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Físico brasileiro recebeu Prêmio Zayed de Energia do Futuro, entregue pelo príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed Bin Zayed Al Nahyan. Ele deve retornar à região no ano que vem para dar sua contribuição ao projeto de cidade sustentável do emirado, a Masdar.

Goldemberg e Al Nahyan: reconhecimento mútuo.
Goldemberg e Al Nahyan: reconhecimento mútuo.

O físico brasileiro José Goldemberg deve dividir seu conhecimento e experiência em energia renovável com os Emirados Árabes Unidos. Ele recebeu, em janeiro, o Prêmio Zayed de Energia do Futuro na categoria Life Achievement e pretende voltar ao país árabe no próximo ano para conhecer melhor e dar suas contribuições ao projeto de cidade sustentável de Abu Dhabi, a Masdar. O prêmio é organizado pela Masdar e foi criado pelo príncipe herdeiro de Abu Dhabi e vice-comandante das Forças Armadas dos Emirados, Mohammed Bin Zayed Al Nahyan. Goldemberg, que já ocupou vários cargos públicos, foi escolhido pelo conjunto da sua carreira.

As pesquisas do físico identificaram a viabilidade da substituição da gasolina pelo etanol e as vantagens da produção do combustível a partir da cana-de-açúcar em relação a plantas como o milho. O etanol de cana, provou Goldemberg, é mais benéfico ao meio ambiente já que pode usar o próprio bagaço para geração de energia enquanto o milho depende da eletricidade para o seu processamento. Já as pesquisas atuais do físico seguem uma argumentação mais política, de que os países em desenvolvimento não precisam passar pelo estágio da energia fóssil ou do carvão, como as nações europeias, e deve partir direto para as renováveis no seu processo rumo ao crescimento. A imprensa dos Emirados o chamou de “pioneiro dos biocombustíveis”.

O Prêmio Zayed de Energia do Futuro foi criado pelo príncipe herdeiro para homenagear o seu pai, Zayed Bin Sultan Al Nahyan, fundador dos Emirados, que morreu em 2004, pelo trabalho com o meio ambiente. “Ele era uma pessoa muito esclarecida. Quando foi descoberto o petróleo em Abu Dhabi, há 70 anos, ele imediatamente percebeu que precisava tomar cuidado com o futuro, percebeu que esses recursos são finitos e que era necessário pensar no futuro”, disse Goldemberg. Em Abu Dhabi fica a Masdar, cidade projetada para a sustentabilidade, com energia solar, reuso de água, urbanismo para menor consumo de energia e transporte não poluente, entre outras melhorias.

A premiação indica, além de uma personalidade que contribui para o meio ambiente, uma grande corporação, uma pequena e média empresa, uma organização não governamental e escolas com trabalhos nesse sentido. Goldemberg afirma que nunca teve muito contato com o mundo árabe. Ele já foi professor no exterior, como na Universidade de Paris, na França, e Princeton, nos Estados Unidos, mas nunca fez trabalho similar na região. “Estive no Egito, na Jordânia para congressos”, relata. O físico, no entanto, demonstra admiração pela preocupação de Abu Dhabi com a sustentabilidade e afirma que uma das alternativas para os árabes do Golfo, para ter energia renovável, é a produção em países muçulmanos da África.

Goldemberg foi o único dos homenageados que falou durante a cerimônia de entrega do prêmio, prestigiado por personalidades como a rainha Rania, da Jordânia. Ele falou, na ocasião, que o prêmio foi mais do que um reconhecimento pessoal, mas um reconhecimento de que o uso da biomassa como fonte de energia é um dos caminhos para o futuro. O físico participou, na mesma viagem, como palestrante do World Future Energy Summit, encontro sobre energias para o futuro que ocorreu de 15 a 17 de janeiro em Abu Dhabi. Goldemberg afirma que no seu contato com profissionais da região percebeu o nível educacional muito elevado.

Goldemberg é atualmente pesquisador e professor do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo, onde orienta alunos da pós-graduação. Ele é Doutor em Ciências Físicas da USP, da qual foi reitor de 1986 a 1990, já ocupou os cargos de secretário de Meio Ambiente e secretário de Ciência e Tecnologia da Presidência da República, ministro da Educação, presidente da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Goldemberg foi selecionado como um dos treze Heróis do Meio Ambiente pela revista Time, na categoria Líderes e Visionários de 2007, e recebeu o prêmio “Blue Planet Prize 2008”, da Asahi Glass Foundation.

Fonte: ANBA – Agência de Notícias Brasil-Árabe.

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