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Na Sexta-feira Santa 19 de abril em 2019, junto com a primeira noite de Pessach – a Pascoa Judaica, comemoramos o inicio do Levante do Gueto.

Naquele anoitecer distante de Varsovia nao houve o tradicional Seder – jantar ritual – mas o inicio da luta heroica, de um punhado de bravos contra a SS nazista, entrando para a historia da luta universal e eterna do ser humano pela liberdade.

Apesar de 6 milhões de baixas esta guerra foi vencida pelo Povo Judeu. Enquanto o pretenso 3º. Reich que deveria durar 1000 anos desapareceu encoberto pela pátina do tempo, o Povo de Israel continua sua caminhada de quase 6 mil anos e venceu, podendo levantar bem alto uma bandeira: ESTAMOS AQUI !

Crime imperdoável e imprescritível, que desafia a compreensão humana, e que para todo o sempre será lembrado como um extremo a que o Homem pode chegar, atingindo também o nosso amado Brasil, vitimando quase 3 mil de nossos patrícios.

Há 18 séculos, já acontecia uma luta tão heroica quanto a dos combatentes do gueto, e assim como os nazistas em Varsovia, as legioes romanas achavam que haviam vencido, e que Jerusalem seria deles para sempre. Ledo engano – tanto os achados arqueologicos da entao poderosa X Legiao enviada pelos Cesares, quanto as armas das divisões nazistas enviados por Hitler, foram parar nos museus, servindo de alerta contra a barbárie humana.

Os heróis do gueto mal poderiam imaginar, mas um dia Karol Josef Wojtila seria sagrado Jan Pawel II. Justo, amigo, primeiro Papa a adentrar uma sinagoga, primeiro a visitar Auschwitz, estabeleceu relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Estado de Israel, visitou o Yad vaShem, e no Kotel haMaaravi, a Muralha Ocidental do Templo de Salomão, pediu perdão pelas perseguições contra os judeus, que disse serem os irmãos mais velhos.

Naquele momento, o Papa redimiu as almas judaicas, que no Jardim do Éden se elevavam sofredoras, clamando pela Justiça Divina sobre a indiferença, a hostilidade, os crimes praticados em nome da fé, desde a Inquisição até Kielce, da Aelia Capitolina até Jedwabne, de Hebron a Auschwitz.

Na Segunda Guerra Mundial 1,5 milhão de judeus lutaram nos exércitos regulares aliados. 500 mil lutaram no Exército Vermelho, com 120 mil mortos em combate, alem de 80 mil prisioneiros de guerra assassinados pelos nazistas. 160 mil em todos os níveis de comando receberam citações de combate, sendo 150 nomeados “Heróis da União Soviética” – a mais alta honraria concedida aos soldados do Exército Vermelho.

550 mil soldados judeus lutaram nas Forças Armadas dos EUA durante a 2ª. Guerra em todas as frentes na Europa e no Pacífico, e na libertação dos campos. 10 mil foram mortos em combate, 36 mil receberam citações.

100 mil judeus poloneses lutaram contra a invasão alemã, 10% do total. 30 mil tombaram em combate, foram aprisionados pelos alemães, ou declarados desaparecidos, sendo 11 mil na defesa de Varsóvia. Milhares mais tarde serviram em várias unidades polonesas que lutaram contra os alemães nas forças aliadas.

Cerca de 30 mil judeus serviram no exército britânico em 1939-1946, alguns em unidades especiais da Palestina, como a Brigada Judaica.

Cabe destacar que mais de 50 brasileiros judeus participaram da 2ª. Guerra Mundial, alguns se tornando heróis, agraciados com medalhas concedidas apenas em casos de bravura excepcional em combate.

Profeticamente, os bravos e deseperados lutadores do gueto transmiitiram ao mundo uma mensagem, sem saber que em futuro distante estaria cada vez mais atual. A luta não se extinguiu ao serem arrasadas as últimas edificações ainda de pé no gueto, mas continua até hoje.

De paises retrogrados e intolerantes, sopram ventos de ódio, discursos sectários e belicistas, apregoando o Mundo sem Sionismo – o Fim de Israel. Embora repulsivos tem valor didático, alertando para as proféticas palavras bíblicas. “ … teremos uma guerra com Amalec em todas as gerações. Lembra do que te fez Amalec…”

Está na Torá (Lei de Moisés): “… extinguirei totalmente a lembrança de Amalec debaixo dos céus”, o que se cumpriu no tempo de Assuero, quando Haman e seus dez filhos foram enforcados.

As ameaças de hoje são mais terríveis que o próprio Holocausto, vindas das profundezas onde impera o ódio, a hipocrisia, a negatividade. Entretanto, enquanto houver Justos sobre a face da Terra, a luta continuará. Israel vencerá !

Onde quer que os resquícios do mesmo ódio regurgitem, novamente estaremos prontos para enfrentá-lo, como canta o Hino dos Partisans,

…UM POVO, entre muralhas que tombam, cantou esta canção de armas na mão!

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Israel Blajberg
Há 10 séculos seus antepassados paternos saíram de Bleiberg, na Carinthia (Áustria), firmes como o chumbo (Blei) e imponentes como a montanha (Berg), entrando na Polônia sob o Grande Rei Kazimierz. Teve a honra de ser o primeiro Blajberg nascido no Brasil (Rio de Janeiro, 1945), estando hoje a família na terceira geração verde-e-amarela. Professor da UFRJ e UFF e Engenheiro do BNDES, aposentado em 2015. Palestrante e Autor de livros e artigos sobre Historia do Brasil, Militar, Judaica, Genealogia e Viagens. Membro das Ordens do Mérito da Defesa, Naval, Militar e Aeronáutico, e Medalha Pro-Memoria da Republica da Polônia.