Einstein contabiliza mais de 1.100 transplantes de fígado pelo SUS. Programa do Instituto Israelita de Responsabilidade Social é responsável pelo maior número de transplantes de fígado da América Latina.
O Programa Integrado de Transplante de Órgãos – do Instituto Israelita de Responsabilidade Social (IIRS) do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) – se destaca na medicina brasileira por ocupar o primeiro lugar no número de transplantes de fígado realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em janeiro deste ano, atingiu a marca de 1.000 intervenções, superando os Estados Unidos e tornando o Einstein o primeiro do mundo na realização de transplantes hepáticos. Neste primeiro semestre, já foram realizados 106 procedimentos.
Desde 2002, o Einstein é credenciado pelo Sistema Nacional de Transplante (SNT) para a realização de cirurgias de transplante pelo SUS. A partir daí, a instituição tornou-se responsável pelo maior número de transplantes de fígado da América Latina. De lá para cá, no total, foram 1.109 procedimentos realizados pela filantropia. Quando somados os transplantes de rim, pâncreas, pâncreas-rim, coração e pulmão, esse número salta para 1.945. E, se acrescentarmos os procedimentos custeados pelos convênios e seguradoras e particulares, esse montante passa para 2.069.
“A demanda, pelo SUS, é muito maior, claro. Afinal, atende pessoas que, sem essa ajuda, não teriam condições de arcar com as despesas de uma cirurgia desse porte e acabariam morrendo”, explica Ben-Hur Ferraz Neto, gerente-médico do Programa Integrado de Transplante de Órgãos do HIAE. “Atingir esse número demonstra o sucesso desse programa, criado para ajudar a população e dar acesso às melhores práticas cirúrgicas possíveis”, acrescenta.
Acompanhamento
A partir do momento em que o indivíduo é encaminhado ao Einstein, por médicos de todas as regiões do País, ele se torna um paciente do hospital para sempre. O acompanhamento começa na primeira avaliação, segue pelo tempo em que fica na lista de espera por um órgão e permanece por todo o período pós-transplante. Uma vez por mês, o Einstein realiza reuniões com os pacientes e familiares que esperam ser chamados para o transplante. Uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e até dentistas esclarece dúvidas e ressalta a importância de cuidados com a saúde.
Os dentistas, por exemplo, falam a importância da saúde bucal, já que a cavidade oral e os dentes podem ser focos de infecção e disseminar problemas para o resto do corpo. As nutricionistas oferecem o serviço de avaliação nutricional pré e pós-transplante, já que é preciso manter-se o mais saudável possível para a cirurgia
e, depois, ter uma boa evolução com o novo órgão. Sistema de Transplantes brasileiro – É o maior sistema público de transplantes do mundo. Mais de 95% dos transplantes são financiados pelo SUS. Além disso, viabiliza a distribuição dos medicamentos anti-rejeição (imunossupressores) por toda a vida do paciente transplantado.
O problema da doação
No Brasil, a média do número de doadores de órgãos, em 2009, foi de 8,6 a cada milhão de pessoas. O ideal seria de 20 doadores a cada milhão. Em países como a Espanha, por exemplo, o número de doadores chega a 40 por cada milhão de cidadãos.
Capacitação de recursos humanos
Para os profissionais do Einstein, ainda mais importante do que comemorar o número de transplantes realizados pelo SUS é manter as suas iniciativas pioneiras na capacitação de profissionais para o aumento da doação de órgãos no país. Uma das frentes de trabalho é o curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Doação, Captação e Transplante de Órgãos e Tecidos, que tem duração de um ano, é multiprofissional e visa à formação de coordenadores intra-hospitalares de transplantes. “Nosso objetivo é treinar profissionais de todo o país e fazê-los conhecerem a legislação, o funcionamento do sistema, a ética que deve ser aplicada e as formas possíveis de transformar um paciente com morte encefálica em doador”, explica o enfermeiro Tadeu Thomé, coordenador de Projetos do Programa Integrado de Transplante de Órgãos do HIAE.
Simulação realística
Outra forma de trabalho que o Einstein encontrou foi elaborar um curso especial para treinar profissionais da área da saúde em abordagem familiar e na manutenção hemodinâmica de doadores de órgãos e tecidos. São dois dias de curso, com aulas práticas e teóricas, no Centro de Simulação Realística (CRS), do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa (IIEP) da instituição. Para as comissões de transplantes são criados cenários com robôs, para procedimentos clínicos, e cenários com atores, para treinamento comportamental, como entrevista com familiar doador adulto ou entrevista com familiar doador criança. Há também treinamento teórico sobre o processo de doação-transplante, identificação de potenciais doadores, diagnóstico de morte encefálica, manutenção do potencial doador, critérios de viabilidade de doadores, entre outros.

























