israelenses o mesmo tratamento dado aos demais judocas. Assim, eles competirão com sua bandeira (e não da Federação Intl de Judô), inscrições ISR e se vencer competições, o Hatikvah será entoado. Em outubro de 2017, 12 judocas israelenses participaram no Grand Slam de Abu Dhabi, sem símbolos israelenses e na competição vencida por israelense não se ouviu o Hatikvah, tocaram o hino da Federação Internacional de Judô.

GINASTA LINOY ASHRAM SE DESTACA. A ginasta israelense de 19 anos, de Risho leSion, continua em boa forma após vencer medalha de ouro no Campeonato Europeu. No Campeonato Mundial realizado em Sofia, Bulgária continua conquistando medalhas. No exercício de aro obteve a medalha de prata e no exercício da fita, foi a terceira colocada. No resultado final ela é a sétima colocada do mundo neste Campeonato Mundial. Sua companheira, a jovem Nicole Zelikman de 17 anos, obteve no mesmo campeonato a 5ª colocação no exercício do aro e na classificação geral está na 9ª posição. Hoje, mais tarde as duas competirão nas competições para as 20 melhores do mundo.

ISRAEL AJUDA MELHORAR CULTIVOS NA ÁFRICA. A Dra. Shoshan Haran, de Ciências das Plantas e especialista em Biotecnologia, trabalhou na companhia Hazera (a semente), deixando o emprego para fundar a organização sem fins lucrativos, Fair Planet (Planeta Justo). “No solo etíope, mostramos que melhoramento de sementes é a arma mais eficaz na guerra da fome, no mundo em desenvolvimento. As sementes é tudo, são a base da agricultura, alimentos, melhor nível de vida e um futuro melhor”, explica Dra. Haran. Segundo ela 70% dos habitantes da África, vivem de 2 dólares por dia, a maioria, pequenos agricultores que não descobrem as inovações, continua o círculo vicioso de ineficiência e baixas colheitas”. Tem 5 conglomerados que lidam com sementes. O Fair Planet lhes disse, tragam nos as inovações e nós vamos treinar os agricultores. Explica a Dra. Haran:”escolhemos a Etiópia, por estar próxima de Israel e o governo local incentivar esta cooperação…consegui sementes, 40 a 50 voluntários, a maioria israelenses,que vêm treinar por pelo menos 3 meses…Incentivamos as mulheres etíopes a participar de cursos… sementes que custam 50 dólares por hectare, conseguimos aumentar a produção em 900%e as colheitas triplicaram e quadruplicaram dando arrecadação de 700 dólares por hectare, que antes era o que ganhava por ano. Em alguns casos chegaram a vender a colheita por 2.000 dólares. Trabalhamos com 40.000 agricultores em 100 lugares e nossa meta é alcançar 50.000 agricultores”. Se no mundo há fome, Israel e israelenses fazem milagres nesta área, mas os meios de comunicação preferem ignorar.

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