COMPARTILHAR

A onda migratória judaica da Polônia para o Brasil começou no início do século XX. A contribuição desses imigrantes e seus descendentes para o Brasil tem sido fantástica em todos os campos. Tantos intelectuais famosos, proeminentes profissionais, ícones da intelligenzzia brasileira, descendem daqueles judeus piedosos, que perambulavam pelas vielas do interior da Polonia.

Brasil e Polônia, geograficamente distantes, fortemente unidos pelo vínculo humano da imigração, que em 2019 completa 150 anos. O Brasil foi o primeiro país da América Latina a reconhecer a independência da Polônia. Em 2020, 100 anos de relações diplomáticas serão celebrados. Na América Latina, o Brasil é o país com o maior número de descendentes de poloneses, cerca de 2 milhões. Curitiba, ou Kurytyba, é a segunda cidade mais polonesa fora da Polônia.

Embora a grande imigração polonesa para o Brasil tenha começado apenas quatro séculos depois, Gaspar da Gama (Kasper), judeu de Poznan, foi o primeiro polonês a pisar terra brasileira, chegando em 1500 com Cabral
Somente em 1629 haveria notícias de outro polonês, o almirante Krzysztof Arciszewski (1592-1656), comandante da frota holandesa que invadiu o Nordeste do Brasil, sob as ordens da Companhia das Índias Ocidentais.

As estimativas são de que em 1938 havia quase 20 mil judeus poloneses, a maioria no Rio e São Paulo. Hoje existem cerca de 120 mil judeus no Brasil, dos quais uma parte considerável é de origem polonesa, dos quais a seguir destacamos uma pequena amostra desse extenso universo.

  • Alfredo Syrkis, político e jornalista, nascido em 1950. Militante da luta armada contra o governo militar. Depois de voltar do exílio, tornou-se conhecido ambientalista.
  • Anna Bella Geiger – Escultora, pintora, gravadora. Seus pais moravam em Ostrowiec. Aos 84 anos, ela é uma das artistas brasileiras mais reconhecidas no mundo.
  • Arnaldo Niskier – Professor, escritor e ex-presidente da Academia Brasileira de Literatura.
  • Berta Loran – Atriz de teatro e TV. Seu nome verdadeiro é Basza Ajs. Nascido em 1926 em Varsóvia. Em 1937, aos sete anos, Berta imigrou com seus pais e cinco irmãos para o Brasil.
  • Carlos Minc Baumfeld – ex-ministro do Meio Ambiente. Minc é neto de Isidoro Baumfeld, de Ostrowiec. Combateu o desmatamento da Amazônia. Atualmente é deputado estadual do Rio de Janeiro. Como membro do Partido Verde, nunca perdeu uma eleição.
  • Fayga Ostrower, Gravadora, pintora, ilustradora. Figura proeminente na arte brasileira, Fayga nasceu em Lodz em 1920, chegando ao Brasil em 1934. Faleceu em 2001.
  • Felicja Blumenthal – pianista, chegou em 1942, durante os terríveis torpedeamentos de navios brasileiros por submarinos nazistas. A renda dos seus era destinada às famílias das quase 1.100 vítimas.
  • Franz Krajcberg – Pintor, escultor, gravador, fotógrafo. Nascido em Kozienice em 1921, morreu em 2017. Tendo perdido toda a sua família na Segunda Guerra Mundial, chegou ao Brasil em 1948.
  • Jaime Lerner – arquiteto e político. Nascido em Curitiba em 1937, veio de uma família de imigrantes judeus poloneses de Łódź. Prefeito de Curitiba três vezes (1971 – 93) e governador do Paraná duas vezes (1995 – 2003).
  • Jaques Wagner – político, foi deputado federal e ministro da Defesa. Seu pai deixou Ostrowiec pouco antes da invasão da Polônia, obtendo apenas um visto para Trinidad e Tobago, onde passou a guerra internado.
  • Julian Tuwim (1894-1953), de Lodz, viveu no Brasil de 1940 a 1941. Um dos maiores poetas e escritores de língua polonesa, menciona reminiscências da estadia no Rio de Janeiro em sua obra Flores Polonesas:
    “Hoje no Rio um dia chuvoso polonês / nuvens polonesas cobrem o céu. / Como um navio fantasma, navio sombra / hoje Łódź desembarcou no Rio. / Como sempre, a chuva me leva a andar … pela avenida? / Não. Nas ruas Krótka e Nawrot / Depois de uma centena de vezes indo e voltando.”
    Em um dos mais importantes poemas épicos da literatura polonesa – Flores da Polônia (Kwiaty Polskie) lembra com nostalgia sua infância em Lodz. Algumas estrofes desse poema se tornaram o hino da Armia Krajowa. Chegou ao Brasil em 1940, ficando até meados de 1941.
  • Sergio Besserman Vianna – Economista, seu avô, Froim Besserman, um imigrante de Krasnik, era o mais novo de nove irmãos, todos vítimas do Holocausto. Sergio é o presidente do Instituto Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
  • Zbigniew Marian Ziembiński – ator e diretor de teatro, cinema e televisão. Zimba (1908 – 1978), como era conhecido, formou uma geração inteira de atores e diretores brasileiros. Chegou ao Rio de Janeiro em 1941, como ator teatral bem conhecido da Polônia e professor de didática e dramaturgia. Considerado o pai do teatro moderno brasileiro.
Print Friendly, PDF & Email