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Lula e o Islã – por Jayme Copstein

Há um provérbio da sabedoria islâmica que seria deveras proveitoso ao presidente Lula, caso ele cultivasse o hábito de ler alguma coisa: “Não digas tudo que sabes, não faças tudo que podes, não creias em tudo que ouves e não gastes tudo que ganhas. Quem diz tudo que sabe e faz tudo que pode, acredita em tudo que ouve e gasta tudo que ganha. Muitas vezes diz o que não convém, faz o que não deve, julga o que não vê e gasta o que não pode”.

Enquanto as coisas permanecem no reino das palavras, nada mais resulta senão ridículo. Convocar os ministros da Fazenda e os presidentes de Banco Central dos 192 países membros da ONU para resolver a crise de 2008 apenas fez o planeta inteiro gargalhar. Dizer que o “amigo” Kadhafi é parecido com o Cauby Peixoto, fez rir seus assessores mas lembrou outro provérbio, este da sabedoria judaica: “Deus me guarde dos amigos, que dos inimigos me cuido eu”.

O fiasco de Honduras, a tola papagaiada da mediação do conflito do Oriente Médio ou o apoio à repressão da ditadura cubana aos dissidentes políticos, tudo se encaixa na primeira parte do provérbio islâmico: quem diz tudo o que sabe (e Lula sabe muito pouco), crê em tudo que ouve (de seus assessores Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia), diz o que não convém, faz o que não deve, julga o que não vê.

O problema é a segunda parte – quem gasta tudo que ganha, gasta o que não pode. Quando esse alguém é um governo, quem paga a conta é o povo que o elegeu. Os primeiros sinais de alarma estão nesta elevação dos juros (Taxa Selic), contida até agora com propósitos descaradamente eleitorais, mas inadiável para sustar o consumo do mercado interno, que já está bem acima dos níveis anteriores a 2008 (o ano da crise|), inclusive sobrecarregando as importações em um terço, enquanto não se conseguiu, até agora, recuperar a quarta parte das exportações daquele ano.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles é otimista e diz as melancias se acomodarão no andar da carreta. Com o déficit da balança de comércio exterior acumulado em março já somando 34,5 bilhões de dólares (entraram 23,3 bilhões, saíram 57,8 bilhões nos últimos 12 meses), mesmo com o aumento de 100% do aço (deve acrescentar algo em torno de 10 bilhões à receita), deduz-se que Meirelles se contaminou com a tagarelice do chefe: o país terá muita sorte se o buraco não ultrapassar os 50 bilhões de dólares até dezembro.

O Governo costuma responder a estas críticas com os 200 bilhões de dólares de reservas internacionais e a entrada de capital externo que agora funciona como válvula de escape, ao camuflar o déficit do balanço de pagamentos, e escondendo que toda a suposta prosperidade do “como nunca na história” foi produto dos investimentos estrangeiros.

Nos anos das vacas gordas, sem incentivar a poupança para consolidar o mercado interno, o Governo fez exatamente o contrário: estimulou o consumo com a poupança alheia, derramou “benemerências” ditas “sociais”, multiplicou as despesas fixas com o inchaço do funcionalismo público e derramou dinheiro às toneladas para corromper políticos e assim lhes comprar o apoio, tudo vistas à perpetuação no poder.

É algo muito próximo ao que aconteceu com a Grécia e também a também Portugal. O Brasil é uma das próximas “bolas da vez” e tudo por que seu presidente, por não gostar de ler, não fez caso de um simples provérbio da sabedoria islâmica.

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O preço do terror – por Jayme Copstein

Todos estão surpreendidos com Dzhennet Abdurakhmanova, menina de 17 anos, de feições angelicais, que qualquer pintor sacro não hesitaria em tomar como modelo para pintar ou esculpir a mais santa das criaturas a ser exibida na glória dos altares. A imprensa mundial estampou seu retrato na primeira página, no último fim de semana, e não foi por que ela tenha se rebelado contra a burka, ou o xador, ou o nigab, ou o hijab, símbolos da coisificação da mulher no fundamentalismo islâmico, tal como o cinto de castidade o era no Ocidente, ao tempo da Idade Média.

Dzhennet Abdurakhmanova tornou-se notícia de primeira página porque é uma das mulheres-bomba que se explodiram no metrô de Moscou, matando 40 pessoas. Se a imprensa mundial não fosse hipócrita e não andasse em busca de certificados “politicamente corretos” de inteligência e bom-mocismo, não haveria motivo para surpresas. Há mais de duas décadas que Israel denuncia o uso até de crianças em ações terroristas, sem que seja levado em consideração. O atentado que matou 21 adolescentes e feriu 70 pessoas em uma discoteca de Tel Aviv, em 2001, foi cometido através de uma criança que entrou correndo no recinto e foi explodida à distância, por controle remoto.

