É preciso entender o que se passa pelo mundo afora. Estamos diante de uma barbárie moderna, mas que não deixa de ser barbárie. De um lado temos Israel e os judeus permanentemente perseguidos. De nada adiantou o restabelecimento do Estado Judeu na visão sionista. O velho ódio continua, ódio que se manifestou em matanças, seja na inquisição, seja nos pogroms, seja no Holocausto, seja na condição de dhimmi, com expulsões e sempre com matanças.
Assim, nos perguntamos como religiões que pregam o bem podem descambar num fundamentalismo criminoso? Em nome da religião matavam-se judeus, colocando-os vivos em fogueiras. Em nome da religião matam-se judeus com armas modernas, foguetes, balas, minas, obuses e homens-bomba. E na esteira dessa desgraça surgem vários aspectos dessa frente comum, frente visando não só o extermínio judaico mas buscando a mudança dos valores ocidentais, valores conquistados com o permanente sofrimento da humanidade, mas valores fundamentados na cultura judaico-cristã.
Conflito de civilizações? Falar assim seria admitir que estamos tratando com civilizações. Não podemos falar em conflito de civilizações, mas de conflito entre civilização e barbárie. Tomemos um exemplo: O Senhor Ahmadinejad negando o Holocausto e dizendo que o Estado de Israel foi criado, por piedade, com base nesse fato falsificado, torna Israel ilegítimo.
Mas existem outros fatores embutidos nessa negação. O primeiro é buscar limpar a barra do nazismo: se não houve Holocausto, seus perpetradores deixam de ser bárbaros assassinos. E, conseqüentemente, Ahmadinejad se coloca como nazista. O segundo fator é atingir os judeus no seu ponto mais sensível: retira-se dos judeus sua dor incurável pelo cruel assassinato sofrido, que os destruiu não só fisicamente como culturalmente, buscando assim criar um vácuo no sofrimento. Mas existem outros objetivos: tornar os judeus mistificadores, mentindo sobre os fatos reais. Mais importante, ainda, é que o objetivo é alterar a ordem mundial, comandada pelo ocidente, destruindo toda existência nacional e, no caso específico, destruir Israel. O que se quer é alterar todo o princípio do direito ocidental; alterar a civilização judaico-cristã.
Culpar os judeus não é só uma satisfação que o Sr. Ahmadinejad quer dar ao povo iraniano, para circunscrever problemas internos; é usar um populismo para glorificação e exaltação, interna e externamente, da alteração do status quo, de alçar os valores civilizatórios do fundamentalismo islâmico, de expor a supremacia do islã xiita, mas que satisfaz também os sunitas, para quem chegar primeiro. Observa-se, ainda, uma campanha visando fazer a shari’a, a lei islâmica, compatível com o pensamento ocidental, tentando contornar as divergências insanáveis. E o ódio não tem limites. Agora mesmo, no episódio do abrigo, (na linguagem oficial), do Sr. Manuel Zelaya, na Embaixada brasileira em Honduras, este acusa os “israelitas” (outras mídias falam em israelenses) pelas interferências nas comunicações da Embaixada Brasileira em Tegucigalpa, tendo havido violenta crítica aos judeus, dizendo-se que o Holocausto não conseguiu a solução final. E Zelaya, ligado a Chávez, está também ligado à influência iraniana.
O que significa isso? Juntam-se vários interlocutores que desejam alterar a ordem mundial comandada pelas grandes potências de hoje. O Coronel Hugo Chávez vai contra os Estados Unidos. Outros dirigentes de países sulamericanos também se juntam a Chávez, que tenta se impor como líder carismático de uma América bolivariana. Uma parte da esquerda e aqueles que se autodenominam progressistas interessados no mesmo sentido, contra os Estados Unidos, seguem além, por querer eliminar a existência nacional, substituída pelo transnacionalismo. O bolivarianismo é uma forma de juntar as soberanias próximas, tornando-as uma só. Mas também existe uma direita com os mesmos interesses de criar um internacionalismo porque servirá à globalização corporativa. Ahmadinejad, Khadafi têm igual interesse para imposição de suas crenças e passam a ficar todos juntos, mas entrarão em choque depois, para ver quem terá a primazia. Sobra para alguém de fora dessa trama: os judeus.
Interessante é que aqueles que combatem a globalização, defendem a internacionalização, que não passa de uma globalização da soberania desnacionalizada. E, independente de tudo, já vivemos nessa globalização transnacionalista: a ONU, seu Conselho de Segurança que pode se impor às nações, as cortes internacionais com jurisdição transnacional, os tratados supranacionais, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, multiculturalismo, relativismo, apoio a grupos hostis e mesmo perigosos. E soberanias buscando impor suas leis a supostas ilegalidades cometidas em soberanias estrangeiras, por cidadãos dessas mesmas outras soberanias.
Por meio do discurso transnacional , chega-se a uma globalização política, deturpa-se a democracia, para introduzir o totalitarismo, por meio de pessoas buscando o carisma, como superhomens, ou elite dirigente, para impor a tirania, impondo lei e ordem a uma crescente maioria, que não se mostra esclarecida, reduzindo todo o discurso a problemas de maioria e minoria, assim criando as bases para mais estatismo, governos mais amplos, em suma, tirania. E deturpa-se a democracia, por meio de plebiscitos, como forma de alardear a participação direta do povo, participação para usurpar a democracia, contornando as dificuldades impostas pela lei existente. E em matéria de tirania não sobra lugar para os judeus.
























