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A ativista muçulmana-palestina de NY, Linda Sarsour provocou uma avalanche de controvérsia na semana passada quando usou o Twitter para declarar que “Jesus era um palestino de Nazaré e é descrito no Corão como um homem de pele cor de cobre com o cabelo crespo.”

Depois de várias respostas chamando-a de ignorante, ela piorou a situação dizendo que “Palestino é uma nacionalidade e não religião. Judeus viveram com palestinos em coexistência pacifica antes da criação do Estado de Israel”.

Isso provocou outro tsunami de respostas e aí ela soltou esta: “Porque estão todos aborrecidos com a verdade? Jesus nasceu em Belém… Belém fica na Palestina. Está hoje ocupada por Israel e é o lar de uma comunidade predominantemente cristã. Sim, o local de nascimento de Jesus está sob ocupação militar”.

Às vezes a gente não sabe nem por onde começar apesar desta não ser a primeira vez que ouvimos esta burrice que Jesus era palestino. Em 2014 Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina declarou que o Natal comemorava o nascimento de Jesus, um mensageiro palestino de amor, justiça e paz, que tem guiado milhões há mais de 2 mil anos”.

Muitos cristãos que visitam a Terra Santa e vão a Belém são bombardeados com declarações como estas proferidas por guias muçulmanos, incluindo que Jesus tenha sido o primeiro mártir palestino. Isto levou a praticamente a remoção de Belém como ponto turístico especialmente entre evangélicos.

Chamar Jesus de palestino é uma aberração. A Terra Santa aonde Jesus nasceu, cresceu e morreu chamava-se Judeia. Palestina foi o nome que o imperador Adriano deu à Judeia 102 anos depois da morte de Jesus, no ano de 135.

Adriano queria não só apagar a história e a memória dos judeus na região, mas tentou substitui-la ressuscitando os antigos Filisteus, um povo que havia desaparecido séculos antes e que os romanos sabiam não iriam voltar e disputar a soberania romana. Nunca houve uma “nacionalidade palestina” e aliás, até 1948, nos documentos de identidade do mandato britânico, os judeus eram denominados “palestinos” e os muçulmanos e cristãos eram apenas “árabes”.

Esta aberração pode ser comparada a dizer que Maomé era Saudita. Ele viveu na península árabe mas a família de Saud só deu seu nome à região em 1932. Ou dizer que os czares da Russia eram soviéticos. Ou que os incas tinham nacionalidade peruana. Ou que tal imperador da Babilônia era na verdade um iraquiano.

Sarsour disse que judeus viveram com palestinos em coexistência pacifica antes da criação do Estado de Israel. Mas então judeus eram separados dos palestinos. Então Jesus era judeu ou era palestino? E que coexistência pacífica foi esta antes da criação de Israel? Somente entre 1920 e 1948 houveram mais de 55 ataques contra judeus na “Palestina”, incluindo os massacres de 1929 em Hebron e Tsfat quando 133 judeus foram mortos; o ataque ao comboio do Hospital Hadassah aonde 78 enfermeiras, médicos e pacientes judeus foram assassinados; o massacre de Kfar Etzion aonde 157 agricultores judeus foram mortos, e o bombardeamento da rua Ben Yehuda quando 55 judeus perderam suas vidas, todos em 1948. É, realmente uma coexistência super pacífica.

Finalmente, Belém não está ocupada por Israel. Ela é governada pela Autoridade Palestina e não é mais o lar de uma comunidade predominantemente cristã. Desde 1995 quando Israel transferiu o controle, milhares de cristãos emigraram por causa da pressão muçulmana e hoje a cidade está completamente islamizada, os locais santos cristãos como a Igreja da Natividade controlados por muçulmanos.