A imprensa mundial nunca investigou a fundo o que se esconde por trás da utilização de jovens para ações terroristas para não ter de revelar o “politicamente incorreto”: tal como as nossas meninas das famílias pobres do Nordeste, que proxenetas arrebanham por vinténs para explorá-las na prostituição, as adolescentes suicidas do fundamentalismo islâmico são compradas por 2.500 dólares, cabendo a seus pais e a seus irmãos a tarefa de convencê-las a sacrificar a vida por Alá.

Recentemente, o portal de BBC Brasil noticiou que Meena. menina de 13 anos, fugiu porque seu pai e seu irmão, supostos simpatizantes do Talibã, tentaram transformá-la em militante suicida no Paquistão. Ameaçada de morte, argumentando que as pessoas a quem iria matar eram também muçulmanos, ela fugiu quando o depósito de explosivos da família, onde as bombas eram fabricada, explodiu, bombardeado por um helicóptero.

Coisas assim são sabidas há muito tempo, mas é informação sonegada do noticiário. Podem ser que venham agora à luz porque o impacto do atentado no metrô de Moscou deve-se não somente às 40 pessoas trucidadas pela suicida, mas a que tenha acontecido na Rússia, ainda considerada a Jerusalém de Ouro da esquerda demente, que espera ali reconstituir, um dia, a sua “pátria do socialismo”, com toda a opressão e violência que a extinta URSS, tal como os nazistas, exerceu contra os povos que escravizou.

Como bem e profeticamente escreveu George Orwell, “os comunistas podem ter pervertido seus objetivos, mas não perderam sua mística. A crenças de que eles, e somente eles, são os salvadores da humanidade permanece inquestionável como sempre”. Assim desmascarada, a esquerda demente não tinha como gosta de Orwell. Por isso o detesta e o difama como politicamente incorreto.

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Lula e a ONU – por Jayme Copstein

Não me passa pela cabeça nenhum argumento favorável ou contrário à eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Secretaria-Geral da ONU. Tanto faz como tanto fez. Lembro-me de Freud, quando lhe ofereceram certa honraria, perguntando: “O que se faz com isso?” Freud, ao contrário de Lula, mesmo porque não tinha nenhum Marco Aurélio Garcia a tiracolo, não andava atrás de honrarias, mas leio nos jornais que a eleição de Lula para o cargo mostraria o prestígio internacional que o Brasil conquistou em seus oito anos de mandato.

Desde que a ONU foi criada, em 1946, o cargo teve oito ocupantes: três europeus (Trygve Lie, norueguês; Dag Hammarskjöld, sueco; e Kurt Waldheim, austríaco), um latino-americano (Javier Pérez de Cuéllar, peruano), dois africanos (Boutros Boutros-Ghali, egípcio; e Kofi Annan, ganês) e dois asiáticos (U Thant, birmanês: e o atual titular, Ban ki-Moon, sul-coreano.

Não consta que qualquer desses nomes tenha resultado do prestígio internacional de seus respectivos países. Duvido muito que alguém se lembre, sem ir correndo à Wikipedia, quem foram eles e o que fizeram, com exceção de Kofi Annan, cujo nome ainda deve soar nos ouvidos porque andou diariamente na mídia entre 1997 e 2007, no auge da crise mundial provocada pela invasão do Iraque pelos norte-americanos. Não demora a ser incluído no “Kofy quem?”

De todos, só de Dag Hammarskjöld é que se pode dizer que realmente foi um estadista pelos “incêndios” que apagou nos anos de mandato, interrompido em 1961 pela morte em acidente de aviação. O austríaco Kurt Waldheim não escapou de acusações de nazismo na juventude e o próprio Kofi Annam esteve na berlinda por suspeitas de corrupção praticada por seu filho, sem nada ser comprovado.

O primeiro da lista, Trygve Lie, tentou por todas as formas conciliar os interesses norte-americanos e soviéticos, mas foi tão insultado por ambos, que acabou se demitindo. Foi quando surgiu a piada sobre a inutilidade da ONU: “Se um grande briga com um pequeno, a ONU fica ao lado do grande; se dois pequenos brigam, a ONU não liga para eles; e se dois grandes brigam, eles não ligam para a ONU”.

