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O presidente Trump quer reestruturar o mundo e isto também inclui o Oriente Médio

Se conseguir trazer um acordo com certa paz a esta turbulenta região, não precisará fazer mais nada. Outorgaremos-lhe 2 Prêmios Nobel, um Oscar, um Emmy e qualquer outro prêmio que queira.

Já em março estava prevista a apresentação de um acordo, do seu modo, original, imprevisto e com troca de territórios que envolva Israel, Egito e os palestinos (veja a resenha Plano de Paz Fora da Caixa, 23.2.18). No Oriente Médio, como as dunas do deserto local, tudo é imprevisível e dinâmico. O plano tem que ser modificado, mas a essência fica e, pelo visto, será apresentado em agosto.

Nesse entretempo, a Hamas esquentou (no duplo sentido) a fronteira de Gaza com Israel. Trump não só declarou, mas também concretizou a promessa e transferiu a Embaixada americana para Jerusalém. Na Síria a violência continua; o Irã se envolve em tudo e ameaça a paz mundial; Trump se envolveu com a Coreia do Norte e comprou briga com os europeus e a China na guerra comercial.

Esta semana, os enviados especiais americanos para as negociações sobre o Oriente Médio Jared Kushner e Jason Greenblatt estiveram na Arábia Saudita, Qatar, Egito, Jordânia e na sexta-feira (22) em Israel para trocar idéias e negociar o acordo que estão costurando. Tentarão tirar a carroça da lama e dar um impulso ao (inexistente) processo de paz.

Os palestinos antecipadamente declararam que não aceitam os EUA como mediador, até esse não voltar atrás na declaração de que Jerusalém é a Capital de Israel. Esta é uma pura desculpa para continuar não fazendo nada em benefício do povo palestino. Mesmo quando ainda estavam mais unidos, com um líder forte – Arafat – este teve medo de tomar decisões mais difíceis, proclamar a paz com Israel e criar o Estado Palestino. Preferiu ir com os extremistas.

O “velho” (como é chamado pelos palestinos) Mahmoud Abbas, de 83 anos, é menos carismático, mais burocrático, mas segue na política de sentar e não fazer nada. Nem quer nomear um sucessor. Seus auxiliares mais próximos lhe pediram para atender as conversas do processo de paz e ele, que está doente e impotente, reluta e sacrifica os palestinos da Faixa de Gaza, não lhes passando verbas, nem está disposto a fazer um acordo, para não ser chamado de “traidor” pelos radicais.

As pressões de altos escalões palestinos são acompanhados da pressão de dirigentes de países árabes considerados moderados, como a Arábia Saudita, o Egito, a Jordânia e os Emirados Árabes Unidos. As autoridades palestinas temem que a rejeição de Abbas seja respondida com represálias americanas contra a Autoridade Palestina.

Pelo visto, a Arábia Saudita e os EAU apoiam o plano de paz do Trump e estão dispostos a dar aos palestinos garantias políticas e econômicas. Estes países se aproximaram de Israel por ter um inimigo em comum, o Irã. Todos incentivam o Abbas a não recusar previamente o plano, antes de escuta-lo.

Além da troca de territórios, que envolveria palestinos, Israel e o Egito, é bem possível que Trump anuncie a instalação de Consulado americano em Jerusalém Oriental, que tratará dos árabes da região, fato que desagradará e muito o governo israelense, mas contrabalançará a decisão sobre a Capital.

Israel de Netanyahu enfrenta também muitos problemas. O combate intensificado ao Hamas em Gaza. O dos haredim (ultraortodoxos) que se recusam a alistar no exército e também o interno, do seu próprio partido, que se radicaliza. Não é o mesmo Likud que, quando seu líder Begin propôs e executou a retirada da Península de Sinai (1979), foi respeitado pelo seu partido.

Como se nota, este conflito, que já é longo demais, ainda não tem o fator básico para um sucesso: o da mútua confiança. Mesmo com a assinatura de acordos de paz entre Israel e o Egito e a Jordânia, ela a foi com os governantes. Décadas depois, ainda não foi implantada pelos povos e os formadores de opinião pública continuam nestes países a incitar contra Israel.