O que Sarsour tentou fazer com seu tweet foi parte de um esforço deliberado para reescrever a história e a substitui-la com uma “narrativa” palestina. Tentar minar os laços dos judeus com a terra de Israel através do tweeter é ótimo. É seguro, não custa nada e se espalha o mundo afora. Mas não deixa de ser a negação da história judaica. É uma tentativa agressiva de substituição teológica, aonde a Bíblia perde credibilidade em favor do Corão e de uma história imaginária de palestinos no lugar de judeus.

De fato, o site Palestinian Media Watch compilou dezenas de declarações, de cartoons, sobre o tema “Jesus como palestino”, incluindo nos sites dos Ministérios da Autoridade Palestina e da Fatah no Facebook e Tweeter.

Mas isso não é apenas sobre a história judaica. Isso também altera o contexto do cristianismo. Se Jesus não é mais um judeu, mas um palestino, e o templo não é mais judeu, mas sempre foi de alguma forma um lugar sagrado muçulmano, mesmo séculos antes do nascimento de Maomé e do Islã, onde isso deixa os Evangélios e a Bíblia?

Como comentei na semana passada, a inauguração da Rota da Peregrinação, uma escadaria antiga para ascensão ao Segundo Templo, causou uma enxurrada de tweets, comentários e acusações. Arqueólogos identificaram a rota como o caminho usado por milhões de judeus nos tempos antigos, cumprindo o mandamento de subir ao Templo para trazer sacrifícios nos festivais da Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos. Os palestinos imediatamente reagiram, por um lado condenando todos que participaram da inauguração e por outro dizendo que esta rota era um “mito”. Se é um mito, porque enfuriar-se com a inauguração?

Eu acho que Israel deveria começar qualquer visita oficial na Cidade de David, antes do Museu do Holocausto, Yad Vashem. Isto colocaria em perspectiva o fato de Jerusalém ter sido somente a capital de estados judeus e deixa claro que Israel não começou a partir do Holocausto, como Sarsour e outros pregam. Jerusalém foi o lugar que o rei Davi escolheu como sua capital há milhares de anos. E se precisássemos pedir desculpas a alguém por “judaizar a cidade”, seria só aos Jebuseus, um povo cananita de quem David conquistou a cidade. Talvez na próxima rodada, os palestinos digam que eles são na verdade Jebuseus.

O tweet de Linda Sarsour sobre Jesus ter sido palestino é definitivamente parte de uma tendência. Mas sua razão para acirrar a discussão é que foi surpreendente. Ela finalmente tweetou que: “pessoas reportaram meu tweet ao Tweeter, que Jesus era um palestino. O Twitter obviamente disse que isso não viola seus padrões. Também é verdade. Jesus nasceu em Belém, que fica na Palestina. Vamos em frente.”

Bem, aí está. A nova Bíblia para acompanhar a revisada história bíblica é o Twitter. Se o Twitter permite sua publicação então é verdade.

Isso é tão preocupante quanto o tweet original. Alguém como Sarsour pode lançar uma ideia – por mais absurda que seja – e ver como se sai no espaço cibernético. Não há necessidade de checagem de fatos. Não há necessidade de responsabilidade. Quanto mais seguidores tiver, mais real esta ideia se tornará.

Esta não é uma guerra sobre a história, mas uma guerra contra a história – uma batalha politica e estratégica muito bem pensada e concebida. E se houver pressão contra, é só apagar a porção ofensiva, colocar uma desculpa esfarrapada reclamando ser vitima de islamofobia dos que protestam, e tudo bem.

Mas aqui está uma lição para Sarsour e seus seguidores: se você não respeita a história, está fadado a desaparecer da história.

Como o povo judeu provou em dois mil anos de diáspora, de preces e de esperanças, Israel, a Judeia, a Samaria, Jerusalém não são meros Tweets. Eles não podem ser apagados, ou como dizem deletados por mais que os palestinos repitam suas mentiras. Elas junto com seu comportamento miserável, incitação e antissemitismo não podem ser tolerados. E é por isso que não devemos parar de denunciá-los.

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