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Chanucá traz em si um significado muito especial e, ao longo da história judaica, sua essência tem sido evocada inúmeras vezes. Essa festa celebra, principalmente, a coragem do povo judeu de colocar em risco sua própria vida em defesa do judaísmo e da Torá. É em Chanucá que lembramos o fato de que ninguém pode interferir em nosso relacionamento com D´us e que essa “liberdade” será defendida a todo custo.

Temos conseguido manter nossas crenças apesar das inúmeras forças que tentam enfraquecê-las. Vivemos épocas de grandes crises ao longo dos milênios, mas nos tempos mais recentes, felizmente, o confronto aberto foi amenizado. Pela primeira vez em 2 mil anos, a maioria de nós vive hoje em países onde é possível praticar o judaísmo livremente. Olhando por esse ângulo, a lição de Chanucá não parece mais necessária. Engano trágico: em nosso atual estado, precisamos dessa festa mais do que nunca.

Chanucá mantém a chama de perseverança que se opõe a um inimigo diferente: no lugar de adversários externos, confrontamos os internos, evocados por nossa natureza humana. É preciso superar a apatia criada pela facilidade em todos os aspectos da vida, pois ela nos faz esquecer do quão tênue e frágil a vida é. Em outras palavras, temos ignorado o fato de que estamos vivos por causa do constante e vital sopro Divino.

Quando nos embrenhamos na luta pela existência física ou espiritual, perguntamo-nos o tempo todo: “Por que estou lutando tanto por essa vida? Qual é o seu valor e propósito?” Em circunstâncias menos difíceis, essa questão surge com menor frequência – ironicamente, quando não nos sentimos ameaçados e podemos expressar nosso judaísmo livremente, não conseguimos evocar um compromisso interno e intenso. Então chega Chanucá e nos desafia a olhar para dentro de nós mesmos para descobrir o nosso heroísmo. Não a coragem física necessária para superar a opressão e coerção religiosa, mas a sutil expressão de nossa força espiritual. A festa nos impele a exigir que nos rebelemos contra essa estática autossatisfação e, assim, extraímos sentido, propósito e sant idade de cada momento da vida com o qual D´us nos abençoa.

Que possamos todos nós, e nossas famílias, termos nossas existências iluminadas por essa festa.

Shabat Shalom e Chanucá Sameach!

Rabino Eliyahu e Rivky Rosenfeld

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