Estamos no Ano Novo – por Herman Glanz

Estamos em pleno Ano Novo Judaico, ano de esperanças por um mundo melhor e de um porvir grandioso para a humanidade, mas também de ansiedades e apreensões: será tudo como desejamos? Virá a redenção, como na antiga canção judaica: Que venha a redenção, venha a era messiânica já, imediatamente?

Mahmoud Ahmadinejad, o Presidente do Irã, voltou a esbravejar contra os judeus e Israel. Continuou negando o Holocausto, porque isto significa deslegitimar o Estado de Israel, pois, diz ele, fruto de uma terrível tragédia inventada para granjear apoio por comiseração. Trata de forjar uma lenda, apagando a história. Grandes potências protestaram contra essas declarações, mas nada se ouviu aqui perto, na nossa América do Sul, inclusive do Brasil. O povo iraniano não está preocupado com o antissemitismo mas com a sua própria liberdade e contra a tirania do seu governo.

O mais trágico é que muita gente, inclusive gente amiga, gente nossa, não decodifica a mensagem que se esconde nessas abomináveis declarações. Uns acham que se trata de destilar ódio contra Israel para efeitos internos, já que Ahmadinejad está às voltas com protestos internos, nesta mesma semana, protestos do seu opositor, derrotado pelo mesmo Ahmadinejad nas eleições, eleições consideradas fraudadas. Mas não nos iludamos – o opositor de Ahmadinejad disputa problemas internos; quanto à oposição a Israel e aos judeus, pensa da mesma forma; falar favoravelmente ao opositor talvez traga maior perigo – enquanto se combate o atual Presidente, até o opositor aceita. Defendendo seu opositor, como se ficará quando este também negar o Holocausto? E não devemos nos imiscuir nos problemas internos do Irã.

Negar o Holocausto é dizer que o Estado de Israel é fruto de uma mentira histórica que fez, por piedade, criar o Estado de Israel. Inclui outros componentes: Primeiro, trata os judeus como mistificadores, abusando da boa vontade dos povos, os judeus se fazendo de vítimas, mas agindo como algozes. Não adianta vociferar que o Movimento Sionista tem mais de um século. A mentira dos negacionistas é de que o Movimento Sionista nunca alcançou seu objetivo. Foi a mentira, dizem esses rejeicionistas, que criou o Estado de Israel. Em segundo lugar, proclamam, caso a Europa compartilhe do pesadelo de maus tratos aos judeus, que arranje um lugar para eles na própria Europa, pois é preciso expulsar os judeus da Palestina que é território árabe, essa é a lição.

Outro fator é não subestimar as intenções desses bárbaros de nossos dias: quando dizem que querem matar judeus, acreditem: querem mesmo exterminar os judeus. Depois da terrível tragédia da Segunda Guerra, o ódio aos judeus permaneceu intacto.

E não é só Ahmadinejad. O próprio sistema internacional não se redimiu das suas culpas. Continua com seu ódio declarado aos judeus e, agora, ao Estado de Israel, transformado em judeu das nações. A ONU, seu Conselho de Direitos Humanos, a Corte Internacional, assim como as Conferências contra o Racismo e a Xenofobia continuam abertamente destilando o ódio aos judeus e a Israel. Ao invés de tratar dos direitos humanos, da liberdade e a da busca pela paz, se mostram a favor da guerra e do totalitarismo.

A Comissão Goldstone do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que elaborou um relatório sobre a recente Guerra de Gaza, acaba condenando Israel e tratando o Hamas como justo e não terrorista: basta ler o título do Relatório de 575 páginas: ‘Direitos Humanos na Palestina e em Outros Territórios Árabes Ocupados’. A Comissão Goldstone já decidiu que os territórios são árabes, e que existem outros territórios árabes ocupados por Israel, não só a Palestina – Israel não tem o direito de existir. O mandato para essa Comissão foi para investigar a recente guerra em Gaza, que não é mais território ocupado. Como está, a Palestina é território árabe ocupado. Apesar de tudo, existe uma calma em Gaza, porque o Hamas precisa de tempo para se rearmar, já que foi duramente atingido na sua capacidade de fazer a guerra.

Mas, estamos no Ano Novo e a esperança é que venha a tão almejada redenção e que venha a era messiânica já e rapidamente, resolvendo os problemas do aquecimento global e da paz.

Shaná Tová!

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