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exodo

Neste sábado à noite nos despedimos de Pessach, durante o qual vivemos momentos de muita celebração junto a nossa família. E qual a mensagem que estamos levando conosco? Hoje, existem vários apelos que enfatizam o poder da paixão. “Atenda aos seus ímpetos, acredite em seus desejos”, dizem as frases prontas. E nos perguntamos: será que essa emoção é sempre positiva e construtiva?

Nossas ações são, muitas vezes, movidas por ela e, como resultado, temos atitudes indisciplinadas e egoístas. A paixão também pode ser um problema em nossas vidas pessoais e, muitas vezes, perdemos a razão em nome dela. Não há como ignorar que esse sentimento é como uma faca de dois gumes: pode ser a energia que nos impulsiona ou uma força poderosa que nos mantêm em um ciclo autodestrutivo.

Na visão chassídica, fazemos um paralelo entre essa forma de paixão e um “Egito conceitual”. Isso porque o nome hebraico para o Egito – Mitzraim – está relacionado e contém as mesmas letras da palavra “limitações” (meitzarim). Assim, a narrativa da Torá que nos conta sobre o “êxodo do Egito” não é apenas um relato histórico. Trata-se também do caminho percorrido por cada indivíduo em seu esforço para superar as restrições da vida.

Se queremos ser livres, precisamos definir quais as dimensões que estão nos mantendo abaixo de nossos potenciais. É preciso examinar o teor de nossas paixões e nos perguntar: “O que nos anima? Que pensamentos vêm a nossa mente quando nada mais está ocupando o espaço do raciocínio?” Em outras palavras: que lugar ocupa a paixão dentro de cada um de nós? Essa autoanálise pode ser muito reveladora.

O que descobriremos é que, instintivamente, a autossatisfação é o que mantém a paixão presa a nós. “Abandonar o Egito” significa tomar as rédeas de nossas paixões e guiar-nos a um destino produtivo e equilibrado. Se queremos enfraquecer o nosso “faraó interno”, devemos rever nossas paixões, medir o que é verdadeiramente importante em nossas vidas e direcioná-las para onde queremos ir.

Pessach traz em si essa energia. Não percamos essa oportunidade tão valiosa de deixar para trás o nosso “Egito” pessoal!

Chag Sameach e Shabat Shalom!

Rabino Eliyahu e Rivky Rosenfeld

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