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Sem nenhuma noticia prévia, no último domingo (10) chegou a Jerusalém o Ministro do Exterior do Egito, Sameh Shoukry. O enviado especial do presidente Abdel Fatah a Sisi aparentemente veio para tratar com o premier israelense, Netanyahu das negociações com os palestinos. Esta é a 1ª visita de um ministro de Estado egípcio em 9 anos.

Há poucas semanas o presidente egípcio A Sisi falou no Parlamento e clamou para que Israel e os palestinos retomem o processo de paz. Israel aceitou o desafio, mas os palestinos que querem mais pressão sobre Israel da comunidade internacional e não negociação direta estão esperando. Esperando que a França intervenia com outras nações e se esta alternativa não der certo irá a ONU onde pode até passar uma resolução de que o mundo é plano e não redondo. O govêrno de Israel rejeita a proposta francesa de que já declarou que se as negociações não derem certo, a França reconhecerá o Estado Palestino. Israel quer negociar com os palestinos e sem imposição.

O curioso nesta visita do ministro egípcio foi que a primeira a noticiar a vinda foi a agência de notícias palestina e não do Egito ou de Israel.Talvez os palestinos queriam fazer público uma visita que poderia ser sigilosa, já que êles não veem com bons olhos a intervenção egípcia no processo, mesmo que Shoukry esteve duas semanas antes em Ramallah conversando com Abbas. Pode ser que o visitante e o anfitrião queriam manter a visita sob sigilo e o anúncio palestino obrigou-os a publicar a visita apenas horas antes da sua chegada.

O Chanceler egípcio, aproveitou o final do Ramadã, que são dias de boa vontade e clamou para aproveitar a oportunidade e avançar no processo de paz. O Egito quer retornar a sua posição de líder do mundo árabe, que perdeu há muito. Poderia pedir o recomeço do processo de paz através do seu embaixador em Israel. O fato do próprio ministro vir a Jerusalém indica que há outros assuntos de importância em pauta e ainda ocultos do público.

Terroristas na Península de Sinai, da organização Ansar Beit al Maqdis, que combatem as autoridades egípcias, juraram fidelidade ao EI (Daesh) e os dois países tem interesse comum de liquida-los e não deixá-los aproximar se da fronteira com Israel. Com Hamas, o Egito tem contas, mesmo na época do presidente deposto Morsi, que era da Irmandade Muçulmana e tinham interesse comum. Hamas se aproveitava da situação e contrabandeava material bélico aos terroristas em Sinai que usavam as armas contra o exército egípcio. Interesse comum tem com o gás do Mediterraneo.

O Egito e Israel estão atravessando um tipo de “lua de mel” nas relações entre os govêrnos. Segundo a agência de notícias Bloomberg, um dia após a visita do chanceler egípcio a Israel, uma ex alta autoridade israelense lhe informou que Israel havia cooperado com o exército egípcio para atacar forças do EI em Sinai usando Aviões Não Tripulados (ANT). Há alguns anos o Egito pediu e Israel lhe concedeu autorização para reforçar suas forças militares no Sinai, com soldados, tanques e outras armas, acima do permitido pelos acordos de paz assinados pelos 2 países.

Também foi noticiado que o Vice Chefe do Estado Maior de TSAHAL, General Yair Golan confirmou :” as relações entre os exércitos do Egito e Israel são as melhores e jamais as tivemos assim no passado.Não se trata de amor ou valores comuns, é de interesses e acho que é um bom ponto de partida.”

Também a rede saudita Al Arabia divulgou que na visita do Chanceler egípcio foi discutida uma possível Conferência de Paz em Cairo com a presença de A Sisi, Netanyahu e Abbas. Fontes na Capital de Israel não confirmaram nem desmentiram a notícia, apenas salientaram que “Israel sempre está disposto a negociação direta, bi-lateral e sem prévias condições.

O problema no Egito e demais países árabes que tem relações diplomáticas com Israel e a Autoridade Palestina é que nestes países não há educação pela paz e continuam demonificando Israel e os israelenses. Só para citar alguns exemplos recentes. Deputado egípcio achou por bem convidar o embaixador de Israel no Egito para uma janta, na sua despedida e retorno a Israel. Sua falha foi publicar o fato. Resultado, o Parlamento egípcio lhe chamou de “traidor” e votou para expulsar o deputado popular.

A “OAB” egípcia condena qualquer contato com Israel e suas instituições. Até o falecido escritor egípcio e detentor de um Nobel em Literatura em 1988, Naguip Mahfouz, caiu no ostracismo depois que falou bem de Israel. Enquanto não embutir na população de que Israel existe e existirá e que o povo pode se benificiar da mútua cooperação, não haverá confiança e a paz não será verdadeira e real. Contudo, a visita do Chanceler egípcio em Jerusalém é significativa e pode ser um grande passo para normalizar as relações entre os dois países e de demais países árabes.

10 ANOS DA 2ª GUERRA DO LÍBANO

Esta semana relembramos o 10° ano do início da 2ª Guerra do Líbano (12). Nesta guerra iniciada como operação para resgatar 2 reservistas do Exército que foram emboscados e sequestrados na fronteira entre Israel e Líbano. A operação tornou-se guerra longa (em termos israelenses)de 34 dias com a morte de 121 militares e 44 civis. Hizballah estava bem preparada e como de costume colocou seu arsenal em casa de civis, usando -os como proteção.

Israel não teve alternativa, para se proteger agiu com precisão e contra atacou, mesmo no bairro de Dahia, predominante pela Hizballah em Beirute e destruiu seu quartel general e outros postos. A organização terrorista aprendeu que a qualquer ataque seu a represália será forte. Desde então, Hassan Nasrallah está se escondendo no sub-solo do terror e muito raramente aparece em público. Quando o faz é através de telões que projetam suas arrogantes ameaças. O fato é que em 10 anos pós guerra, Hizballah manteve a calma na fronteira libanesa que controla.

