Canal | Marcos Wasserman

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Israel Bagunçado

por Marcos Wasserman – Um dileto amigo do Brasil me telefona e, em tom bastante preocupado, pergunta: “Que negócio é esse que está acontecendo aí em Israel? É verdade que uns caras lá andaram cuspindo numa menina de sete anos porque ela não estava vestida decentemente?”. Não é para menos que o meu amigo ficou espantado e não conseguia acreditar no que estava sendo divulgado por todos os meios de comunicação. Leia mais

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Onda Verde Ensanguentada

por Marcos Wasserman – Os olhares do mundo estão focalizados sobre o Irã, que progride a passos acelerados no sentido de ingressar no clube exclusivo em que são sócios alguns poucos países titulares de energia nuclear bélica. Leia mais

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Holocausto, não – Shoá, sim!

por Marcos Wasserman – Tenho uma vizinha que é um modelo de alegria de viver. Leia mais

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Senhor Embaixador

por Wasserman Wasserman – Durante algumas dezenas de anos, no exercício de minhas funções pro bono, divulgando o Brasil e a sua cultura para os israelenses, tive a oportunidade de conhecer e atuar junto a uma plêiade de embaixadores brasileiros que representaram o país em Israel. Leia mais

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Fogo na Roupa

por Wasserman Wasserman – A fogueira foi apagada. Um dos mais trágicos acidentes ecológicos já ocorridos em Israel. Leia mais

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A Canoa Furada

por Marcos Wasserman – Na ordem do dia: o maior escândalo internacional que se tem notícia nos últimos anos chama-se “Wikileaks”. É também o mais espetacular prato do dia para os políticos, assustados uns e alegres outros, para gáudio geral de todos os meios de comunicação. Leia mais

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Até prova em contrário – por Marcos Wasserman

A inocência é um grande patrimônio pessoal, no que se refere à Lei. Há um princípio, praticamente universal, de que toda pessoa é inocente até prova em contrário. Será que é mesmo? Na realidade, não é bem isso o que acontece – senão, vejamos. Tomemos, a título de exemplo: você, meu caro leitor que, sem conhecê-lo, tenho a certeza absoluta de que se trata de pessoa honesta, correta, sem antecedentes criminais, sem nada que deponha contra a sua pessoa. De repente, você escorrega numa casca de banana. Em outras palavras, sem saber como e por quê, você se vê envolvido em alguma trágica situação de natureza criminal, sem que tenha nada a ver com o peixe. Leia mais

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Pesadelos Judaicos – por Marcos Wasserman

Corre pela internet a esdrúxula e fantástica notícia de que o famigerado ditador alemão Hitler “pode ter sido descendente de judeus e africanos”. Trata-se de uma nota especulativa sobre um provável fato abordado por não poucos biógrafos dele. Até aí, nada de novo. A originalidade da teoria moderna é o estudo feito através do DNA, onde um determinado cromossomo encontrado em amostras de saliva de 39 parentes daquela patética figura é igual ao encontrado entre judeus. Leia mais

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Eretz Amazônia – por Marcos Wasserman

Há poucos dias, recebi um inusitado convite, enviado pelo Portal Amazônia Judaica, para participar de uma cerimônia comemorativa dos 200 anos da presença dos judeus naquela região. Precedeu o convite um telefone amável do Sr. David Salgado, ele mesmo originário de Manaus, mas vivendo em Israel. Ele informou que a cerimônia seria num auditório ao lado da Grande Sinagoga de Jerusalém. Entre outras funções, David Salgado é também Coordenador de Projetos do Departamento de Anussim (cripto-judeu, ver www.shavei.org).

Estive uma vez em Manaus, a convite de um General que então comandava a Região Militar da Amazônia. Ele se orgulhava por fazer a patrulha de avião, e pediu-me referir aos amigos que tinha em Israel da vasta área territorial que comandava. A Terra Santa seria, comparativamente, uma pequena ilha. Para mostrar-me Manaus e arredores, um oficial, se não me falha a memória um Coronel, me acompanhava. E, assim, pude, pela primeira vez na minha vida, ver e entender o que era o Rio Amazonas. Deu para conhecer muita coisa, inclusive o local onde a tropa se exercitava na Selva Amazônica. Um dia, aquele suposto Coronel não veio e saí sozinho com o motorista. Um rapaz bem moreno, simpático, puro amazonense. Ele olhou-me através do retrovisor e disse:

– Doutor, posso fazer uma pergunta? O senhor é brasileiro, é israelita ou é de Israel?
– Sou brasileiro, judeu e vivo em Israel – respondi.

