Freire conhece primeira sinagoga das Américas

Freire conhece primeira sinagoga das Américas

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Foto: Sinagoga kahal zur israel, a primeira sinagoga das Américas (Foto: Janine Moraes - Ascom/MinC)
Foto: Sinagoga kahal zur israel, a primeira sinagoga das Américas (Foto: Janine Moraes – Ascom/MinC)

Em plena Inquisição, o período de ocupação holandesa no Brasil Colônia (século 17) representou um momento de maior tolerância religiosa para com outras crenças que não cristãs. Importante testemunha dessa época é a Sinagoga Kahal Zur Israel (Santa Comunidade Rochedo de Israel), a primeira das Américas, que funcionou no Recife (PE) entre 1636 e 1654. Em dezembro de 2001, o prédio original reconstituído foi aberto ao público, sendo hoje um importante sítio turístico da cidade. O local sedia hoje o Centro Judaico de Pernambuco, que foi visitado nesta sexta-feira (10) pelo ministro da Cultura, Roberto Freire.

Segundo texto do historiador Roney Cytrynowicz, publicado pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), um significativo número de cristãos-novos já vivia em Pernambuco nos séculos 16 e 17. Os judeus que fundaram a Sinagoga Kahal Zur Israel foram a primeira comunidade judaica organizada na história do Brasil.

Em 1642, chegou a Recife, vindo de Amsterdã, na Holanda, o rabino Isaac Aboab da Fonseca, para conduzir rituais litúrgicos e outras atividades espirituais. Isaac já exercia função de rabino quando veio exercer o seu posto no Brasil. Ele é autor do primeiro texto hebraico produzido nas Américas e é considerado uma das mais importantes figuras do judaísmo do século 17.

Em 1654, quando os holandeses foram expulsos do Brasil e o regime português foi reinstituído, a comunidade judaica de Recife teve três meses para sair do Brasil. Os três principais destinos foram Amsterdã, o Caribe e Nova Amsterdã, futura Nova York. Eles foram os primeiros judeus a serem admitidos na cidade norte-americana.

“Esta sinagoga, a primeira das Américas, demonstra toda a importância que a província de Pernambuco e a cidade do Recife tiveram na história e na formação do Brasil. Os judeus que vieram fugidos da Inquisição encontraram por aqui um mundo de liberdade, que floresceu no Recife durante o período de ocupação holandesa”, destacou o ministro. “Visitar este local, hoje um museu, é muito ilustrativo para conhecer essa face da nossa história e a importância desse período de liberdade que existiu aqui no novo mundo”, completou.