Em carta enviada ao Congresso Judaico Latinoamericano que neste ano esteve reunido na capital argentina nos dias 17 e 18 de julho, a deputada se solidariza com os familiares das vítimas e com a comunidade judaica.
À Comunidade Judaico Argentina, Latinoamericana e Mundial
“São passados 14 anos desde o triste dia 18 de julho de 1994. Datas como estas trincam os baluartes do edifício da humanidade, causam perplexidade naqueles que acreditam na Paz e semeiam a discórdia entre os povos. O atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), precedido, dois anos antes, pelo ataque à embaixada de Israel em Buenos Aires, é uma ferida ainda aberta na comunidade judaica e no povo argentino. Quando ressoar a sirene às 9h53 nesta sexta-feira, mais uma vez o mundo lembrará do crime que permanece não esclarecido, dos criminosos que continuam impunes e das vítimas inocentes que morreram ou ficaram feridas em razão de um gesto bárbaro e covarde.
Famílias foram dilaceradas, mães perderam seus filhos sem direito a um último adeus, a América Latina ficou indignada e com medo. O povo de Israel é responsável por prodígios no mundo das artes e das ciências. Trouxe ao nosso continente belíssimas contribuições na área da medicina, da música, da economia, do direito e tantas outras. Colabora para que os nossos países sejam mais prósperos, mais soberanos e menos desiguais. Não apenas pelas contribuições, mas pelos princípios comunitários e humanistas em que acreditamos, é nosso dever trabalhar para que os judeus e todos os demais povos possam aqui viver em harmonia.
No Brasil, temos uma tradição de sincretismo religioso, de ecumenismo que permite uma convivência sadia, pacífica e mesmo construtiva entre as mais diversas tradições. Entendemos que este é um valor importantíssimo em um planeta que atravessou a fronteira do século XXI com povos que vivem o dilema entre a perda de identidade e a afirmação racista e/ou xenofobista de sua cultura. Talvez a prova de que é possível viver em Paz seja uma das mais humanizadoras contribuições que nossa pátria possa dar ao mundo moderno. E queremos dá-la.
Até quando, é o que nos perguntamos, seres humanos recorrerão a expedientes deste quilate para supostamente defender seus pontos de vista políticos? Até quando o massacre de civis será justificado em nome de uma guerra que não conhece fronteiras? Até quando a chama do ódio e da vingança será conscientemente alimentada por aqueles que duvidam da capacidade dos povos de resolver suas diferenças pelas vias pacíficas? Vimos, neste momento de pesar e reflexão, apresentar nossa solidariedade e apoio às famílias das vítimas e à toda comunidade judaica argentina. O esclarecimento deste crime bárbaro é o único bálsamo possível à dor das perdas e à sede de Justiça. Sobre eventos como este, esperamos, como fazemos no Brasil em relação às vítimas da ditadura militar, que não se esqueça, para que nunca mais aconteça.”
Maria do Rosário
Deputada Federal
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Fonte: FIRGS


