Duvidoso, portanto, que a secretaria-geral da ONU vá trazer alguma projeção ao Brasil. Proveito pessoal a Lula, é possível, como a presidência da Fifa trouxe para João Havellange, sem que isso se refletisse em nosso futebol. Contrastando com as três copas Jules Rimet, conquistadas enquanto presidiu a CBF, só tivemos uma vitória, em 1994, durante os 24 anos em que liderou a federação mundial.

O currículo de Lula, com a entrega de dois boxeadores à polícia de Castro, o asilo ao terrorista italiano Cesare Battisti, o fiasco de Honduras, a cumplicidade com o desrespeito aos direitos humanos em Cuba, a recusa de assistir à posse do presidente Sebastián Piñera no Chile, por ser “de direita”, e a mão boba mexendo no vespeiro do Oriente Médio, não inspiram bons presságios para uma carreira na diplomacia internacional.

A propósito

Segundo me informa o jornalista Nahum Sirotsky, o secretario geral, Ban ki-Moon, está no Oriente Médio, vindo de Moscou, e trouxe recado do Quarteto (EUA, Rússia, União Europeia e ONU): esperam retomada de entendimentos entre Israel e Palestinos para viabilizar negociações diretas de paz em no máximo quatro meses. E que o Hamas pare de lançar foguetes sobre Israel. É para que serve o secretário-geral da ONU. Será que Lula e Marco Aurélio Garcia, o Metternich da Azenha, sabem disso?

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Dreyfus e o antissemitismo – por Jayme Copstein

Sérgio Chaves, de Porto Alegre, discorda ter havido antissemitismo no Caso Dreyfus (A escolha de Lula, coluna de ontem, 17/03) que impactou a França e o mundo ocidental entre 1894 e ainda hoje divide opiniões. Chaves escreve: “Li sua coluna desta data. No que respeita ao desconhecimento das nossas autoridades sobre o Sionismo, perfeita. Nosso presidente, por mal aconselhado, talvez, cometeu uma descortesia para com o Estado de Israel. Estudo o caso Dreyfus há cinquenta anos. Li tudo o que me caiu às mãos. Conheci a filha Jeanne (falecida em 1981). O processo é uma peça que hoje não resistiria aos argumentos de um rábula. Há nas sentenças (foram quatro) evidências de açodamento e encobrimento covarde de algumas personagens. Mas nada de antissemitismo. Certo, o “caso” desencadeou uma certa movimentação antissemita, ou melhor deu mais evidência ao que já existia mormente pela derrota de 1870 e Dreyfus era natural da Alsácia. Detalhe: O capitão Alfred Dreyfus jamais cita o fato de ser de religião judaica nem era praticante. E a família Dreyfus sempre demonstrou amor pela França.”

Agradeço a Sérgio Chaves, a cortesia com que coloca a sua discordância. Também me dedico há anos, não só ao Caso Dreyfus, mas ao antissemitismo dos séculos 18 e 19. Publiquei extensos artigos a respeito no velho Correio do Povo, na década de 1970. Não é apenas o fato de a condição judaica de Dreyfus ter desencadeado não “uma certa movimentação” – e aí temos a discordância – mas violenta campanha antissemítica na França, com a multidão gritando “Morte aos judeus!” no julgamento de Emile Zola, que não era judeu, condenado por ter denunciado a ignomínia do Estado Maior Francês, contra um oficial de vida exemplar.

Aliás, no tudo que se puder ler a respeito há de faltar sempre a documentação do próprio Estado Maior Francês, mantida secreta, até hoje, decorridos já mais de cem anos. A chave do enigma está ali. Há coincidência, em primeiro lugar, entre a eclosão do Caso Dreyfus e as primeiras versões dos “Protocolos dos Sábios do Sião”, fraude racista, comprovadamente de autoria do agente secreto da Rússia Tzarista, Piotor Rachkowsky, denunciando suposta conspiração judaica para dominar o mundo. Moscou tentava, na ocasião, aliança com Paris, para se expandir pela Ásia.

O Caso Dreyfus resultou da tramóia para sensibilizar os nostálgicos da monarquia, entre os quais estava o clero francês, incitando seu antissemitismo, já antigo e manifesto desde que Napoleão emancipar os judeus franceses. Era a aliança contra o perigo judaico.

