Produtos relacionados
Um levantamento feito da história até agora sabida dos últimos 3.000 anos demonstra que somente em pouco mais de 200 anos não se contam a existência de guerras em todo o mundo. E pode ser que, como no caso da América, somente com 500 anos, acabem até sendo reduzidos, ou até mesmo anulados, esses 200 anos. Isto quer dizer que a guerra é o comum e não a paz. E o rufar dos tambores anunciando novas guerras já se fazem ouvir, para além das guerras existentes no mundo de hoje. Não se ouvem manifestações contra o incitamento a guerras, especialmente daquele segmento que se auto-intitula ‘amante da paz’. Talvez seja um amor violento.
Declarações do Ministro do Exterior de Israel, Avigdor Liberman, advertindo a Síria para não tentar atacar Israel, mereceram grande cobertura na mídia internacional, mas as declarações de autoridades da Síria e do Irã não mereceram notícia maior. Senão, vejamos: na quinta-feira, 4 de fevereiro, o Ministro do Exterior sírio, Walid al-Moallem, num encontro com o Ministro do Exterior da Espanha, Miguel Angel Moratinos, declarou, conforme citado pela agência de notícias síria, SANA: “Israel não deve testar a determinação da Síria… Israel sabe que a guerra se deslocará para as cidades israelenses… Israel deve aceitar as condições sírias para que haja paz.” Diante do Ministro do Exterior espanhol, o Ministro sírio declarou que a Síria se dispõe a cometer crimes de guerra.
A agência SANA informa também que o Presidente sírio, Bashar al-Assad, declarou: “Israel não se comporta com seriedade em busca da paz, e todos os fatos indicam que as posições de Israel levarão a região para uma guerra e não para a paz.” Traduzindo: ou Israel aceita as exigências da Síria, ou haverá guerra. Por seu lado, o Ministro Moratinos “declarou seu apreço pelo papel positivo da Síria no tocante ao estabelecimento da segurança e da estabilidade no Oriente Médio”. São citações da agência de notícias. Ou seja, o representante espanhol, diplomaticamente, endossou as atitudes da Síria quanto a crimes de guerra.
Tudo isso ocorreu depois das palavras de ameaça, dias antes, em 1º de fevereiro, do Presidente iraniano, Ahmadinejad, de que o “Irã dará um duro golpe na arrogância global, no dia do aniversário da Revolução Iraniana” (dia 11 de fevereiro). O Irã desenvolve mísseis balísticos intercontinentais, colocou em órbita um foguete levando uma tartaruga, ratos e vermes, o que leva a considerar que tais mísseis poderão ser empregados para levar ogivas nucleares. A explícita ameaça de Ahmadinejad, de outros crimes de guerra, não mereceu cobertura da mídia mundial.
Irã está suprindo a Síria com mísseis e, por sua vez, a Síria está contrabandeando mísseis para o Hizbollah, tanto os vindos do Irã como os de fabricação síria, como o Fateh 110, com 250km de alcance. Diz-se que foi tratado por Moratinos quando na Síria, do perigo dessas armas para detonar a guerra na região. Assim, deve ser entendido o que disse o Ministro israelense, Liberman, dando um recado à Síria e, segundo se cogita, solicitou a intermediação de Moratinos. O Hamas também está sendo suprido com mísseis pelo Irã, que trata de enviar as armas por todos os meios, seja por mar, seja pelo Egito, de onde são introduzidas em Gaza, por túneis.
Tudo mostra sentido quando a mídia anuncia que os Estados Unidos se preparam para atacar as instalações nucleares iranianas, indicando que o Irã, temendo pela sua integridade nuclear, adverte que atacará Israel, inclusive por meio de seus títeres, Síria, Hizbollah e Hamas, levando a guerra para todo o Oriente Médio. Por outro lado, Hizbollah, com novos mísseis de maior alcance recebidos do Irã e da Síria, com a cumplicidade da Forças de Paz das Nações Unidas, que não impedem o contrabando, faz ameaças a Israel, pois seus foguetes poderão atingir as cidades no centro de Israel. Os crimes de guerra anunciados nem são tratados. Não se ouve falar neles. Mas só se ouvem críticas a Israel, para impedir que se defenda, quando são claras as ameaças de destruição do pequeno Estado de Israel.
Trata-se do velho antissemitismo que continua depois do terrível nazismo hitlerista, sob novas formas políticas, culturais, religiosas, ideológicas e até geográficas. A terminologia do antissemitismo atual vai além daquela predominantemente cristã, fascista e racista, usando atualmente abordagens da ideologia marxista, islâmica e antiglobalização. Não que o nazismo desapareceu, mas o antissemitismo pós-Hitler é uma mistura do velho antissemitismo com novas linguagens, como a da antiga União Soviética durante a Guerra Fria, promovida pela esquerda radical nos anos 1960, e mais recentemente com uma mistura de política não-religiosa e religiosa-islâmica no Oriente Médio e Irã.
Deslocou-se parcialmente o refrão da conspiração internacional do judaísmo para o ‘sionismo internacional’ e o Estado de Israel. A política de Israel pode ser criticada, mas a estrutura lógica empregada é idêntica, do grande poder e da intenção maligna do ‘judaísmo mundial’, que foi a tônica do antissemitismo europeu. A obsessão mortal contra os judeus passa a ser uma mistura das velhas teorias de conspiração para o domínio mundial, simbolizada nos ‘Protocolos dos Sábios de Sião’ e no ‘Mein Kampf’, com o marxismo-leninismo, teorias terceiromundistas e o islã. O centro de gravidade deslocara-se da Europa para o Oriente Médio, porque os judeus se levantaram com o Estado de Israel, mas a grande populaçao árabe-islãmica da Europa está trazendo o antissemitismo de volta à Europa.
Assim como ocorreu na era do nazismo, quando não se deu a devida importância às ameaças de Hitler e ao terrível morticínio decorrente, atualmente a influência das ideologias totalitárias ainda resistentes no velho estilo europeu, mesclada com o marxismo-leninismo ainda não enterrado nos escombros do Muro de Berlim, se vê continuar o pouco interesse às declarações criminosas dos políticos do Oriente Médio e do Irã, talvez até dando uma certa satisfação aos antissemitas inseridos na vida intelectual do Ocidente.
Este o perigo de mais uma guerra contra os judeus. A triste sina. Por quê? É a pergunta que não quer calar.

























