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Iniciativa do Memorial da Imigração Judaica – que passa a se chamar Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto – preenche lacuna de informação sobre grande tragédia da Segunda Guerra Mundial.

Considerado um dos episódios mais cruéis da história humana, o Holocausto vitimou durante a Segunda Guerra Mundial mais de 6 milhões de judeus (entre estes, 1,5 milhão de crianças), mas ainda é pouco conhecido entre os brasileiros, sobretudo os mais jovens. Partindo desta constatação, o Memorial da Imigração Judaica abrirá em São Paulo, nos primeiros dias de novembro, uma exposição permanente sobre o tema para preencher essa lacuna histórica, como forma de alertar as gerações futuras sobre esta tragédia. Com isso, passa a se chamar Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto.

“Fundado há um ano, o Memorial já recebeu a visita de mais de 8 mil alunos de escolas públicas e privadas, entre 12 e 16 anos, que demonstraram pouco conhecimento histórico sobre o tema, nos inspirando a organizar esta mostra, que agora fará parte de nosso acervo”, explica o Rabino Toive Weitman, diretor da entidade. Desde sua concepção até sua abertura, a exposição consumiu seis meses de preparação, com um eixo central: antes de ser uma exibição de objetos, fotos ou vídeos históricos, é um “evento sensorial”, na definição de Weitman. “Nossa ideia é sensibilizar o visitante, proporcionando uma volta ao passado que o leve ao encontro de períodos importantes, embora trágicos, provocando reflexões e emoções”, emenda.

“Para que jamais volte a acontecer”

Ainda que enfatize o aspecto sensorial, a exposição do Memorial também proporciona contato com objetos autênticos pertencentes às vítimas do Holocausto e doados por seus familiares que hoje residem no Brasil. “Após o fim da guerra, cerca de 300 sobreviventes do Holocausto imigraram para nosso país, iniciando uma nova vida e criando suas famílias, que gentilmente nos deram acesso a seus pertences”, explica o Rabino. Podem ser vistos desde colares de pérolas a objetos ou castiçais de metal, além de peças de vestuário e livros que os nazistas queimavam por considerá-los inimigos de seu regime.

Uma seção especialmente comovente é aquela que exibe desenhos feitos por crianças prisioneiras dos campos de concentração, que retratam cenas observadas durante sua terrível estadia naqueles locais. A exposição ainda oferece uma réplica, em tamanho natural, de um barracão de prisioneiros, e vídeos exibidos em uma sala especial, narrando episódios da época, como a “Noite dos Cristais”, quando nazistas desfecharam uma onda de ataques a judeus em várias regiões da Alemanha e da Áustria em 1938, ou filmes de propaganda feitos para exaltar o 3º. Reich.

Logo na entrada, os visitantes se deparam com a famosa – e terrível – frase do portão do campo de Auschwitz (“Arbeit Macht Frei”, ou “O trabalho liberta”), compensada em seguida pela bela foto de Anne Frank, a garota cujo diário se transformou em uma das mais conhecidas obras do período, sendo adaptado para filmes e peças de teatro.

O Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto é o primeiro e único local em São Paulo a abordar a cultura judaica, mantendo convênios com entidades similares, como o Museu do Holocausto de Curitiba, inaugurado pioneiramente em 2011. Como afirma um dos cartazes da exposição, “quando não se conhece a história, é possível que se repitam os mesmos erros, mesmo em circunstâncias e época diferentes”. Daí a necessidade de sempre lembrar o Holocausto, uma forma de “unir forças para que esse triste episódio jamais volte a acontecer com nenhum povo ou nação”.

Sobre o Memorial da Imigração Judaica (MEMIJ)

Localizado na primeira sinagoga do Estado de São Paulo (fundada em 1912), o museu guarda um amplo e valioso acervo documental destinado a valorizar a contribuição dos judeus ao desenvolvimento do Brasil. O MEMIJ visa preservar a memória judaica, oferecendo ao público um espaço ímpar para honrar a memória dos imigrantes judeus engajados na construção do Brasil. Com diversos recursos multimídia, MEMIJ convida o visitante a uma reflexão na qual história, arte, religião e cultura se fundem dentro de um ambiente especial, totalmente voltado para o conhecimento e a reflexão.

Site oficial: http://memij.com.br/