Fantasia de quem se impressiona com romances de espionagem? Nem tanto: o Caso Dreyfus começou, em setembro de 1894, com um bilhete em papel azul, sem assinatura, contendo informações sobre a defesa nacional francesa. Tal bilhete, logo atribuído a Dreyfus, apesar da caligrafia não ter sido autenticada por peritos, fora obtido por uma “agente francesa” infiltrada como faxineira na casa do adido militar alemão Von Schwartzkoppen. Ela o encontrara na cesta de lixo, entre os papéis jogados fora.

Convenhamos: um adido militar que joga na lata do lixo a informação de seu espião é um imbecil. Comprovou-se, depois, que a caligrafia era de outro oficial, de origem húngara, Esterhazy, protegido do Estado Maior. Ele nunca foi expulso do Exército. Estranhamente, mudou-se depois para a Inglaterra, onde viveu confortavelmente como correspondente de jornais antijudaicos de Paris.

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A escolha de Lula – por Jayme Copstein

Não há ninguém que não deseje a paz para o conflito do Oriente Médio, até mesmo por algum milagre. O cansaço do mundo está à espera de uma solução para dar fim às tragédias que ali se confrontam há mais de 50 anos. Não há, pois, nenhuma restrição às tentativas do Presidente do Brasil de promover o entendimento entre dois povos que, tivessem conseguido conviver em paz, já teriam transformado a região em uma das mais prósperas do planeta. O que não falta ali são cérebros, mão de obra abundante e também – como dádiva da natureza inóspita – tenacidade, espírito de luta e perseverança.

Até este momento, e a viagem de Lula ao Oriente Médio recém começou, o que se ouviu não passou de retórica, a mesma retórica que o Presidente usa em seus pronunciamentos internos no Brasil. Não há nada de novo na sua proposta de dois estados – Israel e Palestina – lado a lado, cada qual se comprometendo com a segurança do outro. É a partilha aprovada na memorável sessão da ONU, presidida por Oswaldo Aranha, em 1948. Os judeus proclamaram seu Estado, os países islâmicos discordaram da partilha e foram à guerra para impedi-la. Até hoje, com exceção de Egito e Jordânia, nenhum deles reconhece Israel e mantêm declaradamente sua intenção de “varrer do mapa a entidade sionista.” Sequer o nome do país eles se permitem dizer.

Dentro deste quadro é improvável qualquer acordo, apenas fazendo conversar israelenses e palestinos. Por mais bem-vindos que sejam os “vírus da paz”, que o presidente Lula diz possuir no DNA, não é aderindo ao belicismo nuclear do Irã, inclusive lhe fornecendo urânio, que ele há de provar a sinceridade de sua oferta de mediação. Mais: cheira até a hipocrisia no momento em que a delegação brasileira recusa publicamente – uma “fonte” vazou a notícia para a BBC – a inclusão de visita do ao túmulo de Theodor Herzl, cujo sesquicentenário de nascimento comemora-se este ano.

Herzl nasceu no Império Austro-Húngaro e engajou-se no nacionalismo alemão até cobrir o Caso Dreyfus, em Paris. Pouco integrado à vida judaica, chocou-se com a brutalidade do antissemitismo que havia levado o oficial francês, judeu “assimilado” como ele, à degradação, falsamente acusado de traição à Pátria. Concluiu que a solução do chamado “problema judaico” era a reconstrução do Lar Nacional em Israel – o retorno a Sion, daí o nome sionismo ao movimento que já existia há muitos séculos, com o apoio inclusive de líderes cristãos.

Ao escrever um livro, o “Estado Judeu” e convocar um congresso em Basileia, Suíça, em 1897, Herzl conseguiu dar corpo ao movimento e traçar um programa de ação. Como Moisés, porém, não estava destinado a realizar o sonho. Fracassaram suas tentativas de entendimentos com o Império Otomano, a cuja soberania o Oriente Médio, então, estava submetido. Morreu em 1904. Só mais de quatro décadas e 6 milhões de mortos depois, tocado pela barbárie do Holocausto promovido pelos nazistas é que o mundo civilizado concordou com a sua tese.

Sionismo é apenas isso, não a fantasia sadomasoquista de terrorismo que a esquerda demente, no permanente exercício de seu ódio visceral, tem se esforçado por incutir nas pessoas desavisadas. Herzl jamais explodiu ou ordenou que alguém explodisse uma bomba para matar pessoas inocentes e indefesas. Lula não quer visitar seu túmulo, mas depositar flores no túmulo de Yasser Arafat e, daqui a alguns meses, apertar de novo a mão de Mohamed Ahmadinejad.

É a escolha de Lula. É com quem ele se sente mais confortável.