Eu estava sentado no banco de trás e não pude ver a sua fisionomia, mas me pareceu ter ele me respondido com um sorriso:

– Eu também sou descendente, quero dizer, meu avô era judeu; eu já sou católico. Aliás – a apontou com o dedo –, meu avô está enterrado aí, no Cemitério Israelita de Manaus. E, orgulhosamente, disse seu sobrenome.

É extraordinária a história dos judeus na Amazônia. Dela tomei conhecimento através do livro que intitula a presente crônica, escrito pelo Professor Samuel Benchimol, já falecido, que foi Professor Emérito da Universidade de Amazonas. É uma verdadeira saga. Poucos sabem ou podem imaginar que a presença judaica moderna na Amazônia (para não referir à que existia ao tempo pré-colonial no Brasil) teve início ainda em 1810. O Professor Benchimol fez uma pesquisa e um estudo em grande profundidade sobre os judeus na Amazônia.

Ele refere-se a dezenas de comunidades da hinterlândia. Cita os nomes, que menciono por mera curiosidade: Gurupá, Cametá, Macapá, Breves, Baião, Itaituba, Boim, Aveiros, Santarém, Óbidos, Alenquer, Monte Alegre, Juruti, Faro, Oriximiná, Parintins, Maués, Itacoatiara, Manaus, Manacapuru, Coari, Tefé, Manicoré, Humaitá, Porto Velho, Guajará-Mirim, Fortaleza do Abunã, Rio Branco, Tarauacá, Sena Madureira, Iquitos, Yurimaguas, Pucallpa, Contamana, Tarapoto, Caballococha, Letícia e outros lugares.

De onde vieram os judeus para a Amazônia? A grande maioria do Marrocos, muitos, descendentes de judeus portugueses e espanhóis expulsos pela Inquisição. Alguns de origem asquenazita. Nomes? Alguns facilmente identificáveis pela sua origem, como: Kadosh, Ansallem, Benzaken, Benchimol, Serruia, Assayag, Abekassis e muitos outros. Também encontramos nomes como Mendes, Siqueira, Pazuelo, Senna, Marques, Pinto, Alves, Bentes; e, claro, não faltaram os Levis e os Cohens.

O autor deu-se o trabalho de pesquisar e assinalar nomes de empresas comerciais criadas naquela época por aqueles imigrantes judeus. Também assinala que, no decorrer dos anos, houve grande assimilação, casamentos mistos, resultando, segundo avalia numa projeção do crescimento populacional ao longo de 100 anos, em cerca de 286.859 habitantes de ascendência judaica na Amazônia no ano de 1997. Mas Benchimol mesmo assinala: “Pode parecer um absurdo matemático, face à existência atual de 750 famílias, correspondente a 3.000 judeus praticantes”.

Voltando ao meu motorista amazonense que, depois de ter revelado a sua origem, disse que muito pouca coisa se lembrava de seus avós, embora algo tivesse ficado marcado em sua memória. Contou que o avô morava na beira do rio.

– Era amancebado – ouvi um risinho –, ao que parece, com algumas índias. Tinha muitos filhos. Já na velhice vivia da pesca. Ali, da casa dele, jogava a rede e peixe não faltava. Na casa dele tinha uma daquelas estrelas de vocês. Lembro que uma vez por ano lá se juntava toda a família. A gente passava um dia inteiro comendo do bom e do melhor e, depois, ficava, no dia seguinte, sem comer nada e sem beber!!!…

Tudo isso me leva a pensar e a considerar as pesquisas que vêm sido feitas no Brasil para tentar averiguar quantos brasileiros seriam de origem judaica. As opiniões divergem e, evidentemente, há muita especulação e fantasia a respeito.

No entanto, mencionaria apenas um seriíssimo pesquisador israelense, de uma das importantes universidades de Israel, que tem viajado várias vezes para o nordeste brasileiro. Disse ele, em uma reunião da qual participei na sua universidade, que ainda não havia terminado seu trabalho, razão pela qual não publicou, até agora, o número de descendentes de judeus no Brasil, mas que ele estimava girasse em torno de 30 milhões.

Eretz Amazônia foi, para os imigrantes judeus que lá se estabeleceram há 200 anos, considerada a Nova Terra da Promissão.