Na segunda-feira (18) Netanyahu fez uma rápida visita em Amã (1 hora de Jerusalém), encontrou-se com o rei Abdullah e trataram do possível plano de paz americano. O rei, que teme a estabilidade do seu reinado, pela subversão iraniana e agitação social, pediu que Israel mantivesse o status especial da Jordânia na Esplanada das Mesquitas. Como gesto de boa vontade, já no dia seguinte foi retirado um posto policial colocado no local poucos dias antes.

Os dois governantes também trataram de ajuda israelense à economia jordaniana, através da retirada de certos obstáculos tributários a produtos jordanianos importados por Israel. Este foi o primeiro encontro entre os dois em quatro anos. Trump espera a hora certa de apresentar seu plano de paz, mas ainda é longa a trajetória para chegar a uma paz real, que beneficie os povos da região e os leve ao “paraíso”.

CURTAS

EX-MINISTRO SUSPEITO DE ESPIONAGEM. Esta semana foi revelado que dias antes o ex-ministro das Energias, Gonen Segev, foi trazido da Guiana Equatorial e preso pela SHABAC (Serviço de Segurança Geral) sob a suspeita de espionagem e/ou traição à pátria. Previamente, durante 9 dias ele foi interrogado até ser anunciada a sua prisão. As acusações que pesam sobre ele são de contatar o Irã, visitar este país duas vezes, receber material para se comunicar e encontrar-se com agentes iranianos em vários lugares no mundo, fornecendo-lhes informações que ele tem sobre Israel. Gonen vive há muitos anos na Nigéria.

Quem o conhece, não ficou surpreso. Sua trajetória é interessante. Morou em Tel Adashim, onde viveu o ex-comandante do Exército de Defesa de Israel (EDI), General Rafael (Raful) Eitan. Quando ele se envolveu na política, levou consigo o jovem vizinho, médico, Gonen Segev. Raful fundou o Partido Tsomet, da direita, e, surpreendentemente, nas eleições de 1990, obteve 8 deputados, inclusive Segev.

Em 1995, Rabin quis aprovar os Acordos de Oslo e recrutou Segev, dando lhe a pasta da Energia. Nas eleições que seguiram após seu assassinato, Gonen Segev sumiu da política. Meteu-se em enrascadas, importou êxtase (“pensei que fosse chocolate M&M”), falsificou cartão de crédito, passaporte diplomático etc. Sua licença médica foi cassada e, depois de 5 anos encarcerado, o bon vivant foi parar na Nigéria. Tentou negócios e sem licença exerceu a profissão de médico.

Ele admite ter mantido contato com o Irã, alegando que era para obter informações daquele país, servindo de agente duplo. Seus conhecidos acham que assim agiu para receber dinheiro e viver em alto padrão e ou para se vingar de Israel pela cassação do diploma de médico.

ELEITO NOVO PRESIDENTE DA ORGANIZAÇÃO SIONISTA MUNDIAL. A Comissão escolheu o deputado Isaac (Buji) Herzog, do partido Trabalhista, para o termo de 4 anos. Ele substituirá no posto o dissidente russo Natan Sharansky, que serviu por 8 anos. A Organização Sionista Mundial, fundada em 1933, já teve na sua presidência personalidades de peso, como Pinchas Sapir, Moshe Sharet e David Ben Gurion. Quem não gostou nada da escolha é o premier Netanyahu, cujo candidato, o Ministro das Energias Yuval Steinmitz, recebeu só 1 voto contra 9 do seu oponente. Netanyahu pediu para reconsiderar.

PROCURADORIA GERAL CONTRA SARA NETANYAHU. Quem não aceitou chegar a um acordo é a esposa do Netanyahu. Está sendo acusada por esbanjar indevidamente cerca de 100 mil dólares em comida de renomados restaurantes, sem autorização, enquanto tinha cozinheira na residência oficial à sua disposição. Também está sendo acusada de mandar executar serviços em sua residência particular em Cesarea à custa do erário. É trágico que a rica família Netanyahu não esteja disposta a colocar a mão no bolso, nem mesmo para seus gastos pessoais. Foi lhe oferecido confessar os desvios e pagar os gastos, mas não aceitou.