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Brasil e Irã: as relações perigosas – por Jayme Copstein

Extenso e excelente artigo, disponível no site Stratfor (Brasil e Irã: incômoda relação para os Estados Unidos), disseca o que há por trás da sofreguidão com que Luiz Inácio Lula da Silva e seu assessor de Relações Internacional, Marco Aurélio Garcia, apostam todas as suas cartas no jogo de fazer Mahmoud Ahmadinejad seu mais novo amigo de infância: vender urânio para o Irã e tornar o Brasil fornecedor mundial de combustível nuclear.

Os alegados esforços para incrementar o intercâmbio comercial entre os dois países não têm pé na realidade. Os analistas não veem como possa ultrapassar o 1,3 bilhão de dólares atuais, com o Brasil superavitário, vendendo carne, açúcar e minérios, mas nada tendo a comprar, afora sal, frutas secas, tapetes e peles, porque é autossuficiente em petróleo, o principal produto do Irã. Inclusive, dona de tecnologia para prospecção e exploração de petróleo em águas profundas, em 2003 a Petrobrás obteve de Teerã, por 38 milhões de dólares, direitos de operação no Mar Cáspio, mas em novembro passado anunciou sua intenção de desistir do projeto por “falta de viabilidade comercial”.

É aposta arriscada, esta de abrir a butique de urânio tendo como primeiro cliente um governo que ameaça seus vizinhos de extermínio e é temido pelos próprios países islâmicos de etnia árabe, os quais há muitas décadas, apesar da similitude religiosa, o consideram estranho no ninho. Algumas advertências séria já estão surgindo de várias fontes, e o artigo do portal Stratfor escancara:

“A comunidade brasileira de negócios ainda não reagiu de maneira firme diante do namoro diplomático de Lula da Silva com Teerã, mas quanto mais da Silva evoluir nesta direção, mais problemas ele pode criar para os empresários brasileiros integrados com mais firmeza ao Ocidente. Nessa linha, é importante esperar sinais de que os Estados Unidos procurarão retaliar onde dói mais ao Brasil: no bolso. Já se ouvem conversas em Washington de restrigir o acesso a financiamentos norte-americanos em petróleo e gás natural; e, num momento em que o Brasil tem grandes esperanças nesse setor [pré-sal], o afastamento dos Estados Unidos e de suas empresas de alta tecnologia poderia tornar-se um sério obstáculo.”

Não haverá alguém de bom senso que segrede a Lula: “Devagar com o andor que este santo é barro?”

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Mossad e Hamas, vida e ficção – por Jayme Copstein

A vida copia a ficção ou a ficção copia a vida? Ou a ficção se disfarça de vida para esconder as ficções da vida? É complicado este caso de Dubai, aonde Mahmoud al Mabhouh, líder do Hamas, fora praticar seu inocente passatempo de comprar armas e explosivos de traficantes internacionais e acabou assassinado. A primeira versão veio da gerência do hotel – morte natural. Como todos estamos carecas de saber, em hotéis de cinco estrelas para cima, tudo é muito natural e está sempre sob controle, de furtos, estupros e assassinatos a terremotos e erupções vulcânicas.

As câmeras do sistema de vigilância mostraram desusada movimentação de 11 pessoas em torno de Abud Bud Bud, na portaria do hotel, o que despertou a suspeita de assassinato. A BBC de Londres, em sua guerrinha particular contra Israel, logo obedeceu à palavra de ordem “culpar Israel” e adotou a versão da Polícia de Dubai, de o crime ter sido cometido por agentes do Mossad, já que os assassinos clonaram passaportes de pessoas de várias nacionalidades, mas sete delas residentes em Israel. Ou já não se fazem mais Mossads como antigamente ou é a nova versão da velha anedota do agente secreto português, cujos cartões de visita diziam: “Manoel dos Anzóis, espião”. No caso, “Itzak Khamor, shmock” (Isaac Jumento, babaca).

Foram omitidos da versão dois insignificantes pormenores. Primeiro, um líder como Mahmoud al Mabhouh não se desloca sem forte esquema de segurança, o que explicaria a presença de 11 agentes de sua guarda pessoal registrada pelas câmaras de vigilância. Ou alguém consegue acreditar que ele desembarcou do táxi, sozinho, carregando a mala e foi entrando sem mais, sem menos, no meio de uma manada de turistas? Nem o nosso Lula da Silva faria isso, naquela pousada do litoral paulista onde passa as férias. O segundo pormenor é o sigilo absoluto em torno da missão de alguém que vai comprar armas clandestinamente de traficantes internacionais. Só quem sabia da movimentação de Mahmoud al Mabhouh era o alto comando do Hamas. Logo, só “alguém de dentro” é que poderia vazar a informação, com o objetivo de eliminá-lo.

