CCJ apresenta mostra de cinema sobre o Holocausto

O Centro da Cultura Judaica apresenta, a partir do dia 4 de junho, a mostra de cinema Shoá – genocídio e encarceramento: o cinema do horror com mais de 10 filmes que abordarão a temática do Holocausto. De origem hebraica, a palavra shoá significa catástrofe e designa para os judeus o triste episódio na história da humanidade ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial. O Centro reafirma seu papel questionador e traz diversos filmes que a cada dia de sua exibição estarão ligados a um tema de reflexão.

A mostra dialoga com a exposição Shoá – Reflexões por um mundo mais tolerante em cartaz no SESC Pompéia, que firmou uma parceria com o Centro da Cultura Judaica para a exibição de documentários, reconstituições, thrillers e ficções científica. As exibições buscam quebrar o silêncio que geralmente envolve o holocausto judaico e trazem o assunto para a reflexão sugerindo diferentes abordagens: o encarceramento, o julgamento dos criminosos, o preconceito, a influência do cinema e a resistência. A mostra tem o apoio da Cinemateca da Embaixada da França, Embaixada da França no Brasil e CulturesFrance.

Dentro da programação estão previstos filmes como Mensagens Para um Futuro Mais Tolerante, de Anita Pinkuss e Paulo Baroukh; Prisioneiro da grade de ferro, de Paulo Sacramento; O estranho, de Orson Welles; Monsieur Klein, de Joseph Losey; O diário de Anne Frank, de George Stevens e Amen, de Costa-Gavras.
Ainda no mês de junho, o Centro da Cultura Judaica inaugura a grande exposição da Série Israel de Candido Portinari, apresentando um recorte do conjunto de obras que o artista realizou quando foi para Israel a convite do Centro Cultural Brasil-Israel, em 1956.

SERVIÇO: CINEMA – SHOÁ, GENOCÍDIO E ENCARCERAMENTO: O CINEMA DO HORROR
Data: de 4 a 10 de junho – Teatro
Vagas: 296 pessoas
Ingresso: gratuito* (Os ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência na bilheteria do Centro e estão sujeitos à lotação do espaço)
Capacidade: 296 pessoas
Classificação: a partir de 16 anos
Endereço: Rua Oscar Freire, 2.500 (estação Sumaré do Metrô)
Tel.: (11) 3065-4333
E-mail: culturajudaica@culturajudaica.org.br
Site: www.culturajudaica.org.br
*Contribua com 1kg de alimento não perecível a ser destinado ao programa Ajuda Alimentando

PROGRAMAÇÃO

04/06 – ROMPER O SILÊNCIO
A mostra começa com o exercício, repetido diariamente, de quebrar o silêncio: “vamos falar da Shoá, o holocausto judaico?” Sempre há argumentos para não falar mais dela: já se falou muito, temos que esquecê-la, passar para outra coisa, ir adiante! Porém há ainda na Shoá, algo que desafia o nosso entendimento: o que nos levou a tal barbaridade? À medida que a nossa noção de progresso acompanhou e ajudou a cometer esses crimes, estes são atuais e se repetem.

20h00 | CURTA-METRAGEM: Avós, de Michael Wahrmann seguido do
FILME: Mensagens Para um Futuro Mais Tolerante
Dirigido por Anita Pinkuss e Paulo Baroukh, o documentário foi produzido a partir de depoimentos colhidos no Brasil para o acervo da USC Shoah Fundation Institute for Visual History and Education.

05/06 – REFLEXÕES SOBRE O ENCARCERAMENTO
O segundo dia apresenta três filmes que tratam das questões do encarceramento de inocentes: sejam os judeus recém-saídos dos campos de concentração, sem terra, presos em campos de refugiados e tentando ir para a Palestina; o encarceramento das 20 mil vítimas do Camboja dos Khmers vermelhos; ou as condições inumanas de encarceramento dos prisioneiros do Carandiru.

15h00 | FILME: Prisioneiro da grade de ferro, de Paulo Sacramento
O documentário retrata a ineficácia do sistema carcerário brasileiro, sua falha no processo de ressocialização e no sistema de prevenção. Mostra a desobediência a vários princípios constitucionais, principalmente em relação à dignidade das pessoas. Apesar de tratar de assassinos, estupradores, ladrões, entre outros, o filme revela que a condição de seres humanos não é respeitada e que os prisioneiros vivem em condições desumanas.

17h00 | FILME: O longo caminho para casa, narrado por Morgan Freeman
Tendo como base uma pesquisa histórica meticulosa, raras imagens de arquivo e depoimentos, O longo caminho para casa, documenta a jornada dos milhares de sobreviventes do Holocausto, entre 1945 e 1948. Nesses três anos que mudaram a história do século XX, os judeus deixaram os campos de refugiados da Europa para fundar o Estado de Israel em uma verdadeira odisseia.

19h00 | FILME: S21, a máquina da morte Khmer vermelho, de Rithy Pan
Sob Pol Pot e o regime Khmer Vermelho, entre 1974 e 1979, perto de 20 mil pessoas são aprisionadas, interrogadas, torturadas e posteriormente executadas no centro de detenção S21, no coração de Phnom Penh, no Camboja. Rithy Panh convenceu carrascos e vítimas a se encontrarem no mesmo lugar do antigo S21, convertido em museu do genocídio.