Marcos Wasserman é advogado em Israel, Brasil e Portugal, e é presidente do Centro Cultural Israel-Brasil em Tel Aviv. E-mail: mlwadvog@netvision.net.il

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Cabeleireiros sob Censura – por Marcos Wasserman

É isso mesmo, não é engano. Os cabeleireiros no Irã estão sob censura do Ministério da Cultura daquele país. Eles receberam um catálogo com fotografias de penteados masculinos admissíveis pelo Estado, sendo proibido qualquer desvio das “instruções culturais” dadas, não se permitindo, por exemplo, corte de cabelo tipo “rabo-de-cavalo”, ou “moicano”, ou qualquer coisa esdrúxula, segundo aquele ministério, que tenha sido importada do Ocidente. Tudo isso de acordo com a religião e a Lei Islâmica em vigor no Irã.

A polícia daquele país é diariamente acionada e sai às ruas a fim de impor as chamadas “leis de moralidade”. Assim, por exemplo, são presas ou advertidas mulheres que usam roupas contrárias à lei como, por exemplo, saias curtas ou muito ajustadas. Essa não é a pior das infrações ou crimes que podem ser atribuídos às mulheres naquele país, para não falar do corpo ou do rosto coberto, ou de adultério… Barbearias foram fechadas por não cumprirem a lei e lojas, que vendem ostensivamente roupas consideradas indecentes, são simplesmente fechadas e, às vezes, com violência, pela polícia.

E daí? – Alguém perguntará. Se essas são as leis deles, ninguém tem nada com isso. E se no Irã os seguidores da religião dos Bahais são perseguidos com toda violência, que atinge também, e leva à prisão, todo aquele que ousa sair às ruas participando de qualquer manifestação contra o governo, sofrendo as maiores barbaridades, infligidas pelas autoridades policiais; também alguém diria – o que é que eu tenho com isso, se são as leis deles?

Meu correio eletrônico é rico em mensagens contendo veementes protestos contra a hipocrisia que existe no mundo, que tem dois pesos e duas medidas diferentes quando se trata de Israel e de qualquer outro país. Exemplos não faltam. Piratas atuam em certos mares, atacando navios e exigindo somas exorbitantes de resgate. Quando isso acontece, a notícia é divulgada em pequenos parágrafos perdidos nas últimas páginas dos jornais, e não tem nenhuma repercussão séria.

Se um terrorista se explode em Israel matando e ferindo dezenas de pessoas, e se um terrorista se explode no Iraque matando e ferindo centenas de civis numa guerra constante entre facções muçulmanas, e se isso acontece no Afeganistão, nada é notícia importante.

E os muros? E as cercas que separam muitos países por este mundo afora, para não falar de cidades, também, divididas, num conceito que já é universal e acatado como, por exemplo, um país “X do Norte” e outro país “X do Sul”? Alguém se perturba com isso? Claro que não. Esses e muitos outros fatos merecem comentários na internet. Se em 50 países existem muros, às vezes acima de mil quilômetros de extensão, então por que em todo lugar pode e em Israel não? E se uma cidade de Israel é bombardeada com mais de 10.000 foguetes mortíferos e ninguém liga? E por que todo mundo se levanta aos brados quando esse país se defende? E se o Irã que enriquecer urânio e os aiatolás juram que é para fins pacíficos, não faltam os que acham legítimas as suas pretensões e, falando em bomba, já que Israel supostamente tem, por que os outros também não podem ter?

Posso seguir dando exemplos sem fim. Parece-me, no entanto, que é inútil seguir essa linha de comparações. A correspondência eletrônica que recebo, por mais racionais que sejam os argumentos formulados, ninguém dá a menor atenção aos brados dos que esperam faça, o mundo, justiça com Israel. É a fábula de La Fontaine, quando o cordeiro tenta convencer, inutilmente, o lobo de que não estava sujando a sua água, conforme vinha sendo acusado, aquele, afinal, apesar de todas as provas concludentes da inocência do cordeirinho, acaba por devorá-lo, pois essa era a sua finalidade. E o faz mesmo quando não tenha mais desculpas para não o fazer.

Estive no Brasil algumas semanas atrás (permitam-me o meu “jingle”) para a sessão de autógrafos por ocasião do lançamento do meu livro. Foi no auge da crise provocada pelos barcos que vieram trazer “ajuda humanitária para a população de Gaza, que estava morrendo de fome por culpa dos assassinos sionistas”… É simplesmente indescritível o que os meios de comunicação divulgaram a respeito, como se algo estarrecedor, um verdadeiro genocídio teria ocorrido em águas extraterritoriais, etc., etc.

