Comunidade perde um amigo: Coronel Vannutelli

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O Coronel Mario Raphael Vannutelli faleceu em Brasilia na noite de 04 abril 2017, aos 98 anos.

Por ter morado na região da Praça da Bandeira, Rua Senador Furtado, teve muitos amigos de infância judeus, e alguns foram seus colegas no Colégio Pedro II e no CPOR, como o também Veterano da FEB Tenente Marcos Galper, a quem Vannutelli considerava como um irmão.

E há 60 anos um judeu salvou Vanuttelli da febre das trincheiras, virose também conhecida como doença de Jean Barret. Ficou internado em 1954 na Casa de Saude Dr Eiras, no Rio, sob os cuidados do Dr Akerman, o mesmo que seria chamado mais tarde para assistir o Presidente Costa e Silva, por ocasião do AVC que o acometeu.

Era 16 de setembro de 1944. Exatamente 14h22min quando foi lançado contra o inimigo nazista o primeiro tiro jamais disparado pela artilharia brasileira fora do continente sul-americano, nos contrafortes dos Apeninos. No sopé do Monte Bastione um vento gelado já prenunciava os rigores do inverno que vinha chegando. Era um sábado. Faltavam dois dias para chegar o Rosh Hashaná, o novo ano que traria a Vitória para a democracia. Uma pesada barragem de fogo contra as tropas alemãs iniciou a resposta as agressões sofridas pelo Brasil, com a perda de mais de mil vidas nos torpedeamentos.

Dos quarenta oficiais do 2°. Grupo de Obuses 105 da FEB que estavam presentes naquele distante 16 de setembro MARIO RAPHAEL VANUTELLI foi o último a nos deixar. Nas comemorações do 1º. Tiro sempre re- encontrava o amigo de longa data, Tenente Marcos Galper, quase um irmão, apos incríveis 80 anos de convivência, falecido em 2011.

Galper e Vanuttelli foram vizinhos nas ruas Paissandu e Ipiranga, cursaram o Pedro II e o CPOR/RJ com tantos outros correligonarios, como Prof Moyses Genes, Salomão Malina, Busi Rosenblit, Jaime Jacubovitz, Feiga e Jayme Tiomno, Mario Scheinberg, Salomão Naslauski, Leopoldo Nachbin, Jose Carlos Tuttman, Hersh Hoineff, Francisco Kaufman, Cel Portella, Gen Portocarrero, irmão da atriz Tônia Carrero, os 3 primeiros de turma, Marcel Padilla, Salli Szanjferber, Helio Mendes. Naslauski, do Grupo Levy Cardoso, Helio Mendes, do Grupo 155 – Panasco Alvim, e outros. A simples citação dos nomes já demonstra a importância da sua contribuição para a sociedade brasileira.

Segundo Vannutelli, Galper mudou sua vida, quando ambos fizeram a Bateria Quadros em Campinho, da antiga Artilharia de Montanha, os canhões Schneider 75. A instrução para os soldados-cidadãos era a noite e nos fins de semana. Havia varios companheiros judeus. Marcos incentivou Vannutelli a fazer o CPOR, junto com o irmão Tonico, em principios da década de 40, e os 3 acabaram indo para a FEB. Na volta fizeram o COR – Curso de Oficiais da Reserva, Galper já era professor de matemática e pediu desligamento, e os irmãos Mario e Tonico continuaram, seguindo a carreira militar.

No Natal de 2014 o autor recebeu um cartão do Veterano:

“Amigo Israel! feliz ano novo… faça de conta que você é católico de mentirinha… o premier Netanyau vai aprovar essa medida… depois do Natal você retornará as origens… abraços do Vannutelli.”

Que a alma do querido ex-combatente Vannutelli se incorpore a corrente da vida eterna.

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Israel Blajberg
Há 10 séculos seus antepassados paternos saíram de Bleiberg, na Carinthia (Áustria), firmes como o chumbo (Blei) e imponentes como a montanha (Berg), entrando na Polônia sob o Grande Rei Kazimierz. Teve a honra de ser o primeiro Blajberg nascido no Brasil (Rio de Janeiro, 1945), estando hoje a família na terceira geração verde-e-amarela. Professor da UFRJ e UFF e Engenheiro do BNDES, aposentado em 2015. Palestrante e Autor de livros e artigos sobre Historia do Brasil, Militar, Judaica, Genealogia e Viagens. Membro das Ordens do Mérito da Defesa, Naval, Militar e Aeronáutico, e Medalha Pro-Memoria da Republica da Polônia.