Se foi o Mossad quem assassinou ou deixou de assassinar, não pode ficar fora de foco que, quem dedou Mahmoud al Mabhouh, ou com ele disputava poder dentro do Hamas, ou se desentendeu quanto ao dinheiro que flui generosamente do Irã e da Síria para os cofres da organização.

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A banalização da mentira – por Jayme Copstein

Mais depressa se pega um mentiroso que um coxo, basta correr atrás da verdade. Este é um velho provérbio – a primeira parte, a segunda eu acrescentei – em desuso mais pela banalização da mentira no Brasil de Lula que por chamar um capenga de coxo, politicamente incorreto em relação aos portadores de necessidades especiais nos membros locomotores.

Mas, se for por necessidades especiais, também é politicamente incorreto chamar os políticos de mentirosos porque eles têm a especial necessidade de esconder a verdade, Não é outra coisa que mostra matéria de Gustavo Patu, repórter da sucursal de Brasília da Folha de São Paulo, publicada na edição de ontem (http://tinyurl.com/ygn4w2n).

Patu compara não números dos dois governos, o do atual e o de FHC, mas as afirmações de Lula e Dilma Roussef em relação ao ensino público com dados de um documento do Ministério da Educação.

“E pasmem, para uma coisa que é importante: eu, torneiro mecânico, já sou o presidente da República que mais fez universidades neste país – Lula voltou a afirmar na semana passada, em Teófilo Otoni (MG), repetindo o que já havia dito em Bacabeira (MA), São Leopoldo (RS), Araçuaí (MG), no Fórum Social de Porto Alegre e em Brasília”.

A realidade, segundo o documento do Ministério em que Patu se baseou, é outra: das 13 universidades ostentadas por Lula como obra sua, nove resultaram de fusão, desmembramento ou ampliação de instituições de curso superior, inauguradas por outros presidentes. As quatro universidades que realmente seu governo criou, são menos da metade das dez universidades implantadas por Juscelino Kubitschek. O número sequer iguala as seis de Fernando Henrique Cardoso.

Por sua vez, Dilma Roussef afirmou: “Até 2003 tinham sido construídas no Brasil 140 escolas técnicas profissionalizantes, e só no governo Lula já foram feitas 140, com a previsão de construção de mais 74. É esse tipo de comparação a que me refiro”.

Segundo Gustavo Patu, com base no mesmo documento, “as escolas federais criadas até 2009 foram pouco mais da metade do anunciado – e o número de matrículas, no período, cresceu apenas 20%, bem abaixo dos 45% na rede estadual. Mais importante, omite-se que, na divisão consagrada de tarefas entre os entes federativos, o ensino profissionalizante cabe preferencialmente aos Estados, onde estão 30% dos alunos, o triplo do bolo federal, enquanto 55% das matrículas estão no setor privado. A ampliação da participação direta da União não é consensual entre os especialistas”.

A verdade é que o suposto culto à personalidade do presidente de pouca escolaridade por façanhas culturais nunca dantes praticadas na história deste país esconde todo um programa de reestatização da economia, que acabará devolvendo o Brasil à situação de falência em que os militares o deixaram, após infestá-los de empresas estatais improdutivas. O jornalista Gustavo Patu adverte:

“Combinação de preferência ideológica e conveniência eleitoral, todas as realizações reais e imaginárias citadas nos palanques petistas convergem para a apologia do papel do Estado e do gasto público, numa estratégia já empregada com sucesso no pleito de quatro anos atrás. Na época, o neoliberalismo, embora adotado com convicção pela primeira equipe econômica petista, foi o vilão escolhido”.

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Os confrontos de outubro – por Jayme Copstein

Pois vem agora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de decretar “sem ler”, o Programa Nacional de Direito Humanos (PNDH), dizer que os opositores estão botando chifre em cabeça de cavalo. “Não há porque ninguém ter medo da gente apurar a verdade da história do Brasil. Você pode fazer da forma tranquila e pacífica que estamos fazendo. Não se trata de caça às bruxas”, declarou à TV Mirante, do Maranhão.