Nestes anos, Hizballah não mais é a mesma. De uma organização pseudo protetora do Líbano e que zela pelos palestinos, de Israel, tornou-se um exército ocupante a envio do Irã no Líbano e no Oriente Médio e é uma organização xiita. É partido político atuante no govêrno e parlamento libanês. Perdeu muitos ativistas na guerra da Síria e por outro lado obteve muita experiência na luta militar. Os xiitas perderam sua força na balança demográfica no país dos cedros com a vinda de cerca de 1 milhão de refugiados sunitas da Síria.

Hizballah é considerada uma organização terrorista pela Liga Árabe, União Européia e outros países inclusive Israel e EUA. Este país ordenou o bloqueio de contas da Hizballah e afiliadas e assim o está dessecando do sistema bancário mundial. Israel também aprendeu a lição de 10 anos atrás.Prepara seu exército para qualquer eventualidade, que acredita que virá. Só que desta vez, o Exército de Defesa de Israel (Tzahal) quer reduzir os dias de combate. Israel está atento e leva em consideração qualquer maluquice que possa vir do norte.

Em Israel, o govêrno ficou furioso ao saber que o Ministro do Exterior francês Jean Marc Ayrault esteve em Beirute e se encontrou esta semana com terroristas e deputado da Hizballah. A França que foi o país colonialista do Líbano e da Síria, mantêm ligações com Hizballah, apesar de que a União Européia considera Hizballah uma organização terrorista. A reação israelense foi :” de que evidentemente o chanceler francês não se encontraria com a ala política do EI (Daesh), pois não há distinção entre a ala militar ou política na Hizballah.

A França, infelizmente, não aprende. Mantendo contatos com terroristas não a isenta do ataque dos mesmos. Lamentàvelmente no Dia da Independência da França,(14) mais uma vez, o terror islamico atrapalhou as festas. Motorista dirigindo um caminhão em Nice, atropelou e matou no trajeto de 2 km. mais de 80 pessoas ferindo centenas.

NOVO GOVÊRNO NO REINO UNIDO

Quem dera que o comportamento fino dos políticos ingleses fosse copiado para outros países. O ex premier, David Cameron fez a besteira de convocar um referendo -que não era necessário- para a questão se o Reino Unido continua ou sai da União Européia. Perdeu na aposta. Êle e mais 500 deputados queriam manter a Inglaterra na U.E. enquanto a minoria de 150 deputados advogavam a saida. A população estava dividida e por pequena margem decidiram sair da U.E.

O premier David Cameron foi imediato decidiu deixar o posto e convocar nova disputa, que no fim não foi precisa. A porta fechou-se para Cameron e foi aberta para a conservadora Theresa May. Nascida em 1956, formou-se em Oxford e desde os seus 20 anos esteve envolvida na vida pública. No Parlamento desde 1977 pelo Partido Conservador. Nos últimos quase 7 anos foi a Ministra do Interior -que também é encarregada pela Polícia e Segurança Pública-o mais longo período no posto nos últimos 50 anos.Ela é a segunda mulher a servir neste alto posto, 26 anos após Margaret Tatcher, a” Dama de Ferro” agora é a vez de Theresa May, a “Dama de Gelo”, ambas do Partido Conservador.

A nova Primeira Ministra inglêsa é considerada pró israelense e expressou sua visão pùblicamente. Na sua primeira viagem ao Estado Judeu, em 2014, quando foi Ministra do Interior,colocou-se ao lado de Israel condenando o sequestro dos 3 jovens, que dias depois provocou a Operação Penhasco Firme. Depois desta investida militar, Theresa May disse que “todo país democrático tem que demonstrar sua capacidade de usar seus meios defensivos contra as ameaças, como as que Israel enfrenta. Por isso eu e a Inglaterra, sempre apoiaremos o direito de Israel de se defender. (…) os inimigos de Israel querem destrui-lo e Hamas usa os palestinos como escudos humanos para seus mísseis”. Quando ocorreu o ataque em Paris ao Hyper Casher, May chocada disse:” sem os judeus, a Inglaterra não seria Inglaterra”.

CURTAS

A GIGANTE EBAY COMPRA A ISRAELENSE SALES PREDICT. A famosa companhia da internete EBAY acaba de adquirir por cerca de 40 milhões de dolares a companhia israelense Sales Predict de Natania. Esta jovem companhia fundada em 2012 e que até hoje nela investiram 5 milhões de dolares, tem a capacidade de analisar o comportamento dos clientes e prever a preferência deles. Sua fundadora é a Dra. Kira Radinsky de 30 anos, formada pelo Technion e já muito jovem foi detectada como uma menina prodiga. E bay tem aumentando sua presença em Israel e emprega centenas de funcionários.

RECORDE DE VIAGENS DE ISRAELENSES AO EXTERIOR. Não há dúvidas de que o israelense gosta de viajar. Faça chuva ou faça sol em qualquer lugar no mundo sempre há israelenses. Para uma pequena população de cerca de 8.6 milhões de habitantes até parece que os turistas israelenses são de uma super potência. Dados do Escritório Geral de Estatistica de Israel mostra que nos 6 primeiros meses do ano, houve um recorde de 2,773,500 passageiros israelenses sairam do país. Aumento de 14.6% em relação ao mesmo período em 2015. Isto sem contar os meses de férias escolares de julho e agosto em que há muito mais turismo para fora. As viagens para a Europa são relativamente baratas, principalmente para países do Leste europeu e Grécia entre outros.

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