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Anita Novinsky observa em Cristãos-novos na Bahia: a Inquisição, que O Santo Ofício em seu processo perseguidor mirava tanto os ricos mercadores, “de cujos bens confiscados necessitava para sustentar seus funcionários e o rico aparato com que se revestia, como os pobres sapateiros de Arrayolos, para justificar, perante a sociedade e perante si mesmo”, a barbárie com que tentava aniquilar o cristão-novo. Eric Hobsbawm, em Era dos extremos, afirma que o Holocausto (a Shoah) é fruto de uma xenofobia de raça, principalmente aos judeus “que podiam simbolizar com facilidade tudo o que havia de mais odioso num mundo injusto, inclusive seu compromisso com as ideias do Iluminismo e da Revolução Francesa que os tinham emancipado e, ao fazê-lo , os havia tornado mais visíveis”. A partir desses dois críticos, propomos um espaço de reflexão sobre esses dois fenômenos históricos e sua inscrição na literatura, notadamente marcada pela intolerância e pela perseguição explicita à comunidade judaica.

Se no período colonial, os cristãos-novos ou os cripo-judeus eram torturados pelo Santo Ofício, durante a Segunda Guerra Mundial, foram massacrados pelo Estado fascista. Inquisição e Holocausto são, portanto, dois ícones que simbolizam o espaço do conflito e do ódio. Muitos poetas, cronistas e romancistas brasileiros, tanto escritores judeus- brasileiros como não judeus não ficaram indiferentes a esses dois fenômenos. De Machado de Assis a Dias Gomes, de Castro Alves a Vinícius de Moraes, de Samuel Rawet a Moacyr Scliar, passando por Carlos Drummond de Andrade e Jorge Amado, vários artistas da palavra denunciaram ora de forma explícita ora por meio de metáforas e símbolos tanto a dor como a morte e as consequências funestas da Inquisição e do Holocausto na vida brasileira. Desta forma, o objetivo deste GT é discutir autores brasileiros que t entaram traduzir em suas obras estes dois períodos que marcaram de forma tão contundente a cultura hebraica.

SILEL/UFU – 20 a 22 de novembro

COORDENADORAS:

KENIA MARIA DE ALMEIDA PEREIRA
INSTITUIÇÃO A QUE ESTÁ VINCULADO: UFU – UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
PROGRAMA DE PG AO QUAL ESTÁ VINCULADO: Mestrado em Teoria literária

LYSLEI DE SOUZA NASCIMENTO
INSTITUIÇÃO A QUE ESTÁ VINCULADO: UFMG – UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
PROGRAMA DE PG AO QUAL ESTÁ VINCULADO: Mestrado em Letras-Estudos literários

Mais informações:
http://www.ileel.ufu.br

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