Ou o Presidente continua sem ler o PNDH ou está tentando esconder o chifre do rinoceronte que tentaram impingir à Nação, disfarçado de cavalo. Em parte, ele tem razão: a verdade pode ser apurada de forma tranquila e pacífica. Onde ele a perde é escamoteando da opinião pública que não o faz por que não quer. Sequer tem necessidade de decreto. Basta uma simples portaria de poucas linhas para liberar o acesso a todos – porém, a todos – os documentos referentes à ditadura militar.

A não ser que, segundo a sua ótica, para esconder certas coisas, os direitos humanos devam ser classificados em politicamente corretos e politicamente incorretos, como ocorreu na entrega servil e vexatória dos dois boxeadores cubanos, sem nenhuma pendência com a Justiça, aos quais foi negado o asilo defendido encarniçadamente para Cesare Battisti, condenado por vários homicídios em julgamento regular na Itália.

Seja o que o Governo e seus aloprados têm em mente, o bolivaresco PNDH será obrigatoriamente o debate central da próxima campanha eleitoral. Mauro Chaves, em recente artigo no jornal O Estado de Estado, refere-se aos dois grupos que se opuseram à ditadura militar, agindo de acordo com suas concepções de democracia.

De um lado, pelo restabelecimento da democracia, sem recorrer à luta armada, usando da arma poderosa que é a palavra, o próprio Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Gasparian, dom Paulo Evaristo Arns, Chico Buarque e outros mais, entre eles, José Serra e José Fogaça. Do outro, recorrendo à violência, com o intuito claro de substituir uma ditadura de direita por outra de esquerda, Carlos Marighella, Carlos Lamarca, José Dirceu, Franklin Martins e outros mais, entre eles Dilma Roussef e Tarso Genro.

São os confrontos de outubro. A decisão caberá ao eleitor.

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Email do autor: jayme@jaymecopstein.com.br

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Além da demência – por Jayme Copstein

Apesar de ser emérito prestidigitador, criando ilusões sobre o que lhe convém e fazendo desaparecer o que o incomoda, desta vez, em relação ao Programa Nacional dos Direitos Humanos, o presidente Lula não poderá alegar que a turma dos aloprados entornou o caldo. Foi o seu secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, o autor do texto, e foi pelas lentes supostamente atentas e minuciosas de sua herdeira presuntiva, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, que a coleção de demências passou incólume.

Alguém, em nome do Presidente – Lula nada disse a respeito – alega que ele assinou o decreto sem ler. Já era por demais conhecida a sua ojeriza por livros e jornais, tanto assim que se vangloria de falta de intimidade com os primeiros e cultiva particular obsessão de controlar e censurar os últimos. Mas como justificar a irresponsabilidade de quem acende o estopim de uma bomba, alegando não ter percebido que tinha o fósforo em uma das mãos e o pavio na outra?

O nó de toda a questão não é apenas a parte referente à revogação da anistia, absolutamente inócua e sem nenhum efeito prático por já terem prescrito os crimes que remeteu ao esquecimento quando foi decidida com a concordâncias das partes envolvidas. É mero engodo para dissimular a subordinação aos chamados “conselhos populares” da liberdade de expressão, da atividade econômica, do direito de propriedade, do Legislativo e do Judiciário. Na prática, é a extinção do estado de direito e do regime democrático, substituindo-os por uma destas tiranias, cujos pecados não foram mais leves do que esses que pretendem perpetuar.

A tática foi utilizada com êxito por Hugo Chávez na Venezuela e redundou em retumbante fiasco quando tentada por Zelaya em Honduras, com o apoio descarado dos que agora querem impingi-la ao povo brasileiro. É bom que o eleitor se alerte. Tem quem, espertamente, se faça de louco para passar melhor.

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Os carros que Hitler e Getúlio não tiveram – por Jayme Copstein

Falsas antiguidades são boa isca para fisgar otários endinheirados. O Sul de ontem noticia a compra, por um bilionário russo, do Mercedes 770K que teria pertencido a Adolf Hitler. A própria Daimler, desmentiu a versão do vendedor, Michael Frölich, negociante de carros usados, que alegava ter garantia da fábrica, quanto à autenticidade da peça.

Quem leu sobre Hitler deduz que ele jamais possuiu qualquer automóvel. Não tinha vida fora do delírio ideológico, não praticava nenhum esporte, não cultivava nenhum passatempo. Antes de se tornar ditador, não tinha dinheiro para nada. Depois, dispunha de carros, aviões e até navios, como qualquer governante.

Hitler era pobre quando se alistou no exército, para lutar na Primeira Guerra Mundial. Ferido em combate e condecorado por bravura , permaneceu nas fileiras depois de 1918, engajado no serviço de informações. Tinha por missão espionar grupos políticos oara detectar e abortar subversões.

