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Fazem exatamente 74 anos. A fortaleza nazista de Monte Castelo foi conquistada pelas tropas brasileiras em meio ao rigoroso inverno. Estava rompida a Linha Gótica, uma rede de fortificações estabelecida pelos alemães nos cumes dos Apeninos, e que barrava o avanço dos exércitos aliados em direção ao Norte da Itália, abrindo caminho para a França, Austria e Alemanha.

Entre os 25 mil integrantes da FEB – Força Expedicionaria Brasileira, diversos militares corriam duplo perigo: o de uma guerra, e o de serem judeus, passiveis de execução sumária pelos nazistas. Entre eles varios foram condecorados por bravura em combate, Neste dia, a melhor homenagem que poderemos prestar, será recordar alguns destes bravos soldados.

Um pelotão do Regimento Sampaio, comandado pelo Tenente Humberto Gerardo Moretzsohn Brandi foi a primeira tropa brasileira e aliada a ocupar a crista do Monte Castello. Brandi era descendente de David Moretzsohn Campista (1863-1911), Ministro da Fazenda de Afonso Pena.

Os irmãos Tenentes Moyses e Alberto Chahon eram do Regimento Sampaio. Moyses foi um dos poucos brasileiros que recebeu a Silver Star, do Exército Americano. O Tenente Coronel Waldemar Levy Cardoso, mais tarde Marechal, recebeu a Bronze Star, tendo comandado um Grupo de Artilharia.

Tenente Salomão Malina, do 11º. Regimento de Infantaria, comandou o Pelotão de Desminagem, evitando que as minas alemãs fizessem mais vítimas, entre mortos e mutilados, em atividade extremamente perigosa. O Presidente da Republica outorgou-lhe a Cruz de Combate de 1ª. Classe.

Tenente Salli Szajnferber, Comandante de Linha de Fogo e Observador Avançado da Artilharia. Recebeu a Cruz de Combate de 1ª. Classe. Capitão Samuel Kicis, comandou uma Bateria com 200 homens, de grande poder de fogo. Foi condecorado com a Cruz de Combate de 2ª Classe.

Boris Schnaiderman, Sargento de Artilharia, maior autoridade em literatura russa no Brasil. Carlos Scliar, Cabo de Artilharia, um dos grandes mestres brasileiros da gravura e da pintura. Jacob Gorender, Soldado do Regimento Sampaio, autor de “Combate nas Trevas”.

O tempo passou, mas o significado da batalha de Monte Castello está cada vez mais atual. A luta ainda não terminou, pois ainda hoje há quem enxergue aspectos positivos na ditadura de Hitler, nem faltam anti-semitas e negadores do Holocausto.

Aqui portanto, recordamos e prestamos singela homenagem aos Pracinhas da FEB, conquistadores de Monte Castello, e a todos os brasileiros que ajudaram a liquidar o nazismo, deixando suas vidas em uma terra distante, aos mártires sacrificados nas câmaras de gás da Europa ocupada, aos partisans que pereceram em terras geladas e nas prisões da Gestapo, aos que desapareceram nos mares sem jamais ter um tumulo.

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Israel Blajberg
Há 10 séculos seus antepassados paternos saíram de Bleiberg, na Carinthia (Áustria), firmes como o chumbo (Blei) e imponentes como a montanha (Berg), entrando na Polônia sob o Grande Rei Kazimierz. Teve a honra de ser o primeiro Blajberg nascido no Brasil (Rio de Janeiro, 1945), estando hoje a família na terceira geração verde-e-amarela. Professor da UFRJ e UFF e Engenheiro do BNDES, aposentado em 2015. Palestrante e Autor de livros e artigos sobre Historia do Brasil, Militar, Judaica, Genealogia e Viagens. Membro das Ordens do Mérito da Defesa, Naval, Militar e Aeronáutico, e Medalha Pro-Memoria da Republica da Polônia.