O marqueteiro James Carville cunhou a frase “É a economia, idiota!” para explicar a vitória de Bill Clinton sobre Bush pai, nas eleições americanas de 1992. Lembramos da frase, agora, quando Fidel Castro, o antigo ditador cubano e ainda influente, convoca um jornalista judeu americano, Jeffrey Goldberg, para dar uma entrevista, considerando um artigo deste jornalista publicado no The Atlantic, sobre um possível ataque ao Irã e seus desdobramentos. Apesar de existirem muitos artigos especulativos sobre a possibilidade de um ataque ao Irã nuclear, foi justamente Goldberg o convidado. E Fidel falou sobre Cuba, contra o antissemitismo e contra o Presidente do Irã no que toca à negação do Holocausto e contra um ataque ao Irã. Seguramente devemos entender que Fidel desejava dar um recado. Qual é o recado ou recados?
A frase de Fidel de que “o modelo cubano não serve mais nem para nós mesmos” correu o mundo, numa clara alusão à derrocada de Cuba, empanando o restante do que fora dito. Fidel já procurou suavizar o efeito da frase, declarando, posteriormente, de que sua ironia não fora entendida, mas não negou a frase. O efeito da frase foi, à semelhança da “Queda do Muro de Berlin”, a “Queda do Paredón”. Os recados são evidentes: Cuba precisa de ajuda econômica e quer o apoio dos americanos, especialmente dos judeus, porque, como qualquer antissemita pensa, os judeus tem dinheiro e controlam o dinheiro do mundo.
Portanto, podemos dizer, também: “é a economia, idiota”. Os antissemitas também acham que os judeus comandam a política americana e, assim, com a proclamação de simpatia aos judeus, poderão mudá-la em relação a Cuba. O outro recado vem do Irã, que também quer ajuda americana, não quer sofrer um ataque, porque um ataque seria mortal para Irã, embora o Irã estaria disposto a fazer grandes estragos pelo mundo afora e, especialmente, em Israel. O Irã sofrerá internamente e Ahmadinejad poderá acabar como Saddam Hussein, visto existir forte oposição interna e que aproveitaria para ajudar a derrubar o regime.
Assim, melhor deixar o Irã de lado, que continuaria sua marcha para a construção da bomba atômica para se tornar o maior poder sobre os muçulmanos que, desta forma, terão de se dobrar aos aiatolás. Estaria Fidel junto com Ahmadinejad, tal qual o Presidente Lula? Seria Fidel o mentor de Lula na aproximação com o Irã? As dúvidas tem razão de existir, porque há um encaixe nas políticas. Fidel não pretende ser apenas simpático a um jornalista e dar-lhe material para furo jornalístico. O recado foi dado: Ahmadinejad deixar de perseguir os judeus, pelo menos por agora, como em qualquer outro pacto, para poder ser rasgado mais adiante, mas ganha tempo, como Hitler ganhou tempo em Munique e no Pacto de 1939 com Stalin, para juntos lançarem a Segunda Guerra para dominar a Europa. A história serve para nos indicar cautela. O próprio Fidel disse que “os judeus são os que mais sofrem.
São acusados de tudo; ninguém acusa os muçulmanos de nada, só os judeus”, mesmo que Fidel tenha sempre estado contra os Estados Unidos e Israel. No momento, Fidel mudou. De qualquer modo, foi interessante ter mudado. Assim como a Inglaterra foi favorável ao restabelecimento do Estado Judeu na Palestina, com a “Declaração Balfour” em 1917, mas depois mudou. Recente livro de Anthony Julius conta a “A História do Antissemitismo na Inglaterra”, por mais de 1000 anos, de Shakespeare a Orwell.
Mudaria Ahmadinejad? Mudou Fidel? O efeito foi imediato. Hugo Chávez disse, logo depois, de que nunca foi antissemita e chamou para encontro o Presidente da Confederação Israelita da Venezuela para expressar sua simpatia. Uma nova onda está varrendo o mundo. Seria presente do Ano Novo judaico de 5771? Bem, no fim da semana é Yom Kipur e esperamos sermos todos confirmados, e com firma reconhecida pelo Eterno, para mais um ano que, assim esperamos, trará a Paz, com as possíveis mudanças.
Shaná Tová!


