Foi assim que conheceu e apaixonou-se pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Ao nele ingressar, tornou-se militante profissional, sustentado pelos correligionários e também pelos direitos autorais de “Minha Luta (Mein Kampf)”, que o fizeram milionário ao assumiu o poder porque a compra do livro passou a ser obrigatória , graças aos “argumentos convincentes” da Gestapo.

Chama a atenção na notícia a versão do vendedor, alegando ter encontrado o carro, após “procurar em toda a parte como um louco”, em uma garage a apenas uma hora de distância de Düsseldorf, a cidade onde vive e tem o negócio. A “cascata” faz lembrar episódio semelhante, em Porto Alegre, de alguém tentando vender ao Governo do Estado um automóvel que supostamente pertencera a Getúlio Vargas. Contei o episódio em “Opera dos Vivos” livro de reminiscências dos jornais por onde passei.

Eu era repórter do Diário de Notícias e fui apurar a história. O vendedor se dizia oficial reformado da Brigada Militar e alegava estar se desfazendo do “tesouro” para salvar a única filha, da tuberculose, angariando recursos para tratá-la em sanatório de Minas Gerais”. O carro, fabricado em 1947, era uma limusine, das que se alugam a 30 dólares por hora em Nova York, com geladeira e mesa para o lanche. O suposto oficial reformado não explicava como viera parar em suas mãos. Sempre que se insistia na pergunta, contava que fora presente da ONU a Getúlio e repetia, de cara compungida, a história da filha tuberculosa, acrescentando críticas ardentes à falta de memória do brasileiro e apelos para “preservar relíquia histórica de inestimável valor”.

A história não fechava em nenhum ponto. A ONU jamais deu presentes a alguém. Se o fizesse, não seria ao sr Getúlio Vargas em 1947, porque ele estava no ostracismo, fora do governo do qual fora deposto dois anos antes. Só voltaria em 1951. Àquela altura, 1966, já ninguém ia às serras de Minas Gerais ou de São Paulo para curar tuberculose. Os sanatórios tinham fechado ou mudado de especialidade e o tratamento fora reduzido a antibióticos.

Um telefonema a Alzira Vargas liquidou o assunto e revelou a curiosidade: Getúlio jamais tivera um automóvel de sua propriedade. Dona Alzira explicou que “papai não se entusiasmava por essas coisas”. Um integrante da guarda pessoal, que àquela altura vivia em Porto Alegre e fazia segurança nos Associados do Rio Grande do Sul, tinha outra versão: “Getúlio era ‘mão de vaca’ (palavras textuais). Não gostava de gastar dinheiro”.

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Delírio de um otário – por Jayme Copstein

Ninguém sabe se o presidente Luiz Inácio Silva ouviu falar de Neville Chamberlain, antigo primeiro-ministro inglês que também desejou perpetuar seu nome na História da Humanidade, celebrando a paz no mundo com Adolf Hitler, psicopata austríaco, ignorante, mas inegavelmente dotado de carisma e que sabia para falar para as massas e por isso mesmo alcançou altos índices de popularidade da Alemanha nos anos 30 do século passado.

Àquela altura, ninguém mais confiava em Hitler. Os próprios generais alemães tinham decidido prendê-lo por que suas maluquices estavam conduzindo o país à guerra. Pois Neville Chamberlain no último momento, para apaziguar Hitler, decidiu oferecer-lhe mais do que ele pedia em relação à Tcheco-Eslováquia. Em troca, recebeu um papel assinado, que sacudia vaidoso, enquanto posava para os fotógrafos e proclamava:> “Trouxe a paz para o nosso tempo!”.

Mais de 50 milhões de mortos depois, mesmo tendo recebido a visita do presidente de Israel e do presidente da Autoridade Palestino, para alertá-lo das intenções de Mahmoud Ahmadinejad que financia o Hamas para manter aceso o conflito do Oriente Médio, Luiz Inácio Lula da Silva fecha aos olhos aos crimes da ditadura iraniana, porque deseja perpetuar seu nome na História da Humanidade, celebrando a paz no mundo.

Neville Chamberlain, de fato, conseguiu perpetuar seu nome na História, por ter mergulhado o mundo na catástrofe. Mas Luiz Inácio Lula da Silva nem isso conseguirá porque sequer é protagonista do quadro. O papel que está assumindo é o de um otário atacado de delírio, ao apostar suas fichas na banca de um bicheiro larápio.

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