Os comentários, os mais esdrúxulos que se possam imaginar, as fantasias publicadas adquiriram foros de realidade. Ademais, personalidades dos mais diversos setores, especialmente políticos, embarcaram nessa onda anti-israelense sem o mínimo de constrangimento. Israel teria cometido horrores. Não faltaram respeitáveis entidades que aderiram ao massacre midiático. Os ricochetes atingiram a fundo a Comunidade Judaica. A bem da boa ordem, não tenho elementos para isto afirmar. Porém, conversando com não poucos judeus, tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro, constatei que essas pessoas, se expressaram com sentimentos de angústia e até de um certo receio quanto ao seu futuro, tendo até que se defender por estarem sendo vitimizadas pelo que ocorre no Oriente Médio.

É verdade que, a esta altura dos acontecimentos, as nuvens negras carregadas nos espaços internacionais estão começando a se desanuviar e, aos poucos, a verdade, a realidade dos acontecimentos vão sendo expostos e colocadas, as coisas, nas suas devidas proporções. Entrementes, o mal está feito. Israel está com o seu prestígio maculado e nenhuma lógica, nenhum racional poderá, de momento, alterar o que foi emocionalmente criado. Diga-se de passagem que os judeus, no mundo inteiro, foram traumatizados por esses acontecimentos, em que Israel caiu numa armadilha muito bem urdida. A propaganda anti-israelense foi tão violenta que houve até meia dúzia de judeus que nela acreditaram.

Nas atuais circunstâncias, não me parece que haja qualquer possibilidade de solução em vista. Quase cem anos de conflito e, ademais, num mundo tão emaranhado como vivemos, onde não mais se distingue entre pernas e braços, nada há mais o que fazer senão aguardar, pacientemente, e ter a esperança de que o conflito israelo-palestino, como todos os semelhantes no decorrer da História, acabam por se resolver. E por que me referi acima aos cabeleireiros do Irã? Foi para apontar o absurdo dos absurdos, o ridículo que ocorre num país e dá a pauta de qual é o seu conteúdo, e por quem eles são governados.

Fica aqui uma advertência aos políticos que para lá viajarão: cuidado com suas cabeleiras e olho nas roupas de suas esposas, quando forem por elas acompanhados, para não sofrerem vexames.

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¡Y viva España! – por Marcos Wasserman

Certa vez, viajei com minha esposa para a Espanha. Queríamos conhecê-la bem e, para tanto, dedicamos um par de semanas para conhecer o país. Quero contar o que aconteceu quando chegamos a Granada. Durante o dia, era um calor intolerável. Assim que, à noite, já com o clima mais brando, saímos a passeio numa carruagem típica de uso de turistas. O cocheiro, muito simpático, enquanto manejava os seus cavalos, perguntou de onde vínhamos e o que estávamos fazendo na Espanha. Improvisei a resposta, sem pensar muito: – “Acontece que minha esposa é judia de origem espanhola e seus ancestrais viviam aqui em Granada. Por conseguinte, resolvemos vir para cá e investigar sobre os bens de raiz da família e reivindicá-los…”. Nosso simpático espanhol, se tivesse olhado para trás, teria visto que eu estava rindo de minha própria piada. Acontece que ele levou muito a sério o que eu lhe falei, e respondeu, num espanhol cheio de ‘s’: – ”Pues, se puedes provar és su derecho…”

Lembrei-me desse episódio ao ler uma notícia publicada no Jornal Aurora, que sai em Israel em língua espanhola, onde há um longo comentário sob o título de que a Espanha estava dando uma contribuição de 30 milhões de Euros para a “Nova” Palestina. Até aí, nenhuma novidade. Todos estamos cansados de saber quanto dinheiro jorra, especialmente da Europa, para as mãos das autoridades palestinas, e isso vem ocorrendo há vários anos. O que sim me chamou a atenção é a notícia inusitada, e até incompreensível, e chego a duvidar de sua autenticidade: – “ A Andaluzia proclama que o árabe será adotado como sua segunda língua estrangeira!” E o mesmo jornal refere que a Constituição Espanhola reconhece, como idiomas oficiais, também, o catalão, o euskera e o galego.

Não sei precisar a data, mas escrevi, há um certo tempo, uma crônica referindo-me ao Islã extremista, que protesta pelos seus direitos territoriais sobre a Andaluzia. Na sua extremada ideologia, pregam que onde um muçulmano pisou passa ser sempre sua propriedade. Isto explica muita coisa, mas muito pouca gente entende isso. Por outro lado, sabemos todos quanto a Espanha é ciosa de sua territorialidade e seus governos têm sido inclementes com todos os movimentos separatistas, que pregam direito a autonomia, como o caso dos bascos. Daí, é de se perguntar: qual seria a razão do atual governo espanhol ter decidido adotar o idioma árabe numa de suas regiões?