HAMAS LANÇA 45 MÍSSEIS. Foi na terça (19) e destes 7 foram interceptados, os outros caíram em áreas abertas. A tensão sobe com esta nova escalada de violências. A Força Aérea de Israel contra-atacou, alvejando 25 bases da Hamas e do Jihad Islâmico. Israel atacava alvos da Hamas desabitados, de aviso, mas agora está reconsiderando, pois a Hamas faz uso de edifícios comuns para de lá lançar foguetes, usando civis inocentes de escudos humanos. Ato proibido pelas leis internacionais. Este não é o único ato de guerra. Desde o início da “guerra das pipas incendiárias”, já foram lançadas mais de 1000, sendo que 600 foram interceptadas. Cada dia há cerca de 15 a 20 incêndios que já causaram danos em 25.000 acres de terra cultivada ou de matas naturais. Além dos animais silvestres que morreram, há até colméias que queimaram e dão prejuízos a kibutzim como Yad Mordechai que produz mel e até exporta. Em outro kibutz, a fumaça asfixiou 1.000 perus.

COMANDANTE JAMAL HAKROUSH é o árabe israelense de maior patente na polícia de Israel (equivalente a major-general). Em discurso proferido no Congresso Internacional de Ministros de Segurança Pública e Defesa da Pátria (14), Hakroush acusou os deputados árabes-israelenses de não cumprirem sua missão a favor dos seus eleitores. “Eles não promoveram a minoria árabe, pelo contrário, prejudicam e aprofundam a crise de confiança, fazendo declarações extremistas. Estas não representam e não ajudam o interesse da minoria árabe, só lhes servem para estar nas manchetes. A maioria quer calma e paz (…) a sociedade árabe está em transformação e perde sua característica social. O regime de “hamula” (familiar) perde sua força entre os jovens e isto levou a sociedade árabe a um caos. Nos dois últimos anos foram recrutados 300 muçulmanos árabes, inclusive 30 mulheres, para a policia”.

A JUSTA NIKKI HALEY é a Embaixadora americana para a ONU. Nesta organização presenciou inúmeras injustiças no trato com respeito a Israel. Vivenciou e não se cala, como fazem outros embaixadores junto à ONU, inclusive o do Brasil. Ela fala alto e claro.
Nesta terça-feira (19), com o Secretário de Estado americano Mike Pompeo ao seu lado, Nikki Haley anunciou que o seu país resolveu oficialmente deixar a Comissão dos Direitos Humanos da ONU “que não faz por merecer assim o seu nome.” A justa Embaixadora Haley declarou que seu país se opõe ao artigo 7, segundo o qual condenam sistematicamente só o Estado de Israel. Só neste ano Israel já foi condenado 5 vezes e a Comissão lhe trata pior do que a Irã, Síria, Coreia do Norte, Venezuela ou China. Pompeo chamou a Comissão de “hipócrita, sem vergonha, que ajuda a violar os direitos humanos, em vez de barra-los”.

RECORDE MUNDIAL DE DESLOCADOS. A cada ano cresce o contingente de “deslocados” (refugiados) e esta tragédia humana é terrível. No final de 2017, o seu número chegou a 68,5 milhões de pessoas -1 em cada 110 pessoas do planeta. Neste ano surgiram 16,2 milhões de novos refugiados. O número total de deslocados inclui 25,4 milhões de refugiados, 40 milhões de deslocados dos seus lares no próprio país e 3,1 milhões de solicitantes de asilo. Em 2017, cinco milhões de deslocados retornaram a seus países de origem. O relatório da UNHCR enumera 5 países que contabilizam 2/3 dos refugiados. São a Síria (na foto acima refugiados de Raka) com 6,3 milhões, Afeganistão – 2,6 milhões, Sudão do Sul – 2,4 milhões, Mianmar – 1,2 milhão, Somália – 990 mil. Na América Latina há grande número de emigrantes do México para os EUA e da Venezuela para os países vizinhos.

TERMINA CURSO DE OFICIAIS DE COMBATE. Foi na Base de Treinamento #1, perto de Mitzpé Ramon. Formaram-se novos oficiais de combate. Dos cadetes, 9% são do sexo feminino. Alguns dados que podem interessar: 84% dos jovens primeiros-tenentes não pensaram no inicio do seu serviço militar em tornarem-se oficiais. A maioria são “sabras”, nascidos em Israel; 68% vivem no centro do país, 21% no norte e 11% no sul. 48% dos jovens adiaram o seu serviço por 1 ano para fazer serviço comunitário ou treinamento paramilitar. Quando estão com fome comem de tudo, mas 78% preferem frango à milanesa, 4% ração de combate, 14% cuscuz e 5% “shakshuka” (ovos misturados com verduras). 43% tomam café “turco”.

Revisão: Gabor P. Nagy

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