06/06 – REFLEXÕES SOBRE O JULGAMENTO DOS CRIMINOSOS
O terceiro dia levanta a questão do julgamento dos culpados por crimes contra a humanidade ou de guerra. Vamos apresentar vários recursos que o cinema usou para ilustrar essa questão: seja a ficção, com a apresentação de O estranho, de Orson Welles, primeiro filme a mostrar imagens de arquivo dos campos de concentração; a ficção cientifica com Os meninos do Brasil, que imagina as novas experiências do infame Mengele refugiado no Brasil); e até mesmo o documentário com A lista de Carla, retratando a batalha da juíza Carla del Ponte para julgar os crimes de guerra da ex-Iugoslávia.

15h00 | FILME: O estranho, de Orson Welles, com Edward G. Robinson
Em 1946, Wilson, da Comissão das Nações Unidas para os Crimes de Guerra, descobre que um fugitivo líder nazista, Franz Kindler, está nos Estados Unidos usando uma identidade falsa. Depois de seguir outro nazista, que deixara fugir deliberadamente, Wilson chega à cidade de Harper, Connecticut.

17h00 | FILME: Os meninos do Brasil, com Gregory Peck
Em setembro de 1974, Liebermann, caçador de nazistas, recebe um preocupante telefonema de um jovem que informa que acabou de interceptar conversações telefônicas de Josef Mengele, o médico dos campos de concentração que executava experimentos em judeus e que continuaria vivo na América do Sul. De acordo com o jovem, Mengele havia acionado o Kameradenwerk, (rede de apoio aos oficiais nazistas após a guerra) para levar a cabo um estranho trabalho: seis nazistas deveriam matar 94 homens, que compartilhavam alguns traços comuns.

19h00 | FILME: A lista de Carla, de Marcel Schupbach
No cerne do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, uma mulher, Carla del Ponte, luta para conseguir a detenção dos últimos criminosos de guerra ainda foragidos. Pela primeira vez, uma câmera entra nos bastidores do TPI e acompanha o dia a dia do trabalho do procurador e dos membros da sua equipe, de Haia até Nova York, passando por Belgrado, Zagreb e Washington.

08/06 – REFLEXÕES SOBRE O PRECONCEITO
O quarto dia mostra dois filmes nos quais o preconceito pode matar: seja o clássico Monsieur Klein, em que Alain Delon interpreta um marchand, não judeu que é confundido com um judeu e deportado; ou o jovem negro americano do filme O culpado ideal, condenado à morte por ser negro e estar no lugar errado na hora errada.

18h00 | FILME: O culpado ideal, de Jean-Xavier de Lestrade
Flórida, EUA, 7 de maio de 2000. Em Jacksonville, uma turista branca é morta com um tiro na cabeça. Duas horas mais tarde, Brenton Butler, um jovem negro de 15 anos, é preso. Formalmente identificado pelo marido da vítima, ele assina uma confissão. Retomando a investigação, seus advogados descobrem elementos estranhos que põem em dúvida as conclusões da polícia.

20h00 | FILME: Monsieur Klein, de Joseph Losey, com Alain Delon e Jeanne Moreau
Em 1942, na Paris ocupada pelos nazistas, o negociante de arte Robert Klein vê seus lucros aumentarem bastante quando judeus perseguidos lhe vendem obras de arte a preços módicos. Porém, quando outro Robert Klein começa a cometer atos misteriosos e ameaçadores na cidade, ele passa a ser perseguido pela polícia como judeu.

09/06 – REFLEXÕES SOBRE A INFLUÊNCIA DO CINEMA
O quinto dia destaca um exemplo da relação complexa entre Hollywood e a Shoá, frisando de que maneira o cinema participa da história que pretende retratar: os três Oscars que O diário de Anne Frank levou em 1959 explicam como a Anne Frank Foundation conseguiu, em 1960, comprar a casa ao lado do esconderijo que Anne Frank morou por dois anos em Amsterdã, criando assim um memorial visitado por mais de um milhão de pessoas por ano.

20h00 | FILME: O diário de Anne Frank, de George Stevens, com Millie Perkins
Otto Frank, ex-prisioneiro de um campo de concentração nazista, regressa ao lugar onde ele e sua família estavam escondidos. Ali recebe o diário de sua filha. Por meio de um flashback, a história mostra a vida da família durante dois anos no esconderijo.

10/06 – REFLEXÕES SOBRE A RESISTÊNCIA
O sexto dia resgata a atuação dos heróis invisíveis que, contra o sistema do qual faziam parte, foram os primeiros a se perguntar: “Vamos falar da Shoá, o holocausto judaico?”, iniciando o exercício que fazemos com essa mostra e que visa quebrar o silêncio. Para isso, vamos exibir o último filme de Costa-Gavras: Amen.

20h00 | FILME: Amen, de Costa-Gavras, com Mathieu Kassovitz
Durante a Segunda Guerra Mundial, um oficial da SS desenvolve um produto para tornar mais eficiente a limpeza de tanques. Seu produto, porém, é utilizado para matar os judeus nos campos de concentração. Horrorizado, ele procura o jovem padre Ricardo Fontana que, sendo de família influente, poderia solicitar a interferência do Papa Pio XII para impedir o genocídio dos judeus.

SOBRE O CENTRO DA CULTURA JUDAICA
O Centro da Cultura Judaica é um espaço de referência e convivência aberto ao público que oferece, regularmente, eventos gratuitos de música, teatro, cinema, literatura, artes plásticas, fotografia, dança e educação. Promove o respeito entre os povos com atividades interativas que levam à reflexão e à aceitação das diferenças culturais por meio da arte, além de difundir o patrimônio cultural, as tradições e as raízes do judaísmo. O Centro localiza-se ao lado do metrô Sumaré, na rua Oscar Freire, número 2.500. Funciona de terça a sábado, das 12h às 21h, e aos domingos e feriados, das 11h às 19h.
www.culturajudaica.org.br

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