Ocorreu-me que em 11 de março de 2.004, data que foi gravada como 11-M, ocorreram ataques terroristas contra quatro comboios da rede ferroviária de Madrid. Foram dez explosões simultâneas, que provocaram a morte de 191 pessoas e mais de 1.700 feridos. De início, o governo pensou em atribuir o atentado ao ETA, mas quase em seguida ficou patente, havendo provas claras apontando nesse sentido, que o atentado teve a autoria da Al-Qaeda. Todos os terroristas autores do atentado pertenciam a uma célula islâmica e vários deles cometeram suicídio, fazendo explodir o apartamento onde tinham se entrincheirado, quando descobertos e cercados pela polícia espanhola.

O Governo Espanhol decretou três dias de luto nacional; os partidos políticos suspenderam suas campanhas eleitorais, pois estavam às vésperas de eleições; o Rei D. Juan Carlos I dirigiu-se à nação condenando os terroristas; o Parlamento Europeu declarou o dia 11 de março como o “Dia Europeu das Vítimas do Terrorismo”; a Anistia Internacional condenou os atentados; e, numa determinada estação, foi levantado um monumento às vítimas. Três anos depois, a Justiça condenou alguns terroristas sobreviventes. Um deles, um tal de Jamal Zougam, foi condenado a 30 anos de prisão pelo crime de assassinato de cada uma das vítimas dos atentados. Teve mais alguém que também teve a mesma pena. Mas, no final, a máxima, segundo a Lei Espanhola, não passaria nunca de 30 anos. (Não conheço a Lei Espanhola mas, em muitos países do mundo, os criminosos acabam sendo soltos, após cumprirem parcialmente a pena que lhes foi imposta).

Como sói acontecer, e essas são as surpresas que podem ocorrer no sistema judiciário de qualquer país, consta que um tal de Osman, vulgo “o Egípcio”, que era considerado como o principal suspeito dos atos de terror acima narrados – acabou sendo solto por falta de provas… Nesta altura, é legítima a pergunta: a troco de quê o Governo Espanhol , seis anos após de um dos mais terríveis atentados ocorridos na Espanha, perpetrado por fanáticos terroristas islâmicos, decidiu mimosear o mundo islâmico com uma prenda extraordinária, introduzindo o árabe como língua oficial na Andaluzia?

Faz lembrar a expulsão dos árabes da Península Ibérica e dos judeus, em 1.492, os últimos expulsos da Espanha. Como resultado, os judeus proclamaram um “cherem” contra a Espanha por 400 anos. Nesta altura, já decorreu o prazo do anátema e os judeus já podem voltar à Espanha tranquilamente; embora, hoje em dia, os poucos que resolveram lá viver sofrem de um virulento antissemtismo que, segundo consta, é dos mais críticos do Continente Europeu. Por outro lado, o Estado de Israel que, a rigor, seria a concretização política do Povo Judeu e, portanto, herdeiro de todas as tradições, boas ou más, jamais se atreveria a incentivar qualquer ato de violência contra a Espanha pela expulsão e embargo dos bens deixados pelos judeus à época de sua expulsão. Tampouco, não se conceberia que qualquer grupo de judeus sefaradis pudesse ter a esquizofrênica idéia, ainda que por meios pacíficos, e muito menos pela violência, de ir brigar com o Governo Espanhol por esse motivo.

No entanto, parece-nos que é normal, nos tempos em que vivemos, onde governos fazem políticas chamadas “equilibradas”, que o Governo Espanhol fizesse, de “motu proprio”, um elegante gesto para os judeus de origem espanhola, descendentes dos expulsados pela Inquisição, que o idioma hebraico fosse introduzido, simbolicamente, em alguma região da Espanha. Se isso for muito, poderia até ser, modestamente, declarado, o idioma hebreu, como o oficial no que era a Juderia de Madrid.

E poderemos, então, todos cantar: “¡Y viva España!”

Marcos Wasserman é advogado em Israel, Brasil e Portugal, e é presidente do Centro Cultural Israel-Brasil em Tel Aviv. E-mail: mlwadvog@netvision.net.il

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O Profeta Alucinado

Dia 31 de maio em SP e 09 de junho no RJ, haverá o lançamento do novo livro de Marcos Wasserman. Compareça!

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