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O teatro Anne Frank ficou pequeno para acolher o público no lançamento da Coleção “Vozes do Holocausto – Histórias de Vida”.

No domingo, 3 de dezembro, a Hebraica de São Paulo recebeu os sobreviventes da Shoah e seus familiares em um emocionante evento, homenageando-os e aos patrocinadores do projeto Vozes do Holocausto. O novo presidente Daniel Bialski falou sobre a importância de trazer o tema para dentro do Clube.

Os dois volumes tem como organizadoras as Profas. Dras. Maria Luiza Tucci Carneiro e Raquel Mizrahi e trazem 37 testemunhos.

O rabino David Weitman comparou o trabalho de ambas ao de Steven Spilberg quando este decidiu entrevistar e registrou para a posteridade testemunhos de sobreviventes do Holocausto.

Tucci Carneiro, coordenadora do LEER/USP – Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da USP agradeceu ao rabino ter possibilitado a publicação destes primeiros volumes, relatando que o ARQSHOAH já tem 305 depoimentos em vídeo.

Presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo (2015-2017) Bruno Lazkowsky ressaltou a necessidade desse trabalho, informando que quase diariamente a Fisesp recebe comunicados de antissemitismo, e que agora, com a internet, prolifera mais rapidamente.

“Quem estará sentado nessas cadeiras daqui a 20 anos?”, perguntou o recém-eleito presidente da Fisesp Luiz Kignel, ao lembrar quão fundamental é a presença da juventude, a quem caberá preservar e passar adiante as Vozes do Holocausto.

Sergio Napchan ressaltou em nome da Conib a importância de estar presente e disponível, referindo-se ao contínuo apoio da instituição a programas culturais e educacionais.

Abraham Goldstein, em nome da B’nai B’rith São Paulo agradeceu às Profas. Dras. Maria Luiza e a Raquel e à equipe do ARQSHOAH pelo registro da memória dos que passaram pelo mais terrível ato da crueldade humana. Lembrou que o nazismo foi derrotado militarmente em 1945, mas, seu ideário e inclusive, condutas discriminatórias persistem até hoje.

“Nós da B’nai B’rith temos atuado desde 2002 para que os ensinamentos dessa história sejam conhecidos e entendidos pela sociedade brasileira, essa ação não teria sido possível sem o apoio e participação da Profa. Dra. Maria Luiza Tucci Carneiro e sua equipe, com as suas preciosas pesquisas e documentos, e da Profa. Leslie Marko, através de seu expressivo e comunicador teatro, e principalmente dos depoimentos em viva voz e emoção dos sobreviventes que tem participado intensamente”.

“Queremos agradecer em nome de todas as dezenas de milhares de educadores e alunos das escolas fundamentais de São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília, que os ouviram e através de vocês muita humanidade lhes foi levada, citando os nomes dos principais colaboradores: Ben Abraham (z”L) e sua esposa Miriam, Nanete Konig, Jorge Legman, Rita Braun e Tomas Venetianer entre outros.

Recordando que ainda há muito por fazer, destacou: “Temos a responsabilidade e a missão de deixarmos registrado para as gerações atuais e futuras o legado dos que com dedicação e coragem superaram as dores e incertezas de seu passado para que possamos nos manter sensibilizados e conscientes, para que não aconteça nunca mais.”

Um inédito Certificado de Testemunho, outorgado pela Universidade de São Paulo (USP) e assinado pelo novo reitor Vahan Agopyan foi entregue aos sobreviventes que já relataram suas histórias de vida.

O evento trouxe também um alerta, é preciso obter doações para que o projeto Vozes do Holocausto sobreviva. Podem ser de pequenas ou grandes quantias, mas sem elas corre o risco de parar ainda este ano. A noite foi finalizada com a apresentação de piano da sobrevivente de 91 anos Sara Lewin e uma homenagem à profa. Tucci Carneiro.

 

via